A defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, voltou a apresentar um recurso para tentar anular a condenação de 43 anos e nove meses de prisão pela morte do menino Henry Borel. Dessa vez, os advogados defendem a tese de parcialidade da juíza Elizabeth Louro com base em um outro recurso: o que foi movido pelo Ministério Público do Rio (MPRJ).
O recurso do MPRJ tenta anular o perdão judicial concedido a Monique Medeiros, mãe da vítima. Monique recebeu o benefício após jurados desclassificarem o crime de homicídio doloso para culposo. O Ministério apura se a forma como a juíza conduziu o caso pode ter afetado a decisão dos jurados.
A defesa de Jairinho, por sua vez, argumenta que um eventual reconhecimento de irregularidade na atuação da magistrada pode beneficiar ambos os réus.
MPRJ questiona episódio ocorrido em sala de votação
O impasse leva em conta um episódio supostamente ocorrido na sala secreta de votação. De acordo com o MPRJ, durante o questionamento aos jurados sobre a intencionalidade da omissão de Monique, houve divergência de interpretação entre a acusação e a defesa. Diante da confusão, a juíza reformulou a pergunta e repetiu a votação — atitude que o MP alega ter contaminado o resultado.
A tese de parcialidade da magistrada já havia sido apresentada pela defesa de Jairinho, mas acabou rejeitada anteriormente pelo Ministério Público, pelo assistente de acusação e pela defesa de Monique.
Jairinho foi condenado por homicídio doloso
O julgamento, encerrado na madrugada da última quinta (04), durou onze dias e tornou-se o mais longo da história do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ). Na ocasião, o corpo de jurados considerou Jairinho culpado por homicídio doloso duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. O crime ocorreu em março de 2021, quando Henry Borel tinha quatro anos.
Com informações do jornal “O Globo”.

