ATUALIZAÇÕES, às 21h25, com nota do governo do estado, e às 22h, com nota de Luiz Claudio Fernandes Lourenço Gomes
Partiu de um comunicado assinado pelo subsecretário executivo da Casa Civil, Aroldo Neto, a informação de que Luiz Claudio Fernandes Lourenço Gomes foi o nome recomendado pelo acionista majoritário para assumir o cargo de diretor-presidente da Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (Central).
Recém-exonerado do cargo de secretário de Fazenda de Minas Gerais, o auditor federal tenta, com essa indicação, selar o seu retorno ao cenário político fluminense, após acumular questionamentos durante suas passagens em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
Gestor recebia mais que governador e tinha salário de R$ 44 mil por mês em MG
O gestor deixou o governo mineiro em abril de 2026 após o estopim de uma crise gerada por uma canetada na qual exonerou a cúpula da Corregedoria da Fazenda. O ato foi revogado logo em seguida por ter sido feito sem o conhecimento do governador, mas o episódio gerou forte reação de entidades fiscais.
Ele também foi alvo de discussões no estado por receber R$ 44 mil mensais — valor superior ao salário do governador Romeu Zema — devido a um complemento baseado em regras de cessão federal.
Nome de gestor apareceu no relatório da CPI do Rioprevidência
Esse cenário recente se soma a um extenso histórico no Rio. Em 2021, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) emitiu acórdão aplicando multa e restrição a cargos públicos por irregularidades na previdência estadual.
Anteriormente, a Alerj havia incluído seu nome no relatório da CPI do Rioprevidência, com apontamentos de gestão temerária na “Operação Delaware” — uma securitização externa vinculada a royalties do petróleo que enfrentou severas dificuldades e quebras contratuais após a queda do preço do barril.
Por fim, o histórico de Luiz Cláudio registra divergências com o Ministério Público. Em 2018, como Secretário de Fazenda do Rio, ele não liberou cópias de processos de incentivos fiscais de ICMS requisitados pelos promotores para investigações cíveis, sob a alegação de sigilo fiscal. O caso resultou na impetração de mandados de segurança por parte do MP para tentar obter o acesso integral aos documentos.
Cargo na Companhia Central de Logística permite fiscalização de contratos de concessão
A indicação à Central recoloca o auditor no setor de transportes fluminense, onde ele agora aguarda os trâmites legais para a sua efetiva nomeação. O novo comando herda uma vitrine importante, já que a estatal terá a missão estratégica de fiscalizar os contratos de concessão do estado.
Entre os contratos, está o da Nova Via Mobilidade, consórcio que assumiu a gestão e a operação do sistema de trens urbanos do estado do Rio, com a recém-batizada TrensRJ.
O que dizem o governo do estado e o auditor federal Luiz Claudio Fernandes Lourenço Gomes
O auditor Luiz Cláudio enviou uma resposta sobre a sua indicação, que publicamos na íntegra:
“Sobre a nota divulgada pela coluna a respeito da minha recomendação para a presidência da Central Logística, esclareço o seguinte:
Como servidor de carreira do Tesouro Nacional, meu salário está enquadrado no teto federal de R$ 44 mil, como limita a legislação.
Não existe nenhum processo administrativo ou judicial contra mim referente à Operação Delaware, mesmo 14 anos depois dela ter sido realizada. A CPI do Rioprevidência se refere a uma operação realizada com o Banco do Brasil cujo relatório não foi recebido pela própria Alerj.
Os citados processos junto ao MP se referem, na verdade, a mandados de segurança para acessar dados tributários sigilosos de contribuintes. Esses protegidos pela constituição”.
A assessoria de Comunicação do governo do estado também enviou uma nota sobre o assunto. Segue a íntegra:
“O servidor do Tesouro Nacional Luiz Claudio Fernandes Lourenço Gomes possui trajetória profissional compatível com as atribuições do cargo. Sua indicação foi analisada pelos mecanismos de integridade e compliance do governo do estado, que emitiram parecer favorável.
O governo do estado não identificou qualquer fato que comprometa sua reputação ou que represente impedimento legal para sua nomeação. Como acionista majoritário da Central Logística, o estado realizou a indicação, que seguirá os procedimentos de governança da companhia e será submetida à deliberação do Conselho de Administração”.
COM FÁBIO MARTINS.

