Contos céticos, novo livro de Adriana Lunardi, será lançado nesta quarta-feira, às 19h, na Janela Livraria (Rua Maria Angélica, 171 – Jardim Botânico – Rio de Janeiro).

últimas notícias
A Prefeitura do Rio entregou, neste domingo (13), mais 96 apartamentos do programa Morar Carioca do Aço, em Santa Cruz, na Zona Oeste. Com a nova etapa, o empreendimento habitacional passa a atender 496 famílias da comunidade do Aço.
As unidades entregues fazem parte dos blocos 1 a 6 da Quadra C do conjunto residencial. Segundo a administração municipal, o projeto soma R$ 300,9 milhões em investimentos e inclui, além das moradias, obras de urbanização e infraestrutura na região.
Os apartamentos têm cerca de 50 metros quadrados, com sala, dois quartos, cozinha, banheiro, varanda e área de serviço. As unidades térreas foram adaptadas para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
Durante a cerimônia de entrega das chaves, o prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que a meta da prefeitura é concluir a transformação urbanística da comunidade.

Além das moradias, o projeto prevê intervenções em mais de 195 mil metros quadrados de área pública, incluindo pavimentação, drenagem, redes de água e esgoto e requalificação de vias internas da comunidade.
De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura, estão previstos cerca de 26 mil metros quadrados de asfaltamento e 23 mil metros quadrados de pavimentação em concreto, além da implantação de aproximadamente 11 quilômetros de redes de drenagem.
A iniciativa integra outras frentes do programa Morar Carioca na cidade. Em agosto, a prefeitura formalizou um contrato de R$ 40,7 milhões para obras de urbanização na comunidade do Bateau Mouche, na Praça Seca, dentro de um investimento total de R$ 70,2 milhões previsto para a região
Na área de saneamento, o projeto contempla quase 13 quilômetros de redes de esgoto e de abastecimento de água. Um reservatório com capacidade para 3,5 milhões de litros já está em operação.
As obras também incluem uma praça de mais de 15 mil metros quadrados inaugurada em 2025, com pista de skate, ciclovia, quadras esportivas, parque infantil, bicicletários e equipamentos de ginástica.
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) emitiu parecer prévio contrário à aprovação das contas de governo de 2024 do ex-prefeito de Mesquita, Jorge Miranda. O parecer ainda será encaminhado à Câmara de Vereadores, que terá a palavra final sobre a aprovação ou rejeição das contas.
A reprovação teve como principal fundamento a falta de repasse integral das contribuições previdenciárias patronais ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) do município.
Segundo o processo, a prefeitura deixou de transferir R$ 14.778.357,22 ao fundo previdenciário durante o exercício de 2024, comprometendo o equilíbrio financeiro e atuarial do regime.
A fiscalização identificou inicialmente cinco irregularidades nas contas. Após a apresentação da defesa, quatro delas foram afastadas, permanecendo apenas a relacionada aos repasses previdenciários.
O TCE-RJ destacou que a falta de repasse das contribuições patronais foi agravada pela prática recorrente de parcelamentos de débitos previdenciários, o que, segundo o relator, prejudica a capitalização do RPPS.
O voto também rejeitou a justificativa apresentada pela gestão, que atribuiu as dificuldades financeiras aos impactos das fortes chuvas registradas no início de 2024. Para a Corte, não houve comprovação de que a situação de emergência tenha comprometido a capacidade financeira do município, que encerrou o exercício com cenário fiscal favorável.
Apesar da irregularidade previdenciária, o relatório apontou que Mesquita cumpriu os principais índices constitucionais e fiscais no exercício.
Na educação, o município aplicou 35,31% das receitas de impostos em manutenção e desenvolvimento do ensino, acima do mínimo constitucional de 25%. Os gastos com profissionais da educação financiados pelo Fundeb alcançaram 80,53% dos recursos do fundo, superando o percentual mínimo de 70%.
Na saúde, a aplicação foi de 15,21% das receitas, ligeiramente acima do piso constitucional de 15%. Já as despesas com pessoal do Poder Executivo corresponderam a 35,78% da Receita Corrente Líquida, abaixo do limite de 54% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
COM FÁBIO MARTINS

Mensagens obtidas pela Polícia Federal revelaram que o ex-governador Cláudio Castro tratou com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça de questões relacionadas à prisão do ex-governador Sérgio Cabral. As conversas ocorreram em novembro de 2022, período em que Mendonça era relator de pedidos apresentados pela defesa de Cabral na Corte.
