A Polícia Federal (PF) faz, nesta quarta-feira (3), a Operação Nafta, com o objetivo de desarticular um esquema de fraudes em postos de combustíveis supostamente controlados por uma organização criminosa com origem na milícia.
Ao todo, os agentes cumprem um mandado de prisão preventiva na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, e 31 mandados de busca e apreensão em oito cidades fluminenses e duas em Minas Gerais.
A investigação começou em 2022, após a desarticulação de uma quadrilha que atuava com milicianos na Zona Oeste. Segundo a PF, o líder do grupo — já envolvido com a milícia — teria migrado para fraudes em postos de combustíveis.
Entre as cidades fluminenses onde foram cumpridos mandados estão: Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Itaguaí, Mangaratiba, Resende e Búzios. Em Minas, os alvos são Juiz de Fora e Matias Barbosa.
A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores até o limite de R$ 35 milhões.
Os investigados poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro e estelionato.
O prefeito de Nilópolis, Abraão David Neto — o Abraãozinho (PL) — anunciou, através de uma publicação no Instagram, que o Hospital Municipal Juscelino Kubitschek terá de suspender os atendimentos de emergência por causa da redução dos repasses do governo do estado para o custeio da unidade.
Em um comunicado divulgado à população, o prefeito afirmou que o município não tem condições de arcar sozinho com as despesas do hospital e que a medida será mantida enquanto a situação financeira não for normalizada. Segundo Abraãozinho, desde junho, o repasse mensal estadual caiu de R$ 5,6 milhões para R$ 1 milhão, uma redução de R$ 4,6 milhões.
O prefeito afirmou ainda que até mesmo o valor reduzido está em atraso.
“Nós sempre usamos da verdade e dissemos o tempo todo que o município sozinho não conseguiria arcar com as despesas para manter o hospital aberto. Nós estamos fazendo um esforço enorme para não fechá-lo, mas teremos que suspender o atendimento de emergência enquanto essa situação perdurar”, declarou.
Conforme anunciado pelo prefeito, com a suspensão, os moradores que precisarem de atendimento de urgência deverão procurar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Cabuís, que continuará funcionando normalmente.
Os demais serviços do hospital, como maternidade, internações clínicas e cirurgias eletivas, serão mantidos e continuarão sendo custeadas com recursos do aumento do teto de Média e Alta Complexidade (MAC), obtido pelo município junto ao governo federal, com apoio do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Ainda de acordo com Abraãozinho, a prefeitura entrará com uma ação judicial, por meio da Procuradoria-Geral do Município.
Previsão de retomada dos repasses
A pedido do deputado estadual Rafael Nobre (União Brasil), o governador eleito Douglas Ruas (PL) se comprometeu a garantir a retomada dos repasses e a trabalhar pela ampliação dos recursos destinados à rede hospitalar.
“É inadmissível que o poder público obrigue as pessoas a se deslocar por horas de viagem para ter acesso a um serviço básico de saúde”, destacou Ruas.
O deputado também afirmou que acompanha de perto a situação do Hospital Municipal Juscelino Kubitschek.
“Já apresentamos ao governador Douglas Ruas a gravidade do problema e a necessidade de garantir os recursos para o funcionamento do hospital. Nosso objetivo é restabelecer o atendimento de emergência o mais rápido possível e garantir que a população tenha acesso à saúde perto de casa”, ressaltou o parlamentar.
Procurado, o governo do estado ainda não comentou o caso. A matéria será atualizada com o posicionamento.
A Secretaria de Estado de Turismo (Setur/RJ) destinou R$ 6.522.034,26 a 15 patrocínios com atos publicados entre 1º e 26 de outubro de 2026. Os recursos contemplam iniciativas culturais, esportivas, gastronômicas, empresariais e de promoção turística, com projetos na capital, no interior fluminense e no exterior.
O maior patrocínio individual foi destinado ao Roadshow BBG Brasil — Europa 2026, executado pela BBG Brasil Assessoria, Consultoria Comunicação e Eventos Ltda. O projeto recebeu R$ 1.194.000,00 para ações promocionais previstas em Paris, Milão e Roma.
Na capital fluminense, cinco iniciativas somaram R$ 1,54 milhão. A relação inclui o 8º Congresso Estadual Empresarial de Turismo 2026, com R$ 290 mil; o Miss Universe Rio de Janeiro 2027, com R$ 250 mil; o Festival Conectadas, com R$ 350 mil; o Fauna Brasil 2026, com R$ 400 mil; e a 3ª edição do Apresenta Summit, com R$ 250 mil.
