A turma que trabalha pela eleição de Douglas Ruas (PL) ao governo do estado não recebeu com flores as declarações do presidente estadual do PP e deputado federal mais votado do Rio, Dr. Luizinho, reconhecendo a vitória do candidato do PL no primeiro turno. E, principalmente, já colocando o seu partido à disposição do “futuro governador” na Assembleia e na bancada fluminense em Brasília.
“Ele nao é um amorzinho?”, ironizou, nas redes sociais, o ex-prefeito de Mesquita Jorge Miranda, agora deputado federal eleito pelo PL e um dos principais articuladores políticos da campanha de Douglas.
A trajetória errante do PP foi muito criticada — e não só por Miranda.
Primeiro, o partido estava na aliança de Douglas e até indicou para vice o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa. Mas, deixou a coligação e optou pela “neutralidade” antes mesmo de a campanha começar oficialmente, sob o argumento de que seguiria a orientação nacional.
Douglas, um desconhecido, ainda patinava nas pesquisas.
Rogério, então, anunciou apoio ao principal adversário do PL, Eduardo Paes (PSD) — e tratou de organizar a campanha do ex-prefeito do Rio na mais tradicional cidade da Baixada Fluminense.
E, agora, com Douglas à frente (não nas pesquisas, mas no voto dado pelo eleitor no último domingo) e com a possibilidade de já ter encerrado a disputa ainda no primeiro turno, o PP está de volta ao barco do candidato do PL. Em entrevista à rádio “CBN”, na manhã da última segunda (05), Luizinho colocou a bancada do partido na Assembleia e na Câmara à disposição. “Apoio de ocasião”, disparou um dos assessores de campanha.
“[Douglas Ruas] vai contar certamente com a bancada do União Progressista na Assembleia Legislativa, e no que a gente puder, em Brasília, vai ajudar o estado do Rio de Janeiro”, disse Dr. Luizinho na entrevista.
Jorge Miranda foi um que não engoliu a conversa. O ex-prefeito disse que os indicadores da saúde do estado estão entre os piores do país, e que o Rio está em 24º no ranking nacional de políticas públicas de saúde básica.
“A saúde não pode ser entregue de novo a quem trabalha a pasta de olho nas urnas”, disse.
Douglas, se eleito, planeja nomear um secretário técnico não indicado por Dr. Luizinho
A equipe que elabora e discute o plano de governo de Douglas Ruas trabalha com a decisão de ter à frente da secretaria um técnico da área. Claro que tudo pode mudar — o candidato do PL, inclusive, pode nem ser eleito — mas, se o cargo não for preenchido por indicação do presidente do PP estará quebrada uma tradição que vem desde 2016, ainda no governo de Luiz Fernando Pezão.
Há dez anos, o ortopedista Luiz Antônio de Souza Teixeira Júnior ocupa ou indica os ocupantes dos cargos-chave da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro.
E isso passou por Pezão, Francisco Dornelles, Wilson Witzel, Cláudio Castro e Ricardo Couto. Não é pouca coisa não.






















































