Incensado por políticos de direita — e até por influentes representantes da esquerda — Marcelo Corbage, comandante do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope), finalmente foi promovido ao último posto da corporação, o de coronel. E por bravura.
Corbage comandou a Operação Contenção nos complexos do Alemão e da Penha em outubro de 2025, que resultou em 122 mortes. Ele era um dos primeiros na pré-lista elaborada pela gestão do ex-secretário da PM Marcelo de Menezes para a promoção.
Mas, na hora de a PM organizar a relação, de fato, o “caveira” caiu para a 27ª posição segundo critérios de merecimento e antiguidade. Quatorze PMs foram promovidos a coronel full no Dia de Tiradentes (21). Mas o nome de Corbage não estava entre eles.
A informação explodiu na tropa — e não como motivo de alegria.
A turma só acalmou com a publicação da promoção, nesta quarta-feira (29). E por bravura.
Operação teve a aprovação da opinião pública
Apesar do elevado índice de letalidade (ou talvez, por causa dele) a operação do Alemão e da Penha foi amplamente aprovada pela opinião pública — e se tornou um potente ativo eleitoral.
Os índices de intenções de votos no ex-governador Cláudio Castro para o Senado; em Flávio Bolsonaro para a Presidência da República; e de outros pré-candidatos do PL e da direita foram impulsionados depois da ação policial.
Elogios do petista Quaquá
Corbage, porém, foi valorizado até nas hostes adversárias. O prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, elogiou a operação em suas redes sociais. E no último dia 17, esteve na sede do Bope, foi recebido pelo comandante e outros militares, e, claro, elogiou de novo.
Tudo, claro, registrado nas redes sociais.
“Tive o prazer visitar ontem uma das mais importantes instituições da segurança pública do Brasil, o @bope.oficial!”, postou Quaquá, na legenda de fotos em que, inclusive, segura uma arma pesada.
O Proderj estava, ao lado do Instituto Rio Metrópole e a Secretaria do Ambiente/Inea, entre os campeões de contratações e aquisições do governo Cláudio Castro (PL). Com a chegada do governador interino Ricardo Couto, a festa parou. Mas, pelo visto, não por muito tempo. As publicações recentes cobrem desde o fornecimento de licenças de software corporativo até a gestão completa do parque de impressões do estado.
O maior montante ficou por conta do pregão eletrônico PE-RP 012/2025, voltado para a subscrição e aquisição de licenças de softwares Microsoft. A grande vencedora deste contrato foi a empresa SoftwareOne Comércio e Serviços de Informática Ltda., que faturou R$ 36.413.223,17 pelo Lote 01 (subscrição de 12 meses) e mais R$ 256.492.712,15 pelo Lote 02 (subscrição de 36 meses). Já o Lote 03, focado em licenças de uso perpétuo por 36 meses, ficou com a Telefônica Brasil S/A, pelo valor de R$ 28.416.995,28.
Juntos, os três lotes de softwares atingem R$ 321.322.930,60.
O segundo processo homologado foi o pregão eletrônico PE-RP 006/2025, destinado aos serviços de impressão, cópia e digitalização corporativas, incluindo equipamentos, manutenção e insumos. Neste certame, a empresa Dady Ilha Soluções Integradas Ltda. arrematou o Lote 01 pelo valor expressivo de R$ 64.213.200,00.
Os outros dois lotes menores ficaram com a WP Sistemas Reprográficos e Impressão Ltda. EPP, que levou o Lote 02 por R$ 576.000,00 e o Lote 03 por R$ 3.778.788,00. O total deste pregão fechou em R$ 68.567.988,00.
Os campeõs das novas licitações milionárias do Proderj
No balanço geral das contratações, a SoftwareOne desponta como a principal beneficiada ao abocanhar R$ 292,9 milhões no pregão de sistemas. Na sequência aparecem a Dady Ilha Soluções com R$ 64,2 milhões, a Telefônica Brasil com R$ 28,4 milhões e a WP Sistemas Reprográficos com R$ 4,3 milhões, consolidando a marca de R$ 390 milhões investidos pela gestão estadual na infraestrutura de TI.