No Médio Paraíba, três eventos concentraram R$ 1,5 milhão em patrocínios: o 21º Piraí Fest, a 73ª Expo Agro de Barra do Piraí e o Encantos do Rio — Quatis 2026, cada um contemplado com R$ 500 mil.
Na Costa Verde, os recursos totalizaram R$ 669.684,26. Desse montante, R$ 250 mil foram destinados ao Circuito Off Ilha Grande, em Angra dos Reis, e R$ 419.684,26 à quarta etapa de 2026 do Aloha Spirit Festival, em Paraty.
Outros patrocínios contemplaram o Festival Gastronômico de Cantagalo, com R$ 450 mil; o Vº Festival Cultural de Miracema, com R$ 400 mil; a Festa de Santo Eduardo, em Campos dos Goytacazes, com R$ 258,2 mil; e o Raízes do Vale — Festival Gastronômico, com R$ 510.150,00.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) deu prazo de 15 dias para que Fábio Tomaz da Costa Almeida, diretor-presidente do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Magé, apresente explicações e documentos sobre problemas identificados nas contas do órgão referentes a 2024.
De acordo com conselheiro substituto Christiano Lacerda Ghuerren, a falta de resposta ou a apresentação de justificativas insatisfatórias pode comprometer o julgamento das contas sob responsabilidade do gestor.
O principal questionamento envolve uma diferença de R$ 27,4 milhões entre os valores de contribuições previdenciárias informados em dois demonstrativos contábeis. Na comparação, o TCE-RJ identificou uma divergência de R$ 23,9 milhões nas contribuições patronais — a parcela que cabe ao poder público — e de outros R$ 3,4 milhões nas contribuições dos servidores.
O responsável pelas contas não apresentou explicações para essas diferenças, segundo a decisão.
Os valores foram identificados na comparação entre o Modelo 34 e o Anexo 10 ajustado, que reúne informações contábeis sobre as receitas. A divergência compromete a consistência dos registros e precisa ser esclarecida. A decisão não afirma que houve desvio de dinheiro, mas cobra justificativas para os números apresentados.
A fiscalização também apontou problemas na documentação contábil envada por Magé
Balanços e outros demonstrativos foram apresentados sem a assinatura do profissional de contabilidade responsável. Além disso, uma declaração técnica foi assinada digitalmente por Ernani Rodrigues dos Santos Gama, cujo registro profissional não foi informado no documento — e cujo nome não foi localizado no cadastro público consultado pelo tribunal.
O TCE-RJ ressalva que essa consulta, isoladamente, não permite concluir que ele não tenha habilitação profissional, mas considera que os documentos não comprovam adequadamente a responsabilidade técnica pela contabilidade.
Entre as demais pendências estão a falta de demonstrativos sobre despesas administrativas e limites da taxa de administração, a ausência dos pareceres dos conselhos de Administração e Fiscal e a falta de documentos sobre determinadas contribuições previdenciárias.
O tribunal também cobrou explicações sobre a falta de regularidade nos repasses de valores descontados em folha, conhecidos como consignações, aos respectivos credores. O saldo final dessas consignações em 2024 foi de R$ 1,136 milhão.
A decisão registra que o instituto não apresentou comprovação suficiente de medidas efetivas para enfrentar o déficit atuarial do regime previdenciário. Em avaliação anterior, com data-base de 31 de dezembro de 2023, esse déficit havia sido calculado em aproximadamente R$ 1,34 bilhão.
Além de notificar Fábio Tomaz da Costa Almeida, o TCE-RJ determinou a comunicação a Armando Toshihiko Ichimura, responsável pelas contas entre 1º de janeiro e 1º de abril de 2024, para que tome ciência dos apontamentos e, se quiser, colabore para regularizar a prestação de contas. O responsável pelo controle interno do instituto também deverá ser comunicado e auxiliar no atendimento às exigências do tribunal.
A Prefeitura do Rio encerra neste sábado (31) a campanha especial de vacinação contra a meningite, com o imunizante ACWY, para o público de até 59 anos. A iniciativa utiliza lotes remanescentes distribuídos pelo Ministério da Saúde.
O último dia de mobilização teve alta procura e formação de longas filas em diferentes pontos de vacinação pela cidade. A campanha estava prevista para acontecer até as 12h, mas, em diferentes pontos, as doses acabaram antes do horário previsto.
