Homenagem aos 111 anos do Colégio Diocesano de Garanhuns, por Alfeu Valença, aluno de 1955 a 1959
Eles vinham de todos os lugares. Uns mais de perto, como das ruas Quinze ou do Recife. Outros, mais distantes, como o Arraial ou o Alto da Boa Vista. Todos vinham a pé. Gordos, magros, brancos, pretos ou mulatos, ricos, pobres ou remediados; nenhum vinha de carro ou nos quase inexistentes transportes coletivos.
A aragem fria do início da manhã daquele dia de outubro não escondia um sol tímido que prometia mais um belo dia em Garanhuns. A praça da Bandeira, em frente ao colégio aniversariante, tinha os canteiros repletos de variadas flores primaveris.
Os alunos saíam de casa sozinhos, mas no caminho iam se juntando a outros, e mais outros, e outros mais. Quando adentravam na praça do colégio, vindo pela linha do trem, pela rua da Areia ou pela Dantas Barreto, já formavam uma massa compacta, que se assemelhava a um enorme formigame amarelado, dirigindo-se a um torrão de açúcar.
Vestiam uniformes compostos por calças compridas e camisas. As calças eram de grosso brim cáqui e tinham, na parte lateral externa, listras vermelhas verticais com cerca de dois centímetros de largura. As camisas, de tecido mais leve, eram de um cáqui mais escuro e era mandatório que as mangas compridas estivessem sempre abotoadas nos punhos. E aí daqueles que as vestissem por fora das calças. Estranhamente — e inexplicavelmente — aquela rigidez quase militar no uniforme era relaxada nos cinturões e sapatos, que podiam ser de qualquer cor ou modelo. Os cabelos, quase todos cortados no estilo Jack Dempsey e com os topetes fixados com gumex ou brilhantina, imprimiam maior uniformidade ao ajuntamento deles.
A praça, já invadida, tinha as cores naturais dos seus canteiros e gramados substituídas pela massa humana cáqui, quase amarela, que aguardava o chamamento para se alinhar em pelotões atrás da banda marcial, que, desde muito cedo, vinha esquentando os couros dos instrumentos, postada em frente à porta principal do torrão de açúcar — perdão, da porta do Colégio Diocesano de Garanhuns.
Um andar acima daquela porta, através dos vidros largos do seu gabinete, sozinho, o padre, que dirigia aquela casa de ensino com punhos de general e coração de mãe, olhava aquela movimentação e se permitia um leve sorriso. Era a única data em que ele delegava o comando aos seus alunos. Há anos, o professor Lustosa, a cada 12 de outubro, assumia o comando do desfile comemorativo do aniversário do Diocesano. Desfile muito aguardado e prestigiado pela população, que se aglomerava ao longo das ruas da cidade.
Um toque de corneta alertava para a formação há muito organizada. Não havia erro possível. Tudo fora muito bem ensaiado. Nenhum aluno faltava. Nenhum queria perder aquele momento mágico de se mostrar para os parentes, amigos e namoradas. Alguns estudantes mais altos desfilavam com bandeiras e bandeirolas à frente dos pelotões. Os demais marchavam atentos para manter corretamente as distâncias entre as filas e não errar o passo.
“O pé esquerdo tem que acompanhar a batida do surdo, não esqueçam”, alertavam os sempre atentos instrutores.
Terminado o desfile, com todos os pelotões ainda alinhados na parte superior da praça da Bandeira, desde o colégio até o hotel Petrópolis, os alunos, sob um Sol já forte, faziam total silêncio para ouvir o professor Lustosa.
Postado na escadaria da capela, repetindo incontáveis vezes o velho cacoete de levantar as calças com auxílio dos cotovelos, ele fazia um rápido discurso de agradecimento pelo desfile impecável. Como sempre, concluía a sua fala com a frase conhecida e ansiosamente esperada pelos estudantes: “E, para que todos possam descansar, comunico que amanhã não haverá aula”.
Era o sinal para que, como em todos os anos, eufóricos, os pelotões se dispersassem e os alunos, em desenfreada correria, descessem a rampa que separava o colégio da praça fronteiriça.
Da janela do gabinete, o padre Adelmar a tudo assistia. Sozinho, disfarçava para si mesmo algumas lágrimas da mais pura felicidade.
