Os ataques ao ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD) e ao presidente da Assembleia Legislativa Douglas Ruas (PL) — e claro, aos embates entre eles — deram o tom do último debate “frente a frente” com os principais candidatos ao governo do estado nas eleições de 2026, promovido pela TV Globo nesta terça-feira (29). Enquanto era constantemente citado como a continuidade do ex-governador Cláudio Castro (PL) e chamado de “reserva de Rodrigo Bacellar”, o atual presidente da Alerj tentava se esquivar dos ex-aliados ao colar sua imagem no senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL).
O debate contou ainda com a presença do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), do vereador pelo Rio William Siri (PSOL) e do candidato do Novo, André Marinho, incluído de última hora após conseguir o direito de participar por meio de decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques.
Escolhido por sorteio para abrir o primeiro bloco com o tema transporte público, Ruas escolheu o ex-prefeito para iniciar o confronto questionando sobre a Linha 3 do Metrô de São Gonçalo, município governado pelo seu pai, Capitão Nelson (PL). Lembrando da aliança de Paes com o ex-governador Sérgio Cabral e Lula, apontou que o candidato do PSD faz parte da “velha política de promessas”, e que sequer sabia quanto a obra custaria.
Paes retrucou lembrando que Ruas foi secretário de Cidades de Castro e também pouco fez: “Quem acabou de falar foi o secretário do Cláudio Castro e quem substituiu o Rodrigo Bacellar na Alerj e na candidatura do governo, e isso porque ele está preso. Como secretário do Castro, não fez uma obra de mobilidade, não priorizou a Baixada e nem o corredor de ônibus de São Gonçalo”, disparou Paes, aproveitando para lembrar que entregou o Terminal Gentileza.
Listas de corrupção
Quando o tema foi saneamento, William Siri (PSOL) dirigiu a pergunta a Anthony Garotinho (Republicanos), não sem antes alfinetar Ruas como aliado do grupo que privatizou a Cedae. Na breve dobradinha, ambos defenderam a reestatização da companhia e prometeram a redução da conta de água. “Vou anular o contrato juridicamente. Tenho provas que edital foi montado com favorecimento”, disparou Garotinho.
Sorteado para falar sobre dívida estadual com Marinho, o ex-governador aproveitou para comentar uma possível lista de políticos que teriam recebido dinheiro do bicheiro Adilsinho. O candidato do Novo, por sua vez, afirmou que todos são “farinha do mesmo saco”.
“O problema do Rio de Janeiro não é falta de dinheiro, é excesso de ladrão. Mas você também não tem moral com esse seu longo rabo preso do tamanho da Ponte Rio-Niterói”, disparou Marinho, usando sua veia de comediante.
Já em um bate-bola com Siri, Garotinho aproveitou para sacar outra lista, a qual chamou de “lista de Bacellar” – quando arrancou risadas ao citar que tinha até gente do próprio partido. O franco atirador do Republicanos, que acabou sendo deixado por último no debate em alguns momentos, ainda fez questão de reivindicar autoria de frase citada pelo psolista: “É minha a frase de que o gabinete do crime organizado é o gabinete do Palácio Guanabara, e a subsecretaria é a Alerj”
Só neste momento, quando já tinha passado da meia-noite, Siri fez a primeira menção a Daniel Vorcaro, associando-o a Flávio Bolsonaro. O governo de Castro destinou bilhões do Rioprevidência para o Banco Master. “Quem queria o Bacellar no governo do Rio era o Flávio, que estava junto com o Vorcaro”, disse Siri.
Polarização Lula x Bolsonaro
Ao abrir o segundo bloco, Siri escolheu Ruas para questioná-lo sobre a sua posição sobre o fim da escala 6×1 e associou o tema ao embate entre Lula e Bolsonaro. Durante a pergunta, o psolista dedicou um tempo para chamar Flávio de “miliciano” e de “bandido”. Ruas, por sua vez, defendeu o aliado quanto disse que o custo da folga ao trabalhador não deve cair sobre os empresários.
“Não entra nessa, não (fazer ofensas a Flávio). As pessoas aqui querem saber de propostas”, cutucou Ruas.
Enquanto Siri citou lula inúmeras vezes, Paes apenas falou do aliado em um momento do programa ao lembrar de parcerias com o presidente: “Essa é a nossa relação. Eu não preciso ficar aqui repetindo Lula, Lula. A gente estabelece parceria, ele não é meu patrão. A gente trabalha em conjunto”.
Violência contra mulher
Com a nova chance de escolher um oponente, o presidente da Alerj mirou em Paes para tratar do combate à violência contra a mulher, o que deu margem à troca de farpas mais intensa. Ruas citou as acusações contra Pedro Paulo. Ao tentar citar propostas de fato, como criação de delegacias da mulher e aumento da ronda Maria da Penha, Paes defendeu Pedro Paulo e apontou para a família de Ruas.
“Ele fala como se tivesse vindo do além, mas era secretário do Castro. E não fala do irmão dele, que agrediu a mulher. Então pare de falar de quem já provou inocência”, disparou Paes, em referência ao vereador de São Gonçalo Nelsinho Ruas, alvo de processo de denúncia de agressão envolvendo a ex-companheira. O caso foi arquivado.
Bloco sobre regiões do estado é o campeão de propostas no debate
Destinado a perguntas sobre as regiões do estado, o terceiro bloco trouxe um pouco mais de propostas. Ruas defendeu a criação de escritórios; Paes prometeu baixar o pedágio da Via-Lagos; Siri disse que, se eleito, construirá hospital em Itaguaí. Garotinho a construir Hospital do Câncer em Campos e Marinho fazer plano de contingência para chuvas na Região Serrana.
No enquanto, o quarto bloco voltou a esquentar com Siri questionando Ruas sobre as possíveis ligações de políticos do seu partido com o rombo no Rioprevidência. O presidente da Alerj disse que agentes públicos envolvidos devem pagar e receber duras penas.
Já na sua vez de perguntar, Ruas se voltou para Paes para falar sobre propostas para pessoas com espectro de autismo, lembrando que o adversário já usou termos preconceituosos. Paes não retrucou, reconheceu e pediu desculpas. Aproveitou para falar da proposta de atendimento multidisciplinar e criação de centros estaduais.
Já em debate com Garotinho, Eduardo Paes questionou o que chamou de “enriquecimento rápido” de Douglas Ruas, mas foi surpreendido pelo fantasma das vigas da Perimetral.
“Tudo que você falou é verdade, mas todo mundo quer saber onde está a viga da Perimetral. Você era prefeito e a viga sumiu. É um perigo esse rapaz ser governador, se sumiram as vigas, qual o risco de a gente amanhecer sem a Ponte Rio-Niterói”.
Comentários 1
Votaria nele para prefeito. Hoje, nem para síndico. Decepção.