Unidades como os Super Centros de Saúde de Botafogo, Campo Grande e Nova América registraram o fim dos estoques antes das 11h — mesmo assim, nesses três pontos, as filas ainda se estendiam pelo entorno das unidades por volta das 12h.
Rio teve 410 mil vacinados contra meningite em 25 dias
Outros postos de saúde, como o Píndaro de Carvalho Rodrigues, na Gávea, e a Policlínica Rodolpho Rocco, em Del Castilho, também esgotaram o material. A Secretaria Municipal de Saúde aponta que o pico de atendimento ocorreu nesta semana, com o registro de mais de 62 mil aplicações apenas na última quinta-feira.
Em 25 dias de campanha, mais de 410 mil pessoas receberam o imunizante.
Vacina ACWY protege contra quatro sorogrupos
A vacina protege contra quatro sorogrupos da bactéria Neisseria meningitidis, causadora da meningite e da meningococcemia.
A doença é grave e pode provocar óbito ou deixar sequelas permanentes, como perda auditiva, amputação de membros e danos neurológicos. Especialistas destacam que a infecção acomete pessoas de diferentes faixas etárias.
Fora do período de campanha extraordinária, a aplicação regular pelo Sistema Único de Saúde (SUS) restringe-se a crianças de um a quatro anos e adolescentes de 11 a 14 anos, além de bebês que recebem outros imunizantes contra a enfermidade no primeiro ano de vida.
Além da ilha que está no centro de uma disputa judicial com o jogador Richarlison, o advogado Willer Tomaz possui outras cinco propriedades em ilhas de Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio. Os imóveis estão registrados em nome de empresas ligadas ao advogado, investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de lavagem de dinheiro em um caso que também envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Um detalhe que chama a atenção no histórico das aquisições é que, com excessão de um, os imóveis foram comprados entre 2021 e 2022, período em que Flávio Bolsonaro apresentou ao Senado propostas legislativas que poderiam facilitar a exploração econômica de áreas da região. O senador é autor de um projeto que busca estimular empreendimentos em Angra dos Reis, permitindo a municipalização de unidades de conservação federais e estaduais. Na prática, a proposta pretende flexibilizar as regras para atividades econômicas nessas áreas.
No mesmo período, Flávio também foi relator da chamada PEC das Praias, que propõe mudanças nas regras de propriedade dos terrenos de marinha e abre caminho para a transferência de áreas hoje pertencentes à União para particulares. Os dois projetos continuam em tramitação no Congresso.
A aproximação entre os interesses imobiliários na Costa Verde e as propostas políticas para a região remonta ao governo de Jair Bolsonaro. Em maio de 2019, o então presidente chegou a defender que Angra dos Reis se transformasse em uma espécie de “nova Cancún”, com maior exploração turística da área.
Cinco imóveis em duas ilhas
De acordo com o levantamento realizado a partir de consultas aos sistemas da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e a registros em cartórios, quatro propriedades foram identificadas na Ilha Comprida e uma na Ilha do José André. Todas estão vinculadas a empresas ligadas ao advogado.
Ilha Comprida: em um terreno de 175,2 mil m², comprada pela empresa WT Administração de Imóveis e Bens, em setembro de 2021. Valor patrimonial registrado de R$ 5,7 milhões;
Ilha Comprida: em um terreno de 32,8 mil m², comprada pela empresa WT Administração de Imóveis e Bens, em setembro de 2021. Valor patrimonial registrado de R$ 2,1 milhões;
Ilha Comprida: em um terreno de 181,8 mil m², comprada pela empresa WT Administração de Imóveis e Bens, em setembro de 2021. Valor patrimonial registrado de R$ 6 milhões;
Ilha Comprida: em um terreno de 2,1 mil m², comprada pela empresa WT Administração de Imóveis e Bens, em julho de 2022. Valor patrimonial registrado de R$ 2,9 milhões (imóvel disputado com Richarlison);
Ilha do José André: em um terreno de 57,3 mil m², comprada pela empresa Friponor Brasil Turismo, Empreendimentos e Participações, em 2008. Valor patrimonial registrado de R$ 23,7 milhões.
Tomaz é dono, também, de cotas de uma sexta casa em Angra, na Ilha do Jorge, registrada em nome da empresa Real Estate Duo 4, pertencente ao grupo Prime You.
