Ícone do teatro, do cinema e da televisão brasileira, Francisca Xavier Queiroz de Jesus, a eterna Chica Xavier (1932-2020), terá sua história resgatada e homenageada com o longa-metragem documental “Amor e Fé: Chica Xavier”. A produção é uma das selecionadas para integrar a programação oficial do Festival do Rio 2026 e estreia nesta quarta (07).
A direção é do filho de Chica Xavier, o cineasta e educador Clementino Junior, roteiro de Bruna Christine e produção de Gregory Baltz.
O longa apresenta uma narrativa profundamente afetiva e politizada sobre a mulher baiana de Oyá que deixou Salvador na década de 1950 rumo ao Rio de Janeiro e se consolidou como uma referência dramática e símbolo de representatividade para várias gerações de artistas negros.
Além de revisitar seus mais de 60 anos de união com o também ator Clementino Kelé, -– seu companheiro na vida e na arte que se somam mais de 70 anos —, sua marcante trajetória na TV, cinema e teatro, o filme sobre a atriz vai além dos palcos e estúdios. Expõe os bastidores da atuação de Chica no serviço público, sua religiosidade e seu papel marcante nos movimentos sociais, destacando também sua participação na Fundação Palmares na articulação das bases para o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas do país.
Tratado pelo próprio realizador como uma declaração de afeto e reverência, “Amor e Fé: Chica Xavier”, em 88 minutos de duração busca lançar luz sobre o protagonismo histórico da artista, desmistificando velhos estigmas do audiovisual e celebrando o legado de uma das maiores pioneiras das artes cênicas no Brasil.
Com uma carreira consolidada na Televisão e no cinema, participou de produções memoráveis como as novelas Dancin’ Days (1978), Marrom Glacê (1979), Renascer (1993), Pátria Minha (1994), Força de um Desejo (1999) e Esperança (2002). Das minisséries Tenda dos Milagres (1985) e O Pagador de Promessas (1988).
No cinema, fez parte de filmes de destaque nacional, como O Assalto ao Trem Pagador (1962), A Deusa Negra (1978), Lerfá Mú (1979), A Partilha (2001) e Nosso Lar (2010). Só na TV Globo, onde construiu a maior parte da sua carreira, a atriz atuou em mais de 20 novelas e 11 minisséries. Participou ainda de “Os Imigrantes” (1981) na TV Bandeirantes, um dos maiores sucessos fora da emissora carioca.
onge dos holofotes, o ativismo de Chica se manifestava de forma prática e apartidária. Como conselheira da Fundação Cultural Palmares na transição dos governos FHC e Lula, ela foi uma das incentivadoras nas articulações que culminaram na promulgação da Lei 10.639/03, que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas.
Com sensibilidade narrativa, o documentário evita a armadilha do elogio superficial para resgatar memórias inéditas e nuances do convívio familiar, revelando a força de uma presença capaz de transformar qualquer um ao seu redor.
“Conhecer ou conversar com Chica Xavier nunca deixou as pessoas da mesma maneira. Sabíamos do risco deste filme virar um documentário ‘chapa branca’ por ser uma figura de unanimidade, mas os relatos trazem muitas dimensões de uma mulher preta baiana com quem qualquer pessoa se identifica. Não é à toa que sua biografia se intitula ‘Mãe do Brasil’ — por Teresa Montero em 2013 — apresenta essa maternidade que vem de um sentimento que só a vivência e a existência de Chica explicam”, pontua o diretor, Clementino.






















