Castro, de acordo com as investigações, encaminhou ao ministro documentos ligados aos pedidos de habeas corpus e de soltura de Cabral. O conteúdo foi localizado pela PF durante a investigação que apura a atuação de autoridades e agentes públicos em diferentes frentes de interesse político e judicial.
Em nota André Mendonça afirmou que sua atuação no caso ocorreu exclusivamente com base nos autos do processo e que a interlocução com o governador teve caráter institucional. Segundo o ministro, as decisões tomadas seguiram critérios técnicos e jurídicos.
A defesa de Sérgio Cabral também negou qualquer tentativa de influência sobre o julgamento dos pedidos analisados pelo STF. Cabral deixou a prisão em dezembro de 2022, após decisões judiciais que revogaram as últimas ordens de prisão preventiva que ainda estavam em vigor.
O material faz parte do conjunto de documentos analisados pela Polícia Federal no âmbito de apurações em andamento.
Com informações da Folha de S. Paulo
Análise do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio), a partir dos dados produzidos e consolidados pela Brain Inteligência Estratégica, revela que os apartamentos compactos continuam sendo as celebridades do mercado imobilário no Rio de Janeiro. Eles, que foram 10% do volume total em 2022, hoje já representam 35% de tudo que foi lançado nesses sete meses de 2026.
O levantamento também aponta que o Minha Casa Minha Vida está em plena recuperação. O programa já representou 60% do mercado nos seus primeiros anos, de 2009 a 2011, mas chegou ao fundo do poço em 2021, com somente 20% de representatividade. Hoje significa 40% do que foi lançado em 2026.
O segumento de luxo é um outro destaque. Ele mais do que dobrou a sua participação, saindo de 5% do mercado em 2022 para 12%.
Os principais bairros em volume de lançamentos e vendas na cidade são Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Centro, Porto Maravilha e Flamengo. Eles receberam empreendimentos emblemáticos e de grande volume de unidades este ano.
Em vendas, os patamares de 2024 e 2023, na casa de R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões, saltaram em 2025 para R$ 15 bilhões e sinalizam chegar no fim de 2026 nas mesmas condições. O preço médio de venda cresceu cerca de 4,5%, comparando 2025 com 2026, acompanhando a inflação. Hoje, o ritmo de vendas está parecido com o de 2025, devendo chegar a perto de 24 mil unidades no ano.
O estoque atual é de cerca de 14 mil unidades — o que significa que, se mais nenhum imóvel fosse construído, o Rio só teria o suficiente para cobrir a demanda por mais ou menos sete meses. A absorção média do mercado está em 80%, ou seja, de tudo o que é lançado, 80% é vendido antes do fim da execução da obra. O maior estoque hoje está concentrado nos imóveis entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões — o chamado segmento médio, com 34% das 14 mil unidades.
Já o compacto é o que tem menos estoque: 15% do total.
É, ou não é, a estrela da temporada?
Edio Antonio Rodrigues Neto queria uma coisa simples: ser Itaboraí no Congresso Nacional. Literalmente.
O candidato a deputado federal pelo União Brasil registrou o nome do município em que nasceu como seu apelido nas urnas. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) até chegou a considerar que aquilo poderia ser um erro cometido por quem cadastrou os dados no sistema, mas, mesmo assim, já apontou que não gostou da ideia e afirmou que a escolha poderia confundir o eleitor.
A defesa de Edio, então, teve que deixar bem claro que o nome havia sido definido pelo próprio candidato — de propósito. E tentou convencer o tribunal de que “Itaboraí”, acompanhado da foto, do número e do cargo, seria suficiente para diferenciá-lo do município.
Não colou.
Sem conseguir manter o apelido, Edio recorreu — mas também apresentou duas alternativas para não correr o risco de ter o registro da candidatura indeferido.
E tentou ser o seu domicílio eleitoral ainda mais literalmente, com o apelido “Nino É Itaboraí”.
A nova ideia também não foi aceita pelo plenário do TRE-RJ nesta quinta-feira (10). Mas, a segunda opção deu certo, e Edio concorrerá como “Nino de Itaboraí”.
Porque uma coisa é querer representar Itaboraí em Brasília. Outra é querer ser a própria cidade.