O episódio que jogou luz sobre os investimentos de Willer Tomaz em Angra foi a disputa por uma das casas com o jogador Richarlison, atacante do Tottenham e que já jogou pela Seleção Brasileira. O jogador publicou vídeos em 17 e 21 de outubro acusando Flávio de envolvimento na briga pelo imóvel de luxo.
Casos de Mpox disparam no Rio e chegam a sete vezes o registrado no ano passado em apenas dois meses; capital enfrenta falta de vacinas contra a doença
O Rio de Janeiro registrou um aumento expressivo nos casos de Mpox nos últimos dois meses. Foram 74 infecções confirmadas entre setembro e outubro, contra apenas dez no mesmo período do ano passado — um crescimento de mais de sete vezes.
O avanço da doença na capital fluminense ocorre em meio à falta de vacinas na rede municipal, enquanto dez pacientes estão internados no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manguinhos, na Zona Norte da cidade.
De acordo com os dados do Observatório Epidemiológico do município, setembro concentrou 45 casos, o maior número registrado em um único mês nos últimos três anos. Em todo o ano de 2025, a capital teve 167 diagnósticos confirmados.
A situação também preocupa em nível estadual. Em 2026, o estado do Rio já contabiliza 211 casos confirmados, quase o dobro dos 119 registrados ao longo de todo o ano passado. Outros 119 casos suspeitos ainda estão em investigação.
Principais sintomas
A Mpox é uma doença infecciosa causada por um vírus e transmitida principalmente pelo contato direto com lesões na pele, fluidos corporais e secreções de pessoas infectadas. O contágio também pode ocorrer pelo compartilhamento de objetos contaminados, como roupas, toalhas e lençóis.
Entre os principais sintomas estão febre, dores no corpo, dor de cabeça e lesões na pele, que podem evoluir para bolhas. A maioria dos pacientes apresenta quadros leves ou moderados, mas a doença também pode provocar complicações graves e, em alguns casos, levar à morte.
Vacina está em falta na capital fluminense
Apesar da alta de casos, o município está sem doses da vacina contra a Mpox. A imunização não faz parte do calendário de vacinação de rotina e é recomendada pelo Ministério da Saúde para grupos específicos, como pessoas vivendo com HIV que apresentam comprometimento grave do sistema imunológico, profissionais de laboratório que manipulam o vírus e pessoas que tiveram contato direto de médio ou alto risco com casos suspeitos ou confirmados.
O deputado federal Daniel Soranz (PSD), ex-secretário municipal de Saúde do Rio e presidente da Frente Parlamentar da Vacina no Congresso Nacional, defende que o Ministério da Saúde compre novas doses para ampliar a proteção da população.
Segundo ele, o crescimento das infecções na capital representa um sinal de alerta que deve ser observado também por outras regiões do país.
Indicação da vacina para grupos específicos
Existe vacina contra a Mpox, mas a imunização é destinada a grupos específicos. Segundo o Ministério da Saúde, são prioritários:
Pessoas vivendo com HIV que apresentam comprometimento grave do sistema imunológico;
Profissionais de laboratório que trabalham diretamente com o vírus;
Pessoas que tiveram contato de risco com casos suspeitos ou confirmados da doença.
O deputado federal Daniel Soranz (PSD), ex-secretário municipal de Saúde do Rio e presidente da Frente Parlamentar da Vacina no
Congresso Nacional, defende a compra de mais doses pelo Ministério da Saúde.
O Ministério Público do Rio (MPRJ) pediu a absolvição de um homem cadeirante e paraplégico que foi indiciado pela Polícia Civil como soldado armado do tráfico de drogas no processo sobre a Operação Contenção, nos complexos de favelas do Alemão e da Penha ocorrida em outubro do ano passado.
Nas alegações finais, a promotora Juliana Pompeu, da 42ª Vara Criminal, apontou dúvidas sobre a possibilidade de Herbert da Silva de Souza, de 31 anos, conhecido como “Negão”, exercer a função atribuída a ele pelos investigadores, já que utiliza cadeira de rodas desde 2012.
Ele ficou paraplégico aos 17 anos, após levar um tiro nas costas durante uma tentativa de assalto, em março daquele ano, na Vila da Penha. A condição foi comprovada pela defesa durante as audiências do processo, por meio de documentos apresentados pelo advogado Michel Brito, que mostram que ele é cadeirante há 14 anos.