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) abriu uma apuração sobre um pregão eletrônico de R$ 13,3 milhões da Prefeitura de Saquarema após seis das sete empresas participantes serem eliminadas ainda na fase de habilitação. A disputa, destinada ao registro de preços para aquisição, instalação e manutenção de aparelhos de ar-condicionado para as secretarias municipais de Saúde e Educação, terminou com só uma licitante habilitada e desconto de apenas 1,23% sobre o valor estimado do contrato.
A análise tem como base uma representação apresentada pela empresa Inteligência Artificial Tecnologia e Refrigeração Ltda., que pede a suspensão do pregão e aponta supostas irregularidades na condução do certame. Entre os questionamentos estão a exigência de comprovante de quitação do seguro-garantia e a ausência de diligências da pregoeira para verificar a documentação apresentada pelas empresas concorrentes.
Seis empresas foram eliminadas antes da fase de lances
Segundo a representação, a combinação entre a inversão das fases do pregão — com a habilitação ocorrendo antes da etapa de disputa de preços — e a exigência do comprovante de quitação do seguro-garantia levou à eliminação de seis das sete participantes. A empresa autora da ação sustenta que as apólices apresentadas eram válidas e atendiam à legislação federal e às normas da Superintendência de Seguros Privados (Susep).
Ainda de acordo com a denúncia, a exclusão das concorrentes impediu uma disputa efetiva de preços. Com apenas uma empresa habilitada, não houve apresentação de novos lances, resultando em um desconto considerado reduzido para um contrato de mais de R$ 13 milhões.
Pregoeira terá três dias para explicar o caso
Ao analisar o pedido, o TCE decidiu ouvir previamente a pregoeira responsável pelo certame, Ingrid Strino da Conceição. Ela terá prazo de três dias para se manifestar sobre as irregularidades apontadas e informar a situação atual da licitação, incluindo eventual homologação ou adjudicação do resultado.
Somente após a manifestação da responsável pelo pregão o Tribunal decidirá sobre a admissibilidade da representação e sobre o pedido de medida cautelar para eventual suspensão do procedimento. Em seguida, o caso será encaminhado à Secretaria Geral de Controle Externo (SGE) para análise técnica.
TCE alerta para possível ilegalidade
Na decisão, a relatora fez um alerta expresso à Prefeitura de Saquarema sobre o fato de a contratação estar sob exame de legalidade pelo Tribunal. Segundo ela, tanto o procedimento licitatório quanto uma eventual ata de registro de preços e contratos decorrentes ainda poderão ser considerados ilegais pela Corte de Contas, dependendo do resultado da análise.
A licitação questionada tem valor estimado de R$ 13.320.172,12 e foi realizada no último dia 18 de agosto. O processo tramita sob o número 239.899-2/26 no TCE-RJ.
A ex-ministra da Igualdade Racial e candidata à Câmara Federal, Anielle Franco (PT), pediu votos neste domingo (13) para a candidata ao Senado Monica Benicio (PSOL) durante uma caminhada de campanha de Benedita da Silva (PT) em Copacabana, que também concorre ao Senado.
O gesto ocorreu em meio à discussão sobre a falta de reciprocidade entre PT e PSD no Rio e chamou atenção pela ausência de manifestações em favor de Pedro Paulo (PSD) — e…. do próprio candidato.
Apesar do apoio formal do PT ao candidato do PSD para uma das vagas ao Senado, Pedro Paulo não participou da mobilização realizada na Zona Sul.
Com isso, Anielle teve mais tempo — e espaço — para subir e discursar no caminhão da campanha. A ex-ministra associou sua atuação política e a de Monica Benicio ao legado de sua irmã, Marielle Franco. “A família da Marielle segue e seguirá honrando o legado de Marielle”, afirmou.
A caminhada reuniu militantes e candidatos da esquerda e percorreu ruas de Copacabana durante a tarde deste domingo e terminou há pouco, por conta da chuva.