A seleta e dedicada torcida do futebol local de Niterói começou o mês de setembro animada: o novo Parque Poliesportivo da Concha Acústica, em São Domingos, começou a receber jogos da equipe do município, o Niteroiense. No último sábado (05), a equipe jogou a primeira rodada do Campeonato Carioca da Série B1, a terceira divisão estadual, e o clima foi de festa para a torcida — tanto pela estreia como pelo placar, já que o time da casa venceu o Serrano por 2 a 0.
A partida aconteceu justamente na semana em que prefeitura anunciou avanços para tornar um dos tradicionais símbolos do futebol na cidade, o Estádio Caio Martins, em Icaraí, em um parque junto a um reservatório contra alagamentos na região. Por isso, o sentimento entre alguns torcedores presentes à Concha Acústica era meio melancólico, já que o campo em Icaraí não deve mais receber jogos de futebol tão cedo. Mesmo assim, a alegria de prestigiar um novo campo de futebol profissional na cidade foi maior.
Um desses entusiasmados torcedores era Leandro Faria, morador do Ingá. Nascido e criado em Niterói, ele admite que chegou a ter expectativas que o Niteroiense pudesse jogar no Caio Martins, mas comentou acreditar que o novo estádio se torne popular entre torcedores.
“Eu até cheguei a pensar que a estreia do time neste ano seria no Caio Martins, mas, infelizmente, isso não será mais possível. Porém, tenho as melhores expectativas possíveis para que nossa cidade abrace este novo estádio. Afinal, aqui é um celeiro de craques”, comentou.
Ao lado do filho Lucas, de 18 anos, Leandro citou acompanhar o time desde 2023, quando, à época, a equipe jogou, respectivamente, as Séries C (quinta divisão) e B2 (quarta), do Campeonato Carioca. E para ele, com o elenco atual jogando na Concha Acústica, o Niteroiense vai conseguir o acesso para a segunda divisão, a Série A2, no ano que vem.

Atual secretário municipal de esportes, Luiz Carlos Gallo conhece bem a relação entre futebol e Niterói. Afinal, ele foi atleta da extinta Associação Desportiva Niterói, a ADN, no início dos anos 80. A equipe é a única até hoje a representar Niterói no Campeonato Carioca da primeira divisão, feito ocorrido em 1980.
Em conversa com o TEMPO REAL, Gallo relembra com saudade do tempo em que atou como zagueiro da ADN. Citando jogadores nascidos na cidade que fizeram sucesso no futebol mundial, como Edmundo, ídolo do Vasco, e Leonardo, cria do Flamengo e campeão pela Seleção Brasileira na Copa de 1994, ele explica os planos para o futuro do Niteroiense.
“Daqui a dois anos queremos subir para a primeira divisão. Atualmente, o clube não tem muitos recursos financeiros. Por isso, lançamos um plano de sócio-torcedor para ter o apoio dos niteroienses. A gente quer ajudar Niterói a resgatar o orgulho de ter um time da cidade”, comentou.
Realista, o secretário de esportes admitiu que não há um planejamento atual pensando na ampliação de público que, no momento, comporta a capacidade para apenas 500 torcedores, aproximadamente. Por isso, se o Niteroiense conseguir o acesso à segunda divisão estadual, já tem em mente sobre o que pode ser feito.
“Se conseguirmos o acesso para a Série A2 do estadual no ano que vem, teremos que nos planejar para a ampliação do público. Uma ideia inicial seria aumentar a capacidade para 8 mil pessoas. Naturalmente, isso seria para partidas contra times de menor investimento. Não há condição de receber jogos contra as equipes grandes. Se chegarmos à primeira divisão e não houver condições de jogar aqui, teremos que buscar opções em outros lugares”, reconheceu.

Além de ter jogado profissionalmente, Gallo viu a paixão pelo futebol passar para o filho, o volante Bruno Gallo, que atua no Niteroiense há três temporadas. Questionado como reagiria ao ver a cria atuar na primeira divisão por uma equipe de Niterói, repetindo o feito do pai, o secretário se emociona.
“Isso aí, se Deus nos permitir, acredito que será realizado. Do jeito que ele se dedica, sendo o primeiro a chegar nos treinamentos e o último a sair, tenho certeza que ele vai repetir meu feito por Niterói como jogador profissional”, comentou.