Apesar disso, a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) o indiciou como soldado armado do tráfico na Penha, com uso habitual de fuzil, segundo o relatório final da investigação. A Polícia Civil também apontou que Herbert integrava um grupo de WhatsApp da chamada “contenção” da facção, formado por integrantes responsáveis pelo patrulhamento e pela proteção armada dos pontos de venda de drogas na comunidade.
Durante uma audiência na Justiça, o delegado titular da DRE, Moyses Santana, e outros policiais envolvidos na investigação disseram não se recordar especificamente de Herbert. Um dos agentes chegou a afirmar que, se soubesse que o investigado era paraplégico, “não faz sentido ele ser soldado do tráfico”.
Nas alegações finais, a promotora destacou que, embora ele tenha sido identificado como integrante de um dos grupos de WhatsApp, havia dúvidas sobre sua capacidade de exercer a função de soldado armado.
“Assim, há dúvida fundada acerca de sua capacidade de praticar a conduta a ele imputada, dúvida esta que milita a seu favor, de forma que, com relação a ele, a absolvição é medida que se impõe”, escreveu.
MP pede condenação de 15 pessoas ligadas ao CV na Penha e no Alemão
Ainda no processo contra parte dos acusados e presos na Megaoperação Contenção, que completou 1 ano na última quarta-feira (28), o MPRJ pediu a condenação de outras 15 pessoas apontadas como integrantes do Comando Vermelho na Penha e no Complexo do Alemão.
Ao todo, os 51 réus denunciados pelo MP foram divididos em três processos diferentes: um com 16 pessoas, outro com 33 denunciados que estão foragidos ou ainda não foram citados pela Justiça e um terceiro com apenas dois réus. Um dos acusados morreu, e a punibilidade foi extinta.
Em 05 de outubro, a promotora pediu a condenação de 15 réus:
André Felipe Mendes da Silva, o “Ceguinho” soldado do tráfico;
Carlos Alexandre Siqueira Pinto, o “Alex Macarrão”, soldado do tráfico;
Daniel Afonso de Andrade, o “Danado”, soldado do tráfico;
Davi da Silva Candido, soldado do tráfico;
Fabrício Dias Correia, o “Pelezinho”, soldado do tráfico de drogas na Penha;
Fagner Campos Marinho, o “Bafo”, soldado do tráfico e integrante da segurança de Doca;
Henrique Wesley Braga Neves, o “Rick”, soldado do tráfico responsável por patrulhamento;
João Vitor Machado, o “Dilma”, responsável pela segurança da casa de Doca;
Nikolas Fernandes Soares, o “Hurley”, soldado do tráfico responsável por patrulhamento;
Pedro Paulo Guedes, o “Pedro Bala”, chefe executivo do tráfico na Penha;
Rosimaria Victor de Souza, por prestar auxílio e suporte logístico para o tráfico na Penha;
Thiago Barbosa Conrado, o “TH do Rasta”;
Vagner Rodrigues de Freitas, o “Malvadão”, com anotações por homicídio e roubo;
Vinicius de Almeida Silva, soldado do tráfico na contenção armada e vigilância;
Walmir Oliveira Santos, soldado do tráfico e contenção armada na Penha.
Todos respondem por associação ao tráfico majorada, por crimes cometidos próximos a estabelecimentos de ensino, com emprego de arma de fogo e visando atingir crianças ou adolescentes. Um dos réus também responde pelo crime de tortura.
O feriadão prolongado que abre o mês de novembro tem atrações para todos os gostos no Rio. Cariocas e visitantes podem aproveitar o descanso do fim de semana para conhecer um pouco mais da festa de Dia de Muertos mexicana no Catete ou assistir, ao vivo e de graça, a artistas como Carlinhos Brown, MC Carol e Duquesa no Centro. Bora lá!
Carlinhos Brown se apresenta com orquestra ao vivo de graça na Praça Mauá
O projeto SulAmérica Sessions promove um encontro imperdível e totalmente gratuito neste sábado (31), a partir das 18h30, no cenário icônico da Praça Mauá, no Centro. O concerto “Afrossinfonicidade” junta a premiada Orquestra Ouro Preto, sob a regência do maestro Rodrigo Toffolo, ao cantor e compositor baiano Carlinhos Brown.
O espetáculo ao ar livre combina arranjos orquestrais e o ritmo da percussão que marca a obra do icônico artista. Carlinhos Brown deve levar aos palcos clássicos compostos por ele, como “A Namorada” e “Já Sei Namorar”. A classificação é livre.