Imagine por um momento a aventura de uma vida começando na sala de espera de um consultório odontológico. Filme esquisito e improvável, né? Não para o aventureiro niteroiense Maurício Acklas, que, num estalo, enquanto ouvia do lado de fora o temido “zzzzzzzzzzz” da broca do dentista descobriu um outro Z. O da cidade perdida, objeto de busca e trágico destino do militar e aventureiro britânico Percy Fawcett.
Mas tentemos contar essa história com alguma organização, desde o começo, se é que há um, visto que fim, definitivamente, não existe. Ainda.
Maurício Acklas percorreu mais de 100 mil quilômetros pelo mundo inteiro, checando várias teorias, entrando em contato com várias culturas. Tudo por uma obsessão. Saber o que aconteceu com o coronel Fawcett, que desapareceu no Alto Xingu, no Mato Grosso, em 1925. O inglês procurava a mítica Cidade Perdida de Z, nunca encontrada. Acklas procura Fawcett. E essa busca incessante rendeu vários vídeos e outros trabalhos, entre eles o livro em quadrinhos “Decifrando Fawcett – O Homem”, primeiro de uma série em quatro episódios que vai contar a saga deste aventureiro e está sendo lançado no Bienal de São Paulo.
Anúncio da história em quadrinhos que está sendo lançada
“Li tudo que foi publicado sobre Fawcett. Livros, documentos obscuros. Viajei o mundo procurando pistas”, conta Acklas, apelidado de Indiana Jones de Niterói.
Expedições realizadas por vários lugares do mundo
As expedições de Acklas já passaram por regiões como Serra do Roncador, Xingu, Amazônia e Acre, além de países como Peru, Chile, Colômbia, Itália, Grécia, Turquia, França, Espanha, Portugal e Reino Unido.
Na última, recentemente, esteve na Turquia pesquisando ruínas de uma cidade subterrânea de 19 pavimentos. Para baixo, por supuesto.
“Era uma cidade incrível. As entradas eram estreitas, difíceis, um homem por vez podia passar. Uma excelente defesa contra invasores. Podiam mandar um exército de seis milhões. Não ia adiantar. Ia ter que entrar um de cada para encarar as lanças”, entusiasma-se Acklas, dizendo que o sítio arqueológico visitado é datado em 12.500 anos.
Teorias que envolvem até mesmo a mítica Atlântida
Mas o que uma cidade subterrânea na Turquia tem a ver com o desaparecimento de um aventureiro inglês no Mato Grosso? Para juntar essas peças, basta recorrer a um dos maiores mistérios, lenda para muitos, da humanidade. O continente perdido de Atlântida, que teria afundado no oceano após um cataclisma.
“Fawcett acreditava que os criadores da Cidade de Z fossem descendentes dos atlantes”, explica Acklas.
O aventureiro niteroiense, seguindo essa pista, chegou até o celebrado “manuscrito 512”, que está na Biblioteca Nacional.
“Esse documento é um relato de bandeirantes que teriam avistado na Bahia uma cidade perdida de proporções ciclópicas (gigantes), como as grandes erguidas pelas populações do passado”, conta Acklas.
O incansável niteroiense percorreu as pistas procurando também essa cidade. Não achou nada. Assim como está longe de encontrar a Cidade Perdida de Z, em cuja busca sumiram tanto o coronel Percy Fawcett quanto seu filho, Jack, e um amigo deste, Raleigh Rimmell. Sumiram para, até agora, nunca mais.
“Na década de 50, alguns indígenas apareceram dizendo terem sido os assassinos do trio. Disseram que jogaram os corpos dos jovens no rio e mostraram uma tumba onde estariam os restos do coronel”, lembra Acklas.
Polêmica e mito da da imprensa envolvidos
Mais uma pista sem saída. O esqueleto chegou ser levado para a Inglaterra, onde foi negada de forma veemente a possibilidade de pertencer a Fawcett. O que não impediu o financiador da exposição de outrora, o não menos aventureiro (este num não tão bom sentido da palavra) Assis Chateaubriand de vender muitos jornais e revistas.
Acklas, que é somente aventureiro e está longe de possuir uma fortuna, até agora só amealhou gastos com suas andanças. Depois de onze anos gerindo bares em cruzeiros de luxo, juntou os recursos e com eles até hoje financia suas aventuras. Reserva para o futuro? Necas!
