Na sessão que consagrou o novo presidente da Assembleia Legislativa, o Tribunal de Justiça foi quase tão cumprimentado quanto Douglas Ruas (PL), o escolhido. Afinal, a desembargadora Suely Lopes Magalhães, primeira vice-presidente, recusou todas as tentativas de impedir que fosse realizada a eleição.
Mas foi um sentimento contraditório.
Vários deputados não estavam nada felizes com o Palácio da Justiça. De lá, o governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, exonerou mais de 300 comissionados do governo em menos de 48 horas. Entre os demitidos, muitos indicados pelos parlamentares governistas. E, para piorar, tudo indica que vem mais por aí.
E logo em ano eleitoral!
Como reza o ditado popular, não se pode ter tudo…
Recado ao interino
No discurso, Douglas, aliás, mandou um recado para o desembargador. Vai querer a cadeira — e a caneta.
“Quem defende interinidade está defendendo instabilidade institucional no Rio de Janeiro”, disparou.
Oposição no espaço destinado ao povo
Teve deputado de oposição na sessão? Teve sim, senhor. Mas nas galerias.
Pelo menos, neste momento, ninguém pode dizer que a turma não estava com o povo.
Só Jari Oliveira (PSB) quebrou a firma. Votou remotamente em Doutor Deodalto (PL) para segundo secretário. Foi aplaudido pelos governistas. Ma se absteve na eleição para presidente.
O famoso morde e assopra.

Novo shape
Chico Machado (PL), cada vez mais magrinho, não cansa de surpreender com sua nova forma física. Ganhou o maldoso apelido de “Rei do Mounjaro”. Ahh, esses coleguinhas…
Ainda abriram a banca de apostas: Felipinho Ravis (PP) fez ou não implante? Tire você mesmo as suas conclusões.

Deputado ou influencer?
Antes de a sessão começar, vários deputados chegaram ao plenário com equipe, tripé e microfones sofisticados.
Afinal, uma imagem, nas redes, vale tanto (ou mais) que o voto.
Deodalto, o campeão
Doutor Deodalto foi reconduzido ao cargo de segundo secretário da Mesa Diretora — de onde saiu para assumir a Secretaria estadual de Agricultura.
Como teve o voto de Jari, ficou com 45 — um a mais que Douglas.
E zoou o coleguinha.
Família, família!
Douglas Ruas chegou ao plenário com o prefeito de Itaboraí, Marcelo Delaroli (PL), irmão do vice e, naquele momento, ainda presidente em exercício, Guilherme Delaroli (PL).
O filho do homem, João Delaroli (PL), presidente da Câmara de Itaboraí, também estava no plenário, para ver papai presidir a última sessão como o mandachuva-mor da Assembleia.
Roberto Monteiro Pai (PL-RJ), deputado federal, também deu o ar de sua graça e foi homenageado pela filha, a estadual Giselle. Fofa.
Dirigentes partidários, como Márcio Canella (presidente estadual do União) e Bruno Bonetti (municipal do PL), acompanharam com lupa. É o olho do dono que engorda o gado, né?
Novos conceitos da ciência política
Nos discursos da turma, o prefeito Eduardo Paes (PSD) foi pintado como a esquerda no estado.
“Esquerda e extrema esquerda” disse Anderson Moraes (PL), o mesmo que estreou na política, em priscas eras, nas fileiras do PCdoB.
Rei posto
Chamou muito a atenção o fato de que os deputados governistas não citaram o… governador que os uniu.
Teve até discurso fazendo questão de desvincular Douglas do antigo chefe do Palácio Guanabara, Cláudio Castro (PL). India Armelau (PL), por exemplo, foi uma que disse isso com todas as letras.
É a velha regra do poder — ou sobre o que acontece com quem deixa o poder.
COM GABRIELE MAIA