Carlinhos Brown canta ao lado da Orquestra Ouro Preto neste sábado (31) — Foto: Divulgação/Rapha Garcia
Festival Favela Cria leva shows de MC Carol, Tasha & Tracie, Duquesa e Ebony ao Centro
Também no Centro, a Praça Marechal Âncora, vizinha da Praça XV, recebe de sábado (31) a segunda (02) a primeira edição do Festival Favela Cria. Com entrada gratuita e programação a partir das 14h nos três dias, o evento celebra a potência artística e o empreendedorismo das periferias, reunindo literatura, grafite, gastronomia, slam e batalhas de rima.
O principal destaque fica por conta da programação municipal, que inclui shows de MC Carol no sábado (31); da dupla Tasha & Tracie e da rapper Duquesa no domingo (1°) e da rapper Ebony na segunda-feira (02). A entrada é totalmente franca; basta retirar os ingressos pelo site oficial do evento.
MC Carol, Tasha & Tracie, Duquesa e Ebony são atrações do Festival Favela Cria — Foto: Divulgação
Jardins do Museu da República celebram o tradicional Dia de Muertos mexicano
A cultura e as cores da versão mexicana do Dia de Finados, o Dia de Muertos, tomam conta dos jardins do Museu da República, na Rua do Catete, de sábado (31) até segunda-feira (02). Das 10h às 18h, acontece, nos três dias, a 4ª edição da celebração do Dia de Muertos do Consulado-Geral do México.
O evento reúne cerca de 90 expositores com gastronomia típica, artesanato, cinema e teatro infantil. Vai ter apresentação de mariachis, o tradicional desfile de catrinas com pinturas faciais e até luta livre mexicana. A entrada é franca.
Feira de celebração do Dia de Muertos chega à sua 4ª edição — Foto: Divulgação
Mensagens encontradas no celular de Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, esposa de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, apontam que o rapper Oruam — filho do casal — foi a um ponto controlado por traficantes no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, para buscar dinheiro da chamada “caixinha” do pai, que é apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho (CV).
O relato teria sido feito pelo próprio cantor à mãe e integra uma investigação da Polícia Civil do Rio sobre a suposta ligação da família com uma organização criminosa e a participação em um esquema de lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas.
O relatório policial não especifica o valor que seria recebido pelo rapper nem identifica os traficantes responsáveis pela entrega do dinheiro.
Segundo a investigação, a “caixinha” seria alimentada por recursos arrecadados pelas lideranças do CV que atuam em comunidades dominadas pela facção. Parte desse dinheiro seria destinada a Marcinho VP e a integrantes da família, por meio de repasses diretos ou com a participação de intermediários.
De acordo com a Polícia Civil, mesmo preso há trinta anos, Marcinho VP continuaria exercendo influência sobre a administração financeira do CV, participando de decisões sobre a destinação de recursos da organização criminosa, despesas familiares e investimentos.
Ainda de acordo com as investigações, a arrecadação e a distribuição dos valores ficariam a cargo de integrantes da cúpula da facção, entre eles Edgar Alves de Andrade, o Doca; Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha; Luciano Martiniano da Silva, o Pezão; e Eduardo Fernandes de Oliveira, conhecido como 2D.
Doca está foragido há mais de um ano, desde a megaoperação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio. Ele é apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho.
A cidade do Rio tem inúmeras praias, cartões-postais e paisagens que fazem valer a fama de “cidade maravilhosa”. Mas, por trás das fachadas históricas, dos monumentos e da beleza que atraem milhares de turistas, existe uma versão menos conhecida da capital fluminense, povoada por lendas urbanas, relatos de assombração e histórias que atravessaram gerações.
Do Arco do Teles, onde a figura da suposta bruxa Bárbara dos Prazeres ainda alimenta o imaginário carioca, aos corredores da antiga Cadeia Velha, posterior sede histórica da Alerj, a cidade oferece um roteiro que chama a atenção dos turistas que decidem seu roteiro de destinos com base nas histórias de terror.
Neste sábado (31), quando o Halloween toma conta de festas e fantasias pelo mundo, o turismo de terror convida moradores e visitantes a conhecer esse outro lado do Rio — uma aula de história em que nem todos os personagens parecem ter descansado em paz.
E, por aqui, não é preciso pendurar esqueletos nas janelas ou espalhar teias de aranha falsas para entrar no clima. Em alguns endereços da cidade, o cenário já está pronto há séculos. Basta conhecer as histórias — e decidir se vale a pena passar por lá depois que escurecer.