“As viagens em si já foram boas. Mudaram minha concepção de vida”, reflete Acklas, que ainda contará a história de Fawcett em mais três volumes, “O explorador”, “A caçada” e “O místico”.
Por enquanto, a Cidade Perdida de Z, esteja onde estiver, pode esperar. Porque Acklas não é de desistir fácil…
A Prefeitura do Rio entregou, neste domingo (13), mais 96 apartamentos do programa Morar Carioca do Aço, em Santa Cruz, na Zona Oeste. Com a nova etapa, o empreendimento habitacional passa a atender 496 famílias da comunidade do Aço.
As unidades entregues fazem parte dos blocos 1 a 6 da Quadra C do conjunto residencial. Segundo a administração municipal, o projeto soma R$ 300,9 milhões em investimentos e inclui, além das moradias, obras de urbanização e infraestrutura na região.
Os apartamentos têm cerca de 50 metros quadrados, com sala, dois quartos, cozinha, banheiro, varanda e área de serviço. As unidades térreas foram adaptadas para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
Durante a cerimônia de entrega das chaves, o prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que a meta da prefeitura é concluir a transformação urbanística da comunidade.
Moradores acompanham cerimônia de entrega de mais 96 apartamentos do Morar Carioca do Aço, em Santa Cruz — Foto: Divulgação/Prefeitura do Rio
Além das moradias, o projeto prevê intervenções em mais de 195 mil metros quadrados de área pública, incluindo pavimentação, drenagem, redes de água e esgoto e requalificação de vias internas da comunidade.
De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura, estão previstos cerca de 26 mil metros quadrados de asfaltamento e 23 mil metros quadrados de pavimentação em concreto, além da implantação de aproximadamente 11 quilômetros de redes de drenagem.
Na área de saneamento, o projeto contempla quase 13 quilômetros de redes de esgoto e de abastecimento de água. Um reservatório com capacidade para 3,5 milhões de litros já está em operação.
As obras também incluem uma praça de mais de 15 mil metros quadrados inaugurada em 2025, com pista de skate, ciclovia, quadras esportivas, parque infantil, bicicletários e equipamentos de ginástica.
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) emitiu parecer prévio contrário à aprovação das contas de governo de 2024 do ex-prefeito de Mesquita, Jorge Miranda. O parecer ainda será encaminhado à Câmara de Vereadores, que terá a palavra final sobre a aprovação ou rejeição das contas.
A reprovação teve como principal fundamento a falta de repasse integral das contribuições previdenciárias patronais ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) do município.
Segundo o processo, a prefeitura deixou de transferir R$ 14.778.357,22 ao fundo previdenciário durante o exercício de 2024, comprometendo o equilíbrio financeiro e atuarial do regime.
A fiscalização identificou inicialmente cinco irregularidades nas contas. Após a apresentação da defesa, quatro delas foram afastadas, permanecendo apenas a relacionada aos repasses previdenciários.
O TCE-RJ destacou que a falta de repasse das contribuições patronais foi agravada pela prática recorrente de parcelamentos de débitos previdenciários, o que, segundo o relator, prejudica a capitalização do RPPS.
O voto também rejeitou a justificativa apresentada pela gestão, que atribuiu as dificuldades financeiras aos impactos das fortes chuvas registradas no início de 2024. Para a Corte, não houve comprovação de que a situação de emergência tenha comprometido a capacidade financeira do município, que encerrou o exercício com cenário fiscal favorável.
Apesar da irregularidade previdenciária, o relatório apontou que Mesquita cumpriu os principais índices constitucionais e fiscais no exercício.
Na educação, o município aplicou 35,31% das receitas de impostos em manutenção e desenvolvimento do ensino, acima do mínimo constitucional de 25%. Os gastos com profissionais da educação financiados pelo Fundeb alcançaram 80,53% dos recursos do fundo, superando o percentual mínimo de 70%.
