O Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Rio (Proderj) e o Instituto Rio Metrópole, as instituições que mais movimentaram licitações, contratos e despesas nas administrações Cláudio Castro (PL) à frente do governo do estado do Rio — entraram em compasso de espera.
Proderj e suas licitações bilionárias voltaram aos holofotes na última quarta-feira (27), depois que veio à tona a informação de que a cobertura onde está morando o ex-governador, no condomínio Península — alvo da operação de busca e apreensão da Política Federal — pertence a uma empresa controlada pelo advogado Mauro Farias. Farias foi secretário de Transformação Digital durante boa parte do governo Castro — pasta responsável pelo Proderj.
Desde a chegada do governador em exercício, Ricardo Couto, ao Palácio Guanabara, o Centro de Tecnologia e o Rio Metrópole vivem um cenário de desaceleração administrativa, com novos processos represados, suspensão de editais e revisão interna sobre despesas consideradas estratégicas.
Novos certames foram congelados, contratos passaram a ser reavaliados e liberações financeiras consideradas de maior impacto entraram no radar do pente-fino promovido pela atual gestão.
A mudança representa uma guinada em relação ao ritmo adotado até então pelos dois órgãos, que vinham concentrando parte relevante da execução orçamentária estadual em áreas como tecnologia, mobilidade urbana, saneamento, habitação e infraestrutura metropolitana.
No caso do Rio Metrópole, o movimento reforça um cenário que já vinha sendo observado desde março, quando o instituto suspendeu uma licitação de R$ 99,2 milhões voltada à implantação de uma plataforma digital com mapas e dados da Região Metropolitana.
A licitação previa a atualização da base cartográfica dos municípios por meio do Sistema de Informações Metropolitanas (SIMGeo) e era considerada uma das principais apostas estruturantes do órgão neste ano.
Mesmo com o novo cenário de contenção, porém, Davi Perini Vermelho, mais conhecido como Didê, segue à frente do instituto. A permanência dele no cargo chama atenção justamente porque ocorre em meio à revisão ampla promovida por Couto em setores estratégicos da administração estadual.
Já no Proderj, houve mudança recente no comando. Rodrigo Lopes Xavier deixou a presidência, e o secretário estadual de Transformação Digital, Fernando “Feu” Braga Martins, assumiu a estrutura de forma interina. Oficialmente, a troca foi tratada pelo governo como parte de uma transição administrativa planejada e coincide com o momento em que a gestão atual amplia a revisão sobre contratos administrativos e despesas herdadas da administração anterior.

Segundo interlocutores do Palácio Guanabara, o represamento de novos contratos no Rio Metrópole e no Proderj atende a duas prioridades: revisar a necessidade e o alcance financeiro de contratos de alto valor já planejados e preservar caixa para compromissos considerados prioritários da atual gestão.
Entre esses compromissos estão o pagamento da recomposição salarial de 11,5% dos servidores públicos e a antecipação do 13º salário, temas que passaram a ocupar o centro da agenda do governo interino.
Desde que assumiu o comando do estado, Ricardo Couto vem promovendo uma ampla reorganização administrativa, com exonerações em série, trocas em cargos estratégicos e revisão de contratos em diferentes áreas da máquina pública.