Aula de história viva — ou ‘morta-viva’
Entre casarões antigos, corredores de prédios históricos e becos do Centro, o Rio guarda narrativas de crimes, tragédias e personagens que ganharam contornos sobrenaturais com o passar do tempo. Guias de turismo da cidade resgatam essas histórias e dividem com os visitantes curiosidades, lendas urbanas e relatos que atravessam gerações, transformando o passeio turístico tradicional em uma viagem pelo lado mais misterioso da capital fluminense. São histórias que sobrevivem nas conversas de rua e no imaginário carioca e que podem deixar uma pergunta incômoda no fim do percurso: foi só o vento ou tinha mais alguém ali?
No encontro entre a memória e o mistério é que fica o turismo de terror, também chamado de “turismo macabro” ou “gótico”. Ainda pouco explorado no Brasil, o segmento propõe conhecer a história das cidades por um ângulo diferente: acontecimentos sombrios que ninguém sabe contar sem pelo menos baixar um pouco o tom da voz.
Segundo a guia de turismo do Rio Aparecida Klebis Jeronymo, os roteiros voltados ao medo e ao horror vêm ganhando espaço na atividade turística da cidade.
“Você fazer o turismo no Rio de Janeiro não quer dizer que, necessariamente, tenha que ficar falando só dessa questão do belo, do maravilhoso, praias lindas. Dentro da nossa história dá para colocar um pouquinho da história que o mundo fala e que o livro não conta”, afirmou a guia.
No Rio, esse roteiro passa pelo Centro e se estende a outras regiões da cidade, reunindo lendas urbanas que atravessaram gerações. Ao contrário dos monstros importados para o Halloween, as figuras que protagonizam essas narrativas têm endereço carioca — e histórias que, verdadeiras ou não, fazem parte do imaginário de quem vive por aqui.
No Arco do Teles, a bruxa que não sai de cena
A passagem histórica do Arco do Teles, na região da Praça XV, que já foi associada à criminalidade e à prostituição, se tornou um dos endereços mais famosos de uma das lendas mais macabras da cidade: Bárbara dos Prazeres, conhecida como a “Bruxa do Arco do Teles”.
“Nós realizamos vários roteiros, mas um deles, que vendeu muito inclusive, foi o de Lendas Urbanas. E uma das coisas que mais atraía o público era exatamente a história da feiticeira, a primeira do Rio, chamada Bárbara dos Prazeres. Era uma senhora maravilhosa, muito bonita, que foi quebrando tabus da mulher brasileira, ou melhor, da mulher de época, que desembarca no Rio e se apaixona por um homem negro, mesmo sendo esposa de um marido poderoso, e com isso ela começa a quebrar tabus na cultura, enfrentando sociedade, preconceitos, só que esse homem a trai e depois de um tempo aparece morto”, explicou a guia Aparecida.
Foto: Reprodução/Google Maps
De acordo com os relatos, ela era uma portuguesa que chegou ao Rio no fim do século XVIII. Após um romance turbulento e de uma vida que teria passado por escândalos, teria recorrido a práticas de feitiçaria para tentar recuperar a juventude. A versão mais assustadora da lenda diz que, aconselhada por um feiticeiro, Bárbara passou a matar crianças para usar o sangue das vítimas em supostos rituais de rejuvenescimento.
“Bárbara vai chegando a um ponto em que vai ficando mais envelhecida, menos poderosa, mas ainda muito bela, e começa praticamente a ter que se prostituir, porque ela perde todos os poderes econômicos possíveis da época. E, a partir daí, ela começa a andar muito ali pelo Arco dos Teles, quando passa a existir uma lenda de que ela foi procurar um feiticeiro, e esse feiticeiro coloca para ela uma questão que pode ajudá-la bastante, que seria o sangue, quanto mais nova fosse a vítima, mais nova ela ficaria. Então, existe a lenda de que ela poderia tomar o banho, outros dizem beber o sangue, e que ficaria mais jovem”, completou.
A história atravessou gerações, e há quem diga que gargalhadas femininas ainda ecoam pelo beco nas madrugadas cariocas, deixando claro que o Arco do Teles tem uma vantagem sobre qualquer outra atração de Halloween: não precisa de efeitos sonoros para carregar uma história, no mínimo, sinistra.
