Na corrida pelas duas vagas do Rio no Senado, todas as atenções estão voltadas para o primeiro pelotão. Benedita da Silva (PT), Carlos Jordy (PL) e Carlos Portinho (PL) passaram as últimas semanas trocando posições no alto das pesquisas e chegam à véspera da eleição embolados na disputa.
Mas, como em toda corrida, é bom olhar pelo retrovisor.
No segundo pelotão, Pedro Paulo (PSD) e Marcelo Crivella (Republicanos) eram os dois com mais chance de conquistar um lugar entre os líderes. Pedro Paulo, que começou a campanha bem distante dos primeiros colocados, termina o sábado (3) em quarto lugar nas duas pesquisas divulgadas na véspera da eleição — Quaest e Datafolha.
Na Quaest, o braço direito do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) largou com apenas 3% das intenções de voto, em agosto. Neste sábado, apareceu com 10%.
O Datafolha também coloca o deputado do PSD na quarta posição. Na pesquisa deste sábado, considerando só os votos válidos, Benedita aparece com 26%; Portinho, com 19%; Jordy, com 18%; e Pedro Paulo, com 13%.
No segundo pelotão teve ultrapassagem
Crivella até começou a campanha animado. Na primeira Quaest, tinha 6%. O candidato do PSD contava com apenas 3%.
Era só o dobro.
Durante algumas semanas, os dois correram relativamente próximos — até que Pedro Paulo começou a subir e Crivella perdeu fôlego. Os dois chegaram a empatar em 7% na Quaest do fim de setembro. Neste sábado, Pedro Paulo apareceu com 10%, contra 9% de Crivella.
No Datafolha, a troca de posições ficou mais evidente. Os dois começaram empatados, mas Pedro Paulo abriu distância nas últimas pesquisas. Neste sábado, nos votos válidos, aparece com 13%, enquanto Crivella tem 6%.
A tração do candidato ao governo
No caso de Pedro Paulo, o candidato enfrenta um sério problema, que é a rejeição de boa parte do eleitorado de esquerda (e a dobradinha dele é justamente com Benedita da Silva, do PT). Mas há um combustível poderoso que a campanha tentou usar nas últimas semanas: Eduardo Paes.
A história recente das eleições no Rio tem bons exemplos de candidatos ao Senado que pegaram carona nos candidatos ao governo. E sempre na reta final. Foi assim com Francisco Dornelles, que virou o jogo em 2006, na eleição de Sérgio Cabral para o Palácio Guanabara. E com Arolde de Oliveira, que arrancou às vésperas da eleição de 2018, junto com a ascensão de Wilson Witzel e do bolsonarismo.
Crivella, por exemplo, não teve a mesma sorte. O candidato ao governo de seu partido, o ex-governador Anthony Garotinho, passou todo o primeiro turno às voltas com a Justiça Eleitoral — e, como Crivella, só desidratou ao longo do período.
Pedro Paulo passou boa parte da campanha tentando fazer o eleitor que já havia escolhido Paes para o governo lembrar que tinha dois votos para senador — e que um deles poderia ser usado no candidato do mesmo partido.
Os levantamentos do Datafolha mostraram essa associação crescendo ao longo de setembro.
Jordy e Portinho, por exemplo, conseguiram transformar com mais intensidade o eleitorado de Douglas Ruas (PL) em votos para o Senado. Pedro Paulo demorou mais para pegar carona na força de Paes.
Mas pegou.
Resta saber se pegou o suficiente para dar a aceleração necessária e mudar as posições no pódio.
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Berenice um dos melhores informativos políticos