Já o filho, Bruno Gallo, prefere não criar expectativa a respeito. Com 38 anos de idade, o jogador tem 11 gols em 36 jogos com a camisa do Niteroiense, incluída a vitória sobre o Serrano, e é um dos atletas que há mais tempo está no plantel. Mas afirma pensar no presente antes de imaginar o que pode acontecer mais adiante.
“Vamos um ano de cada vez. É um sonho poder chegar à primeira divisão e nossa missão é esta. De 2023 pra cá, crescemos muito e nos preparemos bem para este ano. O pensamento é este, mas vamos devagar, passo a passo. Quem sabe daqui a dois anos, não estarei no Maracanã?”, contou Bruno com um sorriso no rosto.
Os gols do jogo foram marcados por Chay, atleta morador de Niterói, e Diguinho.

A Polícia Federal (PF) procurava provas sobre os bilhões de reais do RioPrevidência direcionados ao Banco Master. Acabou encontrando, no meio do caminho, um documento que abre uma frente completamente diferente — e que coloca sob questionamento uma antiga operação da AgeRio, agência de fomento controlada pelo governo do estado do Rio de Janeiro.
É o típico caso de quem atirou no que viu e acertou no que não viu.
A descoberta ocorreu durante a Operação Barco de Papel, desdobramento das investigações sobre os investimentos do RioPrevidência no Banco Master. Um dos alvos foi Fernanda Pereira da Silva Machado, que ocupou a Gerência de Controle Interno e Auditoria do fundo previdenciário estadual.
Segundo a PF, Fernanda participou do processo de credenciamento do Banco Master e da Planner Corretora. A investigação sustenta que ela assinou o atestado de credenciamento das duas instituições e que o procedimento teria ocorrido sem as análises técnicas obrigatórias. A Procuradoria-Geral da República incorporou essa descrição ao pedir o aprofundamento das investigações.
Foi justamente na busca contra Fernanda que apareceu o fio que leva à AgeRio.
Entre celulares, computadores, cadernos e papéis recolhidos pela PF, havia um documento identificado no termo de apreensão como bem nº 2026.59083.
A descrição feita pelos policiais é precisa, porém quase indecifrável: tratava-se de um “Termo de declarações, controle interno 008941-1921/2026, procedimento 921-00001/2025, em três laudas”. O papel foi lacrado e incorporado à petição 15.676, que reúne as medidas relacionadas à investigação do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). O registro da apreensão está na peça 64, página 96.
Essas três páginas reaparecem mais adiante nos autos como a peça 183, folhas 544 a 546.
E não tratam do Banco Master.
São o depoimento prestado à Polícia Civil por Ricardo Iracy Igayara, ex-sócio da Reginalves — empresa conhecida pela marca Rica Alimentos.
É nesse depoimento que surge a AgeRio.
A história narrada por Ricardo começa quando ele deixou a sociedade da Rica.
Segundo seu depoimento, em janeiro de 2014 ele recebeu, como parte do acerto para sua saída da empresa, uma área de aproximadamente 36 mil metros quadrados em Engenheiro Pedreira. O terreno teria sido avaliado naquele momento em aproximadamente R$ 1,8 milhão.
Ricardo afirma que tomou posse da área, construiu casa, galpão e realizou outras benfeitorias. Há, entretanto, um detalhe fundamental: ele próprio reconhece que a transferência não chegou a ser registrada no RGI.
Depois veio a surpresa.
Ainda segundo Ricardo, ele descobriu que aquele mesmo imóvel havia sido utilizado pela Reginalves como garantia de um empréstimo de R$ 20 milhões obtido na AgeRio, em operação contratada em abril de 2014.
Para sustentar o financiamento, diz o ex-sócio, a área teria sido avaliada em nada menos que R$ 25,4 milhões.
A diferença chama atenção porque Ricardo afirma no mesmo depoimento que a Reginalves havia comprado o terreno poucos anos antes por cerca de R$ 1,2 milhão. No momento em que a propriedade foi destinada a ele, o valor citado era de aproximadamente R$ 1,8 milhão.
Poucos meses depois, na operação de crédito, aparece o valor de R$ 25,4 milhões.
Em termos simples: segundo a versão prestada à polícia, um terreno adquirido por cerca de R$ 1,2 milhão passou a sustentar um empréstimo público de R$ 20 milhões depois de receber uma avaliação superior a R$ 25 milhões.
