Enquanto o governador em exercício, Ricardo Couto, intensifica o pente-fino nas contas do estado com exonerações em massa, suspensão de licitações e auditoria em contratos milionários, a Funarj segue pela contramão.
Em apenas uma semana, a fundação vinculada à Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa formalizou 12 contratações, que somam R$ 1.176.777,40 em apresentações artísticas e eventos culturais, com destaque para cachês de alto valor e múltiplas apresentações no projeto Giro Cultural.
O maior cachê individual da semana, por exemplo, ficou com o cantor Felipe Araújo, contratado por R$ 200 mil para apresentação em Rio Claro. Na sequência, aparecem o Grupo Clareou, com R$ 170 mil por duas apresentações, além de Marcelo Nascimento e da dupla Vivy e Nathan, ambos com contratos de R$ 160 mil.
Outro destaque foi o Palhaço Topetão, com quatro apresentações somando R$ 162.477,40 — o maior volume de apresentações da semana.

Contramão do decreto
As publicações chamam atenção porque ocorrem logo após a edição do decreto nº 50.254, de 14 de abril de 2026, assinado por Couto, que determina rigor na contenção de despesas e trava novos contratos sem comprovação prévia de dotação orçamentária suficiente.
O texto também prevê auditoria em contratos acima de R$ 1 milhão e revisão de despesas em toda a estrutura da administração direta e indireta.
Na mesma linha, o governo já promoveu 327 exonerações em apenas 48 horas, com a maior parte das baixas concentradas na Casa Civil.
Giro Cultural domina os gastos
A maior parte das contratações da Funarj está concentrada no projeto Giro Cultural, que levou atrações para municípios como Itaocara, Rio Claro, Sumidouro, Pádua, Cantagalo e Barra Mansa, além de teatros e equipamentos culturais da capital.
Também aparecem contratos para Elymar Santos, Thiago Martins, Rodrigo Maranhão, Marya Bravo, Ito Melodia e outras atrações.
COM FÁBIO MARTINS