Comentários 22
Na verdade isso é papel exclusivo da guarda municipal, essa “força ” que ele quer criar , é inconstitucional. O STF já falou que segurança pública municipal é dever da guarda.
Simplesmente um prefeito mentiroso que não cumpre o que foi dito na sua campanha em relação a GM Rio, além disso o que ele está propondo é INCONSTITUCIONAL.
ART 144 CF.
Vítor, será que existe um outro país em que alguém consegue levar ao arrepio da lei, da Constituição, uma proposta absurda, sem questionamento, nem do próprio serviço público, e da dita vigilante imprensa?
Senhor prefeito se o senhor até hoje não cumpriu com nada que o senhor mesmo prometeu ao guarda, acha mesmo que vai enganar o guarda mais uma vez, o guarda já fez concurso público, o CPOR, como o senhor mesmo diz e o cara que estudou foi e hj não é mais, aí pensem como a guarda vai compor isso com meia dúzia de graduados aposentados, pq nem base para falar que o guarda vai fazer parte disso fem com efetivo na 12×36, e em algum lugar ele colocou que vc pode acumular cargos senhor prefeito aque o numero de mortos e maior do que de aposentados, sem reposição salarial sem aumento de ticket 13 anos, e agora o senhor quer contar mais uma história para gente dormir.nao queremos combater camelô, o povo está sofrido deixa o camelô trabalhar. Vc não precisa de um força de segurança, vc já tem , o estranho é que não tem dinheiro para chamar os concúrsados da guarda de 2012. Mais tem para pagar 13 mil para quem vai fazer o mesmo trabalho que a guarda faz sem arma , então de esse aumento de 13 mil para o guarda pq dinheiro tem. Lamentável situação bisára e ridícula.
Não é que guarda poderá atuar na força municipal. A GUARDA MUNICIPAL É O ÚNICO ÓRGÃO DE SEGURANÇA PÚBLICA MUNICIPAL, ENTÃO ESTE PREFEITO ESTÁ USANDO A GUARDA PARA TENTAR EMPURRAR GUELA ABAIXO DA POPULAÇÃO E DOS GUARDAS ESTE NEGÓCIO QUE SÓ SERVE PARA SEREM MILITANTES DELE NAS FUTURAS ELEIÇÕES. POUCO NÃO FAZER IGUAL O QUE ESTÁ ACONTECENDO NO BRASIL INVESTIR NA GCM EQUIPANDO E VALORIZANDO OS SERVIDORES CONCURSADOS .?
Segurança pública é de domínio estatal, O Governo federal tem a PF, PRF, como policias previstas na constituição (At. 144) Os Estados possuem as Polícias Civis, as Militares, as Penais também previstas no artigo 144 mas os municípios só possuem um Órgão de segurança pública, apenas as Guarda Municipais são previstas por lei, não há outro órgão de segurança pública no Município, então o que passar disso é de procedência duvidosa passível de anulação, será descompasso e desperdício gastar dinheiro para criar algo que nascerá morto legalmente falando.
Nós da Guarda Municipal do RJ, não iremos aceitar essa imposição do prefeito, pois ele já tem sua polícia municipal constituída GMRJ, me parece na verdade é que ele quer justificativa para o empréstimo pra financiar sua campanha?
Tá errado! Essa força é inconstitucional e essa semana o próprio ministro Flávio Dino do STF falou que prefeitos não podem criar outras corporações e aque a força de segurança do município é a Guarda Municipal! Oq falta é esse prefeito sem palavra investir na GmRio ! Simples assim!
A única força de SEGURAÇA DOS MUNICIPIOS SÃO AS GUARDAS MUNICIPAIS,VIDE CF88 NO SEU ART. 144 PARAGRAFO 8°.
NAO EXISTE FMS ALGUMA NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL,,
FUNÇAO TIPICA DE ESTADO TEM QUE SER ESTATUTÁRIA E NAO A BASE DE CONTRATAÇÃO!!!
REFORMULE O PL,RETIREM ESSES MILICIANOS E VALORIZE A TROPA QUE FAZ SEU PAPEL A MAIS DE 30 ANOS PRA POPULAÇÃO CARIOCA!
Tá errado! Essa força é inconstitucional e essa semana o próprio ministro Flávio Dino do STF falou que prefeitos não podem criar outras corporações e aque a força de segurança do município é a Guarda Municipal! Oq falta é esse prefeito sem palavra investir na GmRio ! Simples assim!