É uma multiplicação de mais de vinte vezes sobre o valor de aquisição mencionado pelo depoente.
A relevância do episódio não está apenas na valorização descrita.
A AgeRio é justamente o agente financeiro que aparece no documento como responsável pela concessão dos R$ 20 milhões à empresa.
Ricardo afirma que não participou da contratação do financiamento. Também cita no depoimento nomes relacionados à agência e diz não ter mantido contato com eles durante a operação. Posteriormente, segundo sua narrativa, a dívida deixou de ser paga e a garantia acabou produzindo consequências sobre a área que ele dizia ter recebido quando saiu da sociedade.
O documento, sozinho, não permite concluir que a avaliação de R$ 25,4 milhões tenha sido fraudulenta. Esse é um ponto importante.
O valor consta de um depoimento. Para transformar a suspeita em constatação seria necessário confrontá-la com o laudo de avaliação utilizado pela AgeRio, o contrato original de financiamento, a matrícula histórica do imóvel e os documentos que justificaram a concessão do crédito.
Também há outra peculiaridade: como o próprio Ricardo afirma que não registrou a transferência no cartório de imóveis, é possível que a Reginalves ainda aparecesse formalmente como proprietária quando ofereceu a área em garantia.
O problema que permanece é outro: como se chegou aos R$ 25,4 milhões?
A cronologia relatada no documento também chama atenção.
Ricardo diz que deixou a companhia no início de 2014. O empréstimo da AgeRio teria sido contratado em abril daquele ano e os recursos liberados posteriormente. Em julho de 2015, a Reginalves entrou em recuperação judicial.
No mesmo depoimento, o ex-sócio faz outras acusações sobre a gestão da empresa, entre elas a existência de um suposto processo de “esvaziamento de patrimônio”.
Mais uma vez, é preciso separar as coisas: o documento comprova que Ricardo fez essa declaração à Polícia Civil. Não significa que a acusação já tenha sido comprovada.
Há ainda uma ramificação mais recente. O depoimento menciona que a Fictor Alimentos foi aprovada como arrendatária da Reginalves durante a recuperação judicial e registra também a posterior recuperação judicial da Fictor Holding.
Até aqui, nada demonstra que a AgeRio tenha participado do esquema investigado em torno do Banco Master.
Esse é justamente o aspecto curioso da descoberta.
A investigação do Master chegou à AgeRio por causa de um documento encontrado com uma das investigadas do núcleo RioPrevidência.
Fernanda não era uma personagem periférica. Segundo a PF, ela integrava o chamado núcleo operacional do caso e, como gerente de Controle Interno e Auditoria, teria assinado o credenciamento do Master e da Planner.
A busca revelou também uma conexão financeira que a PF registrou nos autos: Fernanda possuía conta de pessoa física na Planner Corretora e era atendida pela Saga – Agentes Autônomos de Investimentos.
O operador Ricardo Siqueira, personagem central da investigação sobre a captação de dinheiro de regimes de previdência para o Master, também era cliente da Planner e utilizava a mesma Saga como assessora de investimentos.
A PF apreendeu ainda cadernos de Fernanda e registrou que algumas das anotações “aparentam ter relação direta com os fatos apurados” no caso RioPrevidência.
E a própria Fernanda, durante a busca, disse aos policiais e aos representantes da OAB que imaginava estar sendo alvo da operação justamente por causa das investigações relacionadas ao RioPrevidência.
É nesse ponto que o caso se divide em duas histórias.
Uma é a investigação sobre Banco Master, RioPrevidência, Planner e os bilhões de reais em recursos previdenciários.
A outra é uma operação ocorrida mais de uma década antes envolvendo Rica Alimentos e um financiamento de R$ 20 milhões da AgeRio, lastreado, segundo o depoimento apreendido, em um terreno avaliado em R$ 25,4 milhões.
Os documentos analisados não ligam as duas operações.
Mas deixam no ar uma pergunta: por que uma ex-gerente de Controle Interno do RioPrevidência investigada no caso Master guardava, em maio de 2026, uma cópia de um depoimento policial recente sobre uma operação de crédito da AgeRio realizada em 2014?
Foi procurando o Banco Master que a Polícia Federal encontrou essa história.
Agora, a resposta sobre a AgeRio depende de outro conjunto de papéis: o contrato de R$ 20 milhões, o laudo que atribuiu R$ 25,4 milhões ao terreno, a matrícula do imóvel e o processo administrativo que autorizou a operação.
