Na política, como na religião, há terrenos em que é melhor entrar com cuidado. Flávio Bolsonaro resolveu peregrinar justamente por um deles na reta final da eleição: a fé.
Ao tentar responder à polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida, o candidato acabou colocando no mesmo altar dois públicos que o bolsonarismo aprendeu a disputar: católicos e evangélicos. O gesto de levantar a imagem da santa parecia uma tentativa de encerrar a controvérsia. Mas a história ganhou novos capítulos: da reação da CNBB à disputa judicial que chegou ao Supremo.
Na reta final de uma eleição, até os santos podem entrar na campanha — e não apenas os ‘santinhos’. Nossa Senhora Aparecida, pelo jeito, ganhou lugar de destaque (ou no altar) na disputa presidencial.
Tudo começou com a repercussão de um comentário durante um telejornal que associa(va) Flávio à ideia de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O projeto citado, porém, não é de Flávio: trata-se de uma proposta apresentada por outro parlamentar em 2007 e arquivada no ano seguinte. Flávio negou qualquer intenção nesse sentido e passou a classificar a informação como fake news.
É importante, no entanto, separar as coisas.
Uma é o que foi publicado. Outra é o que Flávio Bolsonaro diz que pretende fazer. E uma terceira, talvez mais interessante para uma eleição, é o que suas próprias declarações anteriores permitem que o eleitor interprete.
Em agosto, Flávio disse que, se eleito, um de seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A frase ganhou novo significado político quando a controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida chegou às redes sociais. Foi aí que a campanha entrou num terreno delicado.
De um lado, um eleitorado evangélico para o qual a linguagem cristã de Flávio conversa diretamente. De outro, os católicos, para quem Nossa Senhora Aparecida é um dos maiores símbolos religiosos e culturais do país. E há uma diferença importante entre esses universos: evangélicos, em geral, não veneram imagens de santos. Na tradição católica, as imagens fazem parte da expressão da fé e da devoção.
Não é uma diferença pequena. E, numa eleição disputada voto a voto, talvez não seja uma diferença que qualquer candidato queira transformar em trincheira.
Flávio então apareceu ao lado de Tarcísio de Freitas levantando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. A fotografia fala por si. Se foi uma tentativa de encerrar o assunto, o efeito não foi exatamente esse.
A CNBB entrou na história. Flávio havia acusado pessoas ligadas à entidade de ajudar a espalhar o que classificava como fake news. A Conferência negou ter produzido, autorizado ou participado da divulgação da informação e repudiou a acusação. Depois, Flávio agradeceu à entidade pela nota. E a disputa chegou ao Supremo.
Primeiro, o ministro André Mendonça, do TSE, determinou a remoção de publicações relacionadas ao caso. Depois, Flávio Dino restabeleceu uma delas em nome da liberdade de expressão. A defesa de Flávio recorreu a Luiz Fux, que suspendeu a decisão de Dino e restabeleceu a ordem anterior. O caso deve ser analisado pelo plenário do STF.
É aí que a campanha começa a parecer uma ladainha: entra uma questão, sai outra; pede-se explicação, depois retratação; levanta-se a santa, mas também se discute judicialmente o que pode ou não ser dito sobre a santa. E talvez esteja aí o cerne da questão. Não é preciso decidir quem ganhou a disputa religiosa. É preciso observar o risco político de entrar nela.
Flávio pode estar tentando falar com os evangélicos ao afirmar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo. Pode também estar tentando tranquilizar os católicos ao levantar Nossa Senhora Aparecida. Uma coisa não necessariamente anula a outra.
Mas também não é possível saber, antes da urna, se esse movimento aproxima ou afasta qualquer eleitor.
É justamente o eleitor — e não o candidato, o adversário, a igreja ou o jornalista — quem vai dizer isso.
Porque não existe um único voto católico. Tampouco existe um único voto evangélico. Há brasileiros religiosos e não religiosos, católicos e evangélicos, pessoas que veneram imagens e pessoas que entendem a veneração como algo incompatível com sua fé.
E há ainda uma questão maior: até onde a linguagem religiosa é uma expressão de fé e a partir de quando passa a ser linguagem eleitoral? Essa fronteira ficou mais estreita na última semana.
Talvez a mensagem mais importante esteja aqui embaixo mesmo e não nos céus: fé é assunto sério demais para caber inteira numa campanha eleitoral.
E, nesta eleição, Flávio decidiu, talvez por conta própria, prosseguir por esse calvário. Agora, resta saber o que encontrará pelo caminho.
Comentários 3
Olá tudo bem, eu gostaria de saber quando o ” GRUPO COMPORTE ” iniciará as contratações de ” MOTORISTAS ” aja visto a grande demanda de vagas acredito eu, será que haveria a possibilidade de você meu caro amigo como se daria tal evento.
Por e-mail específico, de forma presencial, um site específico, via WhatsApp ou outro meio de comunicação.
Desde já, agradeço a atenção e gentileza e aguardo um feedback para sanar essa dúvida assim como eu outros com absoluta certeza terá.
Gostaria de ver a prefeitura trocar e aumentar toda a frota das linhas 759, SP759, 388 e SP388 que é uma vergonha, além de pouquíssimos veículos ainda são os ônibus mais precários de toda a Zona Oeste, nós passageiros temos que lidar diariamente com intervalos absurdos, ônibus sem ar condicionado, bancos rasgados, sujos, molhados porque pinga nos assentos dos ar condicionado que não funcionam, ônibus sem campainha e até sem luz, é uma covardia com a população de Santa Cruz, chega a ser desumano, Prefeito Eduardo Cavalieri dá uma atenção para essas linhas
Em cosmos não temos ônibus os que tem é só campo grande e Santa Cruz todos caindo o pedaço tinha o 358 castelo a anos que tiraram e nunca mais apareceu