Um estudo coordenado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) identificou cocaína e seu principal metabólito, a benzoilecgonina, em rios e canais do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense. As análises apontaram níveis de contaminação superiores aos registrados em pesquisas semelhantes realizadas em países como Bélgica, Espanha e Estados Unidos.
Os pesquisadores também constataram, em testes de laboratório, que as concentrações dos contaminantes encontradas no ambiente podem provocar efeitos tóxicos em organismos aquáticos.
Presença de cocaína encontrada em 59 das 60 amostras
A investigação analisou os rios Irajá e Carioca e os canais do Cunha e do Mangue, na capital, além do Rio Meriti, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Todos os cursos d’água estudados deságuam na Baía de Guanabara.
Para avaliar a presença dos contaminantes, os cientistas realizaram coletas mensais de água nos cinco cursos d’água durante um ano, entre julho de 2022 e junho de 2023. Das 60 amostras analisadas, apenas uma não apresentou cocaína.
A benzoilecgonina, principal derivado da droga, foi identificada em todas as amostras. A concentração dos contaminantes foi maior durante a estação chuvosa, entre outubro e março, com pico em janeiro.
Segundo os pesquisadores, o resultado é compatível com estudos nacionais e internacionais que apontam aumento da presença de drogas ilícitas no ambiente durante períodos de férias e festas.
Em quase todas as amostras, a concentração do metabólito foi superior à de cocaína. O padrão é compatível com a contaminação provocada pelo esgoto, que carrega urinas de pessoas que fizeram uso da droga.
Em apenas uma amostra ocorreu o inverso: a concentração de cocaína foi quatro vezes maior que a do metabólito. Para os pesquisadores, o resultado pode indicar um possível descarte direto da droga no ambiente.
Testes apontam danos a peixes
Os efeitos dos contaminantes sobre organismos aquáticos foram avaliados em laboratório por meio de testes com embriões de zebrafish, espécie de peixe amplamente utilizada em estudos de ecotoxicologia.
Segundo a pesquisa, a exposição às concentrações de cocaína e benzoilecgonina encontradas nos rios do Rio de Janeiro provocou aumento da mortalidade, deformações e alterações cardiovasculares e neurológicas, entre outros impactos.
A Fiocruz explicou que a benzoilecgonina apresentou efeito ainda mais nocivo do que a cocaína: os danos aos peixes foram observados em testes realizados com uma concentração equivalente a 13% daquela encontrada no ambiente.
Diante dos resultados, os autores destacaram a importância de incluir a cocaína e seu metabólito em programas de monitoramento e em avaliações de risco ecológico. A medida, segundo os pesquisadores, pode contribuir para uma proteção mais efetiva dos ecossistemas aquáticos em regiões altamente urbanizadas.
Pesquisa foi ampliada para 13 rios do estado
A partir dos resultados da primeira etapa, os cientistas ampliaram a investigação para 13 rios do estado do Rio de Janeiro. As novas coletas foram realizadas entre dezembro de 2023 e novembro de 2024.
As análises dessa segunda etapa ainda estão em andamento e a previsão é que sejam concluídas no primeiro semestre de 2027.
O estudo foi realizado pelo IOC/Fiocruz em parceria com a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz), a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). A pesquisa recebeu financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
Os resultados foram publicados na revista científica internacional Aquatic Toxicology. A pesquisa integra a tese de doutorado de Gabriel de Farias Araujo, desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Saúde Pública e Meio Ambiente da Ensp/Fiocruz, sob orientação de Enrico Saggioro, pesquisador do Laboratório de Avaliação e Promoção da Saúde Ambiental do IOC.
Comentários 5
Cobrando taxa de lixo mais a prefeitura está jogando lixo da praia em monte alegre, dizem que ali é um terreno de reciclagem mais na verdade a prefeitura usa como o tal, já teve varia denúncias mais os órgãos públicos autorizou fazer mais o quê né.
E quem tem a taxa de lixo junto com o IPTU?
Ainda está caro, eu não sei o que os vereadores estão fazendo aí que não defende os direitos do povo, abaixa. essa taxa.
Sinceramente essa taxa de lixo está sendo mal pensada. O ideal seria o prefeito parar de seguir o ministro da fazenda Haddad e incentivar a população de Cabo Frio a reciclar. O problema todo em si está em nós cidadãos. O incentivo a reciclagem de plástico, papelão, latinhas entre outros produtos reciclagem ajudaria bastante tanto o cidadão que recicla quanto os armazéns que compram produtos reciclados. E poderia até criar uma taxa para o lixo mas não em base de metragem de imóvel e sim na produção do lixo. Mas acho que não seria interessante para eles.
Os vereadores deveriam estar atentos a esse tema e projetar algo que ajudasse realmente o cidadão.
Sempre bom lembrar que a “taxa do lixo” foi criada no governo Bolsonaro, por meio da Lei 14.026/2020 (Art. 29), sancionada por ele.