Na antiga Cadeia Velha, nem o passado descansa em paz
Da região da Praça XV, a rota do medo segue para o Palácio Tiradentes, sede histórica da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Antes de abrigar o Legislativo, o local foi conhecido como Cadeia Velha e passou por diferentes usos ao longo da história.
Em narrativas de guias de turismo, o espaço aparece ligado a histórias de sofrimento, gritos, lamentos e até mesmo supostos ruídos. A construção também é associada à memória de pessoas escravizadas e de presos que passaram pelo local.
Foto: Reprodução/Alerj
No turismo convencional, o visitante costuma prestar atenção à arquitetura, às obras de arte e aos personagens políticos que passaram por ali. Já na versão, digamos, macabra, o desafio é imaginar quantas histórias ficaram pelo caminho entre aquelas paredes.
No Castelinho do Flamengo, uma história de arrepiar
A Rota do Medo no Rio também passa pela Zona Sul, onde o centenário prédio do Centro Cultural Municipal Oduvaldo Vianna Filho, mais conhecido como Castelinho do Flamengo, é cenário de uma das lendas mais conhecidas da região.
A história envolve o casal Avelino Fernandes e Dona Rosalina Feu Fernandes, que, segundo relatos, morreu atropelado por um bonde em frente ao imóvel. Após a tragédia, a filha dos dois, Maria de Lourdes Feu Fernandes, teria sido roubada e maltratada pelo tutor, que a manteve presa na torre principal da construção. Ainda segundo a lenda, a jovem teria se jogado do alto do prédio e, desde então, seu espírito assombraria o local.
Foto: Tempo Real
Ao longo dos anos, antigos ocupantes relataram barulhos estranhos e supostas aparições. Os relatos, no entanto, nunca tiveram comprovação e permanecem no campo das lendas associadas ao prédio.
Hoje, o imóvel abriga o Centro Cultural Municipal Oduvaldo Vianna Filho. A torre que alimenta a imaginação dos curiosos faz parte de uma construção com função cultural — prova de que nem todo castelo precisa de um vampiro para continuar atraindo olhares.
Entre ruínas e lendas, os segredos do Morro da Viúva
Entre Botafogo e Flamengo, o Morro da Viúva guarda um cenário menos conhecido por quem circula pela cidade. Escondidos atrás das construções da Avenida Oswaldo Cruz, há vestígios de antigas estruturas, um reservatório do século XIX e um pequeno castelo que também carrega fama de mal-assombrado.
Foto: Ivo Korytowki/Wikimedia Commons
O lugar tem um detalhe curioso: o próprio nome remete a uma história antiga. A área passou a pertencer, em 1753, à viúva de Joaquim Figueiredo Pessoa de Barros. A origem do nome, portanto, tem explicação histórica, enquanto a fama sobrenatural do castelinho faz parte das narrativas que cercam o local.
É um daqueles lugares que mostram como o turismo de terror não depende apenas de fantasmas famosos. Às vezes, basta uma construção pouco acessível, uma história mal explicada e a imaginação fazendo o restante do trabalho.
O medo que virou passeio
A curiosidade por esses lugares ajuda a explicar a existência de roteiros turísticos dedicados às histórias mais sombrias da cidade. Em vez de apresentar apenas monumentos e datas, os passeios exploram lendas, personagens controversos e episódios pouco conhecidos da memória carioca.
O interesse não é inteiramente novo. O Rio já teve roteiros especializados em fantasmas, conduzidos por guias que reuniam histórias associadas a prédios históricos e pontos tradicionais do Centro. Hoje, a programação temática continua aparecendo em iniciativas voltadas a quem quer conhecer outro lado da cidade.
“A importância desse tipo de turismo e dessas histórias para o fortalecimento da cultura carioca é plena. A história da Bárbara dos Prazeres, por exemplo, daria até mesmo um filme”, ressaltou a guia carioca.
Na última sexta (30), um passeio intitulado “Tour de Halloween — Assombrações do Rio” foi realizado com saída na escadaria do Theatro Municipal e percurso por histórias fantasmagóricas do Centro da cidade.
O roteiro evidencia a existência de um público interessado em trocar, ao menos por algumas horas, os cartões-postais tradicionais por becos, casarões e histórias de arrepiar. É uma forma de turismo que mistura entretenimento e memória — e que transforma o medo em um atrativo a mais para explorar a cidade.
No fim, o Rio continua sendo maravilhoso. Só que, em alguns endereços, vale conferir se a visita guiada termina antes da meia-noite.