Compradores de imóveis lançados pela Inti Empreendimentos acusam a construtora de parar as obras em sete condomínios nos bairros de Botafogo, Urca, Leblon e Gávea. Alguns dos projetos já estão com as atividades paralisadas há cinco meses — embora os imóveis continuassem sendo vendidos. Um promotor de Justiça pagou, há 90 dias, R$ 2 milhões por um apartamento que não está saindo do papel.
Os canteiros de obras ficam nas ruas Sambaíba, no Alto Leblon; Assis Bueno, em Botafogo; São Sebastião, na Urca; General Rabelo e Praça Santos Dumont, na Gávea. Os 120 compradores se encontraram e discutiram uma estratégia conjunta.
Descobriram que 80% deles já quitaram seus imóveis.

Nas reuniões, eles estiveram com o sócio diretor da construtora, André Kiffer, e ele admitiu que não terá condições de tocar mais as obras. Os clientes— entre eles, médicos, advogados, um desembargador e muitos investidores — já se organizam para formar associações, contratar construtoras e concluir os empreeendimentos. E pretendem abrir processos contra a Inti.
“Descobrimos que ele estava com problemas de gestão há tempos, mas continuava vendendo os imóveis”, protestou um dos compradores.
Kiffer afirma que todos os compradores já são proprietários de seus imóveis
O sócio diretor da empresa disse que ele mesmo procurou, proativamente, os compradores, para explicar a situação.
“Participei das assembleias. As obras são por administração, então eles já são donos dos imóveis. É diferente de uma incorporação. Nós prestávamos serviços de construção. Mas realmente não temos mais como terminar. Botamos recursos nos empreendimentos, mas não temos mais como colocar. As obras têm receitas próprias, em alguns casos, elas se bastam. Em outros, os proprietários terão que aportar. Das sete, várias já estão sendo finalizadas”, disse.
Quando o empreendimento e é vendido pelo regime de administração, cada cliente compra uma fração do terreno, e a construtora executa a obra a preço de custo, presta contas aos compradores e ganha uma taxa de administração para tocar a obra. É diferente do regime de incorporação, quando os clientes pagam o preço fechado — e o valor já é o necessário para o empreendimento ser entregue.
Resumindo: na obra por administração, quem paga o custo da construção são os compradores. Num regime de incorporação, a obra é financiada por bancos tradicionais de crédito imobiliário.
Kiffer disse que a saída da construtora das obras realmente não é a situação ideal, mas é resultado de uma situação econômica difícil, num momento de juros altos.
“As obras demoraram mais, custaram mais do que o previsto. Estou disponível para todos os clientes, nada é escondido. Não existe a possibilidade de eles ficarem sem os imóveis ou sem a escritura no nome deles. Não era o melhor a acontecer. Ninguém queria isso, mas a gente está tentando mitigar os problemas. Mostramos a eles as receitas, as despesas, mandamos todos os documentos”, disse.
Retrofit do prédio da Mesbla não será afetado pela crise da Inti
O retrofit do icônico Edifício Mesbla, na Rua do Passeio, no Centro do Rio, não sofrerá os efeitos da crise. Aprovado em 2023, no programa Reviver Centro, e rebatizado como Ora, o projeto é uma parceria entre a Inti Empreendimentos, a XP Investimentos e o escritório Cité Arquitetura; e tem os recursos protegidos por uma conta separada, criada especialmente para ele.
Todas as 191 unidades projetadas foram vendidas em abril de 2025, nas primeiras 24 horas. Os preços variavam entre R$ 400 mil a R$ 900 mil.