Na saúde, a aplicação foi de 15,21% das receitas, ligeiramente acima do piso constitucional de 15%. Já as despesas com pessoal do Poder Executivo corresponderam a 35,78% da Receita Corrente Líquida, abaixo do limite de 54% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal revelaram que o ex-governador Cláudio Castro tratou com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça de questões relacionadas à prisão do ex-governador Sérgio Cabral. As conversas ocorreram em novembro de 2022, período em que Mendonça era relator de pedidos apresentados pela defesa de Cabral na Corte.
Castro, de acordo com as investigações, encaminhou ao ministro documentos ligados aos pedidos de habeas corpus e de soltura de Cabral. O conteúdo foi localizado pela PF durante a investigação que apura a atuação de autoridades e agentes públicos em diferentes frentes de interesse político e judicial.
Em nota André Mendonça afirmou que sua atuação no caso ocorreu exclusivamente com base nos autos do processo e que a interlocução com o governador teve caráter institucional. Segundo o ministro, as decisões tomadas seguiram critérios técnicos e jurídicos.
A defesa de Sérgio Cabral também negou qualquer tentativa de influência sobre o julgamento dos pedidos analisados pelo STF. Cabral deixou a prisão em dezembro de 2022, após decisões judiciais que revogaram as últimas ordens de prisão preventiva que ainda estavam em vigor.
Em nota enviada ao TEMPO REAL, o ex-governador manifesta seu posicionamento sobre a reportagem.
Leia a íntegra:
“Recentemente fui surpreendido por uma matéria da Folha de S.Paulo sobre mensagens que troquei com o ministro André Mendonça, em novembro de 2022, envolvendo a situação prisional do ex-governador Sérgio Cabral.
Quero começar pelo principal: não procurei o ministro para interferir em qualquer julgamento no STF nem para pedir benefício a Sérgio Cabral.
Após revisar as mensagens e reconstruir, com minha equipe à época, o contexto daquele episódio, entendi ser importante explicar o que aconteceu.
No início da noite de 11 de novembro de 2022, recebi uma ligação da então secretária de Administração Penitenciária, Maria Rosa Nebel. Havia chegado à secretaria um mandado de soltura de Sérgio Cabral, expedido naquele dia pela 5ª Câmara Criminal do TJRJ, mas existia dúvida sobre outras ordens judiciais que pudessem mantê-lo preso.
Naquele momento, o site do TRF4 estava fora do ar e as tentativas de contato não tiveram sucesso. Diante da necessidade de confirmar a situação processual, fiz contato com o ministro André Mendonça pois havia com ele um processo ligado ao ex-governador.
Minha relação com o ministro sempre foi institucional. A ligação não tratou do julgamento que ocorreria posteriormente no STF. O assunto era o mandado de soltura expedido naquele dia e a necessidade de verificar se havia outras ordens judiciais em vigor.
O ministro encaminhou o link de um processo no Supremo, que auxiliou nessa checagem. Não houve pedido de decisão, favorecimento ou interferência em julgamento.
Ao final, confirmou-se que havia outras ordens judiciais que impediam a soltura, e Sérgio Cabral permaneceu preso.
Nunca mantive relação pessoal com Sérgio Cabral e, durante todo o período em que estive à frente do Governo do Estado, sequer estive pessoalmente com ele.
Análise do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio), a partir dos dados produzidos e consolidados pela Brain Inteligência Estratégica, revela que os apartamentos compactos continuam sendo as celebridades do mercado imobilário no Rio de Janeiro. Eles, que foram 10% do volume total em 2022, hoje já representam 35% de tudo que foi lançado nesses sete meses de 2026.
O levantamento também aponta que o Minha Casa Minha Vida está em plena recuperação. O programa já representou 60% do mercado nos seus primeiros anos, de 2009 a 2011, mas chegou ao fundo do poço em 2021, com somente 20% de representatividade. Hoje significa 40% do que foi lançado em 2026.
O segumento de luxo é um outro destaque. Ele mais do que dobrou a sua participação, saindo de 5% do mercado em 2022 para 12%.
Os principais bairros em volume de lançamentos e vendas na cidade são Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Centro, Porto Maravilha e Flamengo. Eles receberam empreendimentos emblemáticos e de grande volume de unidades este ano.