Por enquanto, o que existe nos autos é uma suspeita documental que surgiu por acaso dentro de outra investigação — relevante o suficiente para justificar novas perguntas, mas ainda insuficiente para afirmar que houve fraude na AgeRio ou qualquer participação da agência no esquema atribuído ao Banco Master.
Poucas semanas depois de anunciar uma reestruturação para reduzir despesas e valorizar servidores de carreira, a Agência Estadual de Fomento do Estado do Rio (AgeRio) voltou a contratar funcionários sem concurso público (os chamados extraquadros). Levantamento feito com base em publicações do Diário Oficial, dados de lotação, relatórios do site da instituição e tabelas salariais mostra que novas admissões anularam rapidamente a economia obtida com as demissões recentes.
Em meados de julho, a agência divulgou ter exonerado cerca de 32% dos contratados sem concurso, prevendo uma economia projetada de mais de R$ 5 milhões na folha até dezembro de 2026. Além de uma nova composição do quadro de pessoal — com 65% de empregados concursados e 35% de extraquadros.
No entanto, os dados oficiais de lotação revelam que o corte real foi de apenas 12 empregados em um quadro total de 155 (redução de 7,7%, e não 32%). A economia no salário base entre julho e agosto foi de R$ 98.712,95 (passando de R$ 2,44 milhões para R$ 2,34 milhões).
Além disso, a promessa de economizar R$ 5 milhões passou longe da projeção: como o custo médio mensal por empregado (salário + benefícios) é de R$ 18.553,44, para atingir essa meta a AgeRio precisaria ter demitido algo em torno de 49 funcionários e mantido o enxugamento até o fim do ano.
Acontece que, já no mês de setembro, atas e tabelas de pessoal comprovam que, depois das exonerações, houve a admissão de 10 novos extraquadros, elevando a folha de salário base para R$ 2,40 milhões. A variação líquida da folha em relação a julho ficou em uma economia irrisória de R$ 41.210,05 mensais — apenas 1,69% de redução — jogando por terra a ideia de grande enxugamento.
A proporção de concursados, que chegou a 62%, já recuou para 58% em setembro.
A movimentação expõe ainda uma contradição do presidente da AgeRio, André Vila Verde. Primeiro funcionário concursado a assumir o comando da agência de fomento (foi presidente em 2021 e voltou agora, em maio de 2026), Vila Verde declarou publicamente, ao lançar o concurso de 2023, que a instituição valorizava o desenvolvimento de seu quadro permanente.
Na ocasião, a AgeRio informava que 57,93% dos empregados e diretores eram concursados e 88,89% dos cargos de gestão estavam ocupados por integrantes do quadro permanente. Além disso, o concurso público de 2023 continua válido até agosto de 2027 e tem cadastro de reserva.
Apesar disso, a direção optou por ampliar novamente os cargos de livre nomeação.
Ainda em 2021, Vila Verde presidia a AgeRio, quando o Conselho de Administração da entidade era comandado por Vinícius Sarciá Rocha, irmão de criação do governador Cláudio Castro — que, posteriormente, foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal. À época, reportagem da “Folha de S.Paulo” revelou que ambos pautaram e votaram aumentos superiores a 25% para os seus próprios salários na agência de fomento.
A conduta atual destoa da orientação divulgada pelo governo do estado, que vem prometendo corte rigoroso de cargos comissionados e valorização dos servidores de carreira.
O período oficial de campanha eleitoral deu um gás na economia das redes sociais no Rio. Nos últimos 30 dias, o impulsionamento de postagens de conteúdo político no estado já movimentou R$ 10 milhões, segundo dados da Biblioteca de Anúncios da Meta.
Lindbergh Farias (PT), que já liderava os gastos com anúncios relacionados a política e eleições no fim de agosto, continua no topo da lista de candidatos que mais investiram em suas postagens de campanha. Sozinho, o deputado federal colocou R$ 333,9 mil nas propagandas políticas em redes como Facebook e Instagram, entre 10 de agosto e 8 de setembro.
Ele supera os gastos da página oficial da Prefeitura do Rio, que é o único perfil no top 5 que não está compartilhando conteúdos referentes à eleição. O município investiu R$ 310 mil em postagens.