Não existe constitucionalidade nisso! Força de segurança do município é exclusiva segundo STF, lei federal 13022, ADPF 995. O senhor prefeito, está inventando situação para criar sua milícia, o que será totalmente rejeitada, pois o congresso e mais STF já decidiu sobre isso e somente as guardas municipais podem fazer a segurança do seu município e não uma ” milícia” contratada como quer Eduardo Paes!
Os vereadores do Río de Janeiro, não têm conhecimento constitucional, então precisam consultar o departamento jurídico da prefeitura, pq não poderiam nem pautar essa aberração jurídica, totalmente inconstitucional.
Conseguiu piorar oque já estava péssimo, além de tentar criar de forma inconstitucional, uma nova força de segurança, para usurpar as funções da Guarda Municipal, o prefeito agora quer calar os Guardas, dando uma esmola , abrindo a possibilidade deles participarem de um processo seletivo, para se forem aprovados, realizarem as funções que constitucionalmente são suas, em uma instituição fake. Brincadeira !!!
Famoso cala boca pra fazer o que quer
O guarda não poderá, ele deve está na íntegra como diz a lei 13.022 e como já foi discutido no STF, GMRIO POLÍCIA MUNICIPAL
Ridícula essa atitude insistir com a ideia de criar uma FORCA MUNICIPAL DE SEGURANÇA …..mostra desrespeito as leis e a a decisão do STF …..Deveria sofrer as sanções da Lei …..como é previsto ….
Não adianta tentar enganar o povo prefeito, seu projeto além de ridículo é inconstitucional, o que tu quer é montar uma tropa eleitoral, assim como fez o Crivella na saúde, já pensando nas eleições para governador que é seu sonho, assim como já é feito na SEOP, onde todos ou maioria lá, comem na sua mão enquanto a GM Rio caminha a a passos largo a extinção.
Prefeito! Toma vergonha na cara e cumpra a decisão do STF! Força de Segurança Municipal é a sua Guarda e somente ela!
Eduardo Paes em campanha para voltar a Prefeitura se reuniu com Guardas Municipais e prometeu resolver o plano de cargos e salários e armar a Guarda Municipal. Eleito não cumpriu com suas promessas alegando ter recursos, e ainda faz pior, quer que estranhos aos quadros da Guarda Municipal faça o nosso trabalho remunerando com salários ( salário inicial do agente da ponta ) que servidores com mais de trinta anos não recebem. Não tenho notícias de covardia que se iguale a essa
E outra, leiam a tese fixada no recurso extraordinário 608588, que inclusive proíbe a criação de órgão pelo município que não esteja previsto no Art 144° da CF, e estatuto Geral das Guardas Municipais, lei 13022/14.
Não se permitam serem enganados.
Eduardo Paes em campanha para voltar a Prefeitura se reuniu com Guardas Municipais e prometeu dar solução ao plano de cargos e salários que até hoje está estagnado, e armar a Guarda Municipal. Eleito não cumpriu com suas promessas alegando ter não recursos, e agora, quer que estranhos aos quadros da Guarda Municipal faça o trabalho de guarda municipal (atividade típica de estado) remunerando com salário inicial maior que dos servidores com mais de trinta anos na instituição não recebem. Não tenho notícias de covardia que se igualem a essa. Leiam a tese fixada pelo STF no recurso extraordinário 608588, em 20/02/2025, que proíbe a criação de órgão de segurança pública pelo município que não esteja previsto no Art 144° da CF, e estatuto Geral das Guardas Municipais, lei 13022/14.
Não se permitam serem enganados.
Então a GM Rio será fagocitada pela força de segurança??? É isso mesmo?? Nós faremos parte agora da milicia do prefeito…..
O BLOG E O PODCAST FICA A DICA SERVIDOR APOIAM AS GCM’S DO BRASIL.
PREFEITO EDUARDO PAES É UMA PESSOA SEM CARÁTER.
ELE TEM UM PROBLEMA DE CUNHO PESSOAL COM OS PROFISSIONAIS SERVIDORES DA GUARDA MUNICIPAL , PORQUE ELES NÃO SE ENVERGAM PARA ELE PÔR O ARREIO NO PESCOÇO DELES.
PARABÉNS GUARDAS MUNICIPAIS!