Em vendas, os patamares de 2024 e 2023, na casa de R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões, saltaram em 2025 para R$ 15 bilhões e sinalizam chegar no fim de 2026 nas mesmas condições. O preço médio de venda cresceu cerca de 4,5%, comparando 2025 com 2026, acompanhando a inflação. Hoje, o ritmo de vendas está parecido com o de 2025, devendo chegar a perto de 24 mil unidades no ano.
O estoque atual é de cerca de 14 mil unidades — o que significa que, se mais nenhum imóvel fosse construído, o Rio só teria o suficiente para cobrir a demanda por mais ou menos sete meses. A absorção média do mercado está em 80%, ou seja, de tudo o que é lançado, 80% é vendido antes do fim da execução da obra. O maior estoque hoje está concentrado nos imóveis entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões — o chamado segmento médio, com 34% das 14 mil unidades.
Edio Antonio Rodrigues Neto queria uma coisa simples: ser Itaboraí no Congresso Nacional. Literalmente.
O candidato a deputado federal pelo União Brasil registrou o nome do município em que nasceu como seu apelido nas urnas. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) até chegou a considerar que aquilo poderia ser um erro cometido por quem cadastrou os dados no sistema, mas, mesmo assim, já apontou que não gostou da ideia e afirmou que a escolha poderia confundir o eleitor.
A defesa de Edio, então, teve que deixar bem claro que o nome havia sido definido pelo próprio candidato — de propósito. E tentou convencer o tribunal de que “Itaboraí”, acompanhado da foto, do número e do cargo, seria suficiente para diferenciá-lo do município.
Não colou.
Sem conseguir manter o apelido, Edio recorreu — mas também apresentou duas alternativas para não correr o risco de ter o registro da candidatura indeferido.
E tentou ser o seu domicílio eleitoral ainda mais literalmente, com o apelido “Nino É Itaboraí”.
A nova ideia também não foi aceita pelo plenário do TRE-RJ nesta quinta-feira (10). Mas, a segunda opção deu certo, e Edio concorrerá como “Nino de Itaboraí”.
Porque uma coisa é querer representar Itaboraí em Brasília. Outra é querer ser a própria cidade.
A seleta e dedicada torcida do futebol local de Niterói começou o mês de setembro animada: o novo Parque Poliesportivo da Concha Acústica, em São Domingos, começou a receber jogos da equipe do município, o Niteroiense. No último sábado (05), a equipe jogou a primeira rodada do Campeonato Carioca da Série B1, a terceira divisão estadual, e o clima foi de festa para a torcida — tanto pela estreia como pelo placar, já que o time da casa venceu o Serrano por 2 a 0.
A partida aconteceu justamente na semana em que prefeitura anunciou avanços para tornar um dos tradicionais símbolos do futebol na cidade, o Estádio Caio Martins, em Icaraí, em um parque junto a um reservatório contra alagamentos na região. Por isso, o sentimento entre alguns torcedores presentes à Concha Acústica era meio melancólico, já que o campo em Icaraí não deve mais receber jogos de futebol tão cedo. Mesmo assim, a alegria de prestigiar um novo campo de futebol profissional na cidade foi maior.
Um desses entusiasmados torcedores era Leandro Faria, morador do Ingá. Nascido e criado em Niterói, ele admite que chegou a ter expectativas que o Niteroiense pudesse jogar no Caio Martins, mas comentou acreditar que o novo estádio se torne popular entre torcedores.
“Eu até cheguei a pensar que a estreia do time neste ano seria no Caio Martins, mas, infelizmente, isso não será mais possível. Porém, tenho as melhores expectativas possíveis para que nossa cidade abrace este novo estádio. Afinal, aqui é um celeiro de craques”, comentou.
Ao lado do filho Lucas, de 18 anos, Leandro citou acompanhar o time desde 2023, quando, à época, a equipe jogou, respectivamente, as Séries C (quinta divisão) e B2 (quarta), do Campeonato Carioca. E para ele, com o elenco atual jogando na Concha Acústica, o Niteroiense vai conseguir o acesso para a segunda divisão, a Série A2, no ano que vem.