Além de Lindbergh e da prefeitura, o único outro perfil político a investir mais de R$ 300 mil com postagens no último mês foi o de Douglas Ruas (PL), candidato a governador. A campanha dele dedicou R$ 310,6 mil ao impulsionamento nas redes da Meta.
Atrás do top 3, a lista completa inclui o candidato a senador Carlos Jordy (PL), com R$ 289.720 investidos; o deputado federal candidato à reeleição Roberto Monteiro Pai, com R$ 250.698; a candidata a deputada federal Tainá de Paula, com R$ 202.899; e o presidente Lula (PT), com R$ 191.486.
Além dos últimos 30 dias, a biblioteca de anúncios da Meta também traz dados das últimas 24 horas. Nesse painel, aparecem gastos de R$ 30.542 na página de Eduardo Paes, R$ 25.727 na de Pedro Paulo e R$ 24.789 na de Douglas Ruas. Também constam Duda Ganem, com R$ 23.798; Roberto Monteiro Pai, R$ 17.931; Tainá de Paula, R$ 14.162; Lindbergh Farias, R$ 13.947; Flávio Ganem RJ, R$ 13.548; Giselle Monteiro, R$ 13.468; e Benedita da Silva, R$ 12.884.
A Meta informa que seu relatório contabiliza publicidade relacionada a questões sociais, eleições ou política, com dados de gastos por anunciante e localização. A empresa também alerta que os números do relatório podem apresentar pequenas diferenças em relação aos valores do Gerenciador de Anúncios.
COM FÁBIO MARTINS


Depois de um histórico de contestações, o programa Asfalto Liso – Fase 3 está liberado. O Tribunal de Contas do Município do Rio (TCMRio) revogou as tutelas provisórias que travavam duas grandes licitações do pacote de obras. A terceira, voltada à Área de Planejamento 4 (AP4) — que reúne bairros como Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Jacarepaguá, Vargens e Itanhangá — já tem até contrato assinado.
As decisões, assinadas pelo conselheiro-relator David Carlos Pereira Neto e publicadas no Diário Oficial, liberam agora o andamento dos processos licitatórios para intervenções na Zona Norte (AP3) e em outra fatia da Zona Oeste (AP5).
Somados ao contrato já assinado da AP4, os projetos representam um investimento total de R$ 875,9 milhões.
A decisão de David Carlos alcança dois pregões eletrônicos da Secretaria Municipal de Conservação.
Referente ao Pregão Eletrônico nº 90021/2026, com valor orçado em R$ 316,4 milhões. A liberação autoriza o prosseguimento da licitação para serviços de fresagem, recapeamento e sinalização em bairros da Zona Norte.
Referente ao Pregão Eletrônico nº 90023/2026, orçado em R$ 277,1 milhões. O processo atende regiões como Campo Grande, Bangu, Realengo, Santa Cruz, Paciência e Guaratiba.
Com a derrubada das cautelares, a Prefeitura do Rio fica autorizada a dar prosseguimento aos trâmites para a adjudicação e assinatura dos contratos.
Enquanto as frentes da AP3 e AP5 destravaram no TCM, a contratação para a AP4 — que abrange Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Jacarepaguá, Vargens e Itanhangá — já teve até o contrato formalizado.
A Seconserva assinou com a MJRE Construtora Ltda. no valor de R$ 282.449.860,02, com prazo de execução de 900 dias (aproximadamente dois anos e meio).
A licitação da AP4 havia sido suspensa pelo tribunal em abril após contestação do Consórcio Paviurb AP4 — que alegou ter apresentado proposta R$ 3 milhões mais barata, mas acabou inabilitado.
Superado o questionamento, a contratação entra em fase de execução.
A Fase 3 do Asfalto Liso prevê revitalizar 629,16 km de vias com investimentos superiores a R$ 1 bilhão, mas vem enfrentando entraves burocráticos e judiciais. Em setembro de 2025, o TCMRio já havia suspendido, por causa de inconsistências, dois editais que somavam R$ 707,5 milhões.
Paralelamente, a Justiça do Rio suspendeu em abril outro contrato de R$ 315 milhões (também com a MJRE) voltado ao Centro, Zona Sul e Grande Tijuca por falhas na habilitação.
Com as decisões recentes do TCMRio e a assinatura do contrato da AP4, a prefeitura consegue colocar novamente no cronograma a recuperação dos principais corredores de tráfego das Zonas Norte e Oeste.
COM FÁBIO MARTINS