Leandro Faria (à direita da foto) prestigiou a estreia do Niteroiense na Concha Acústica ao lado do filho Lucas, de 18 anos — Foto: Tempo Real
Planos para o futuro e possibilidade de ampliação de público
Atual secretário municipal de esportes, Luiz Carlos Gallo conhece bem a relação entre futebol e Niterói. Afinal, ele foi atleta da extinta Associação Desportiva Niterói, a ADN, no início dos anos 80. A equipe é a única até hoje a representar Niterói no Campeonato Carioca da primeira divisão, feito ocorrido em 1980.
Em conversa com o TEMPO REAL, Gallo relembra com saudade do tempo em que atou como zagueiro da ADN. Citando jogadores nascidos na cidade que fizeram sucesso no futebol mundial, como Edmundo, ídolo do Vasco, e Leonardo, cria do Flamengo e campeão pela Seleção Brasileira na Copa de 1994, ele explica os planos para o futuro do Niteroiense.
“Daqui a dois anos queremos subir para a primeira divisão. Atualmente, o clube não tem muitos recursos financeiros. Por isso, lançamos um plano de sócio-torcedor para ter o apoio dos niteroienses. A gente quer ajudar Niterói a resgatar o orgulho de ter um time da cidade”, comentou.
Realista, o secretário de esportes admitiu que não há um planejamento atual pensando na ampliação de público que, no momento, comporta a capacidade para apenas 500 torcedores, aproximadamente. Por isso, se o Niteroiense conseguir o acesso à segunda divisão estadual, já tem em mente sobre o que pode ser feito.
“Se conseguirmos o acesso para a Série A2 do estadual no ano que vem, teremos que nos planejar para a ampliação do público. Uma ideia inicial seria aumentar a capacidade para 8 mil pessoas. Naturalmente, isso seria para partidas contra times de menor investimento. Não há condição de receber jogos contra as equipes grandes. Se chegarmos à primeira divisão e não houver condições de jogar aqui, teremos que buscar opções em outros lugares”, reconheceu.
Com capacidade para aproximadamente 500 torcedores, o público lotou a Concha Acústica para prestigiar a estreia do Niteroiense no novo estádio — Foto: Tempo Real
Futebol em nome do pai e do filho
Além de ter jogado profissionalmente, Gallo viu a paixão pelo futebol passar para o filho, o volante Bruno Gallo, que atua no Niteroiense há três temporadas. Questionado como reagiria ao ver a cria atuar na primeira divisão por uma equipe de Niterói, repetindo o feito do pai, o secretário se emociona.
“Isso aí, se Deus nos permitir, acredito que será realizado. Do jeito que ele se dedica, sendo o primeiro a chegar nos treinamentos e o último a sair, tenho certeza que ele vai repetir meu feito por Niterói como jogador profissional”, comentou.
Atual secretário municipal de esportes de Niterói, Luiz Carlos Gallo jogou na última equipe da cidade a disputar a elite estadual, a ADN, em 1980 — Foto: Tempo Real
Já o filho, Bruno Gallo, prefere não criar expectativa a respeito. Com 38 anos de idade, o jogador tem 11 gols em 36 jogos com a camisa do Niteroiense, incluída a vitória sobre o Serrano, e é um dos atletas que há mais tempo está no plantel. Mas afirma pensar no presente antes de imaginar o que pode acontecer mais adiante.
“Vamos um ano de cada vez. É um sonho poder chegar à primeira divisão e nossa missão é esta. De 2023 pra cá, crescemos muito e nos preparemos bem para este ano. O pensamento é este, mas vamos devagar, passo a passo. Quem sabe daqui a dois anos, não estarei no Maracanã?”, contou Bruno com um sorriso no rosto.
Os gols do jogo foram marcados por Chay, atleta morador de Niterói, e Diguinho.
Morador de Niterói desde os três anos de idade, o jogador Chay celebra com a torcida a vitória. Ele foi o autor do primeiro gol da história no Estádio da Concha Acústica — Foto: Tempo Real