Os candidatos da Federação União Progressista à Assembleia Legislativa fazem campanha com santinhos, bandeiras, adesivos e… calculadoras nas mãos. A insegurança sobre o registro da candidatura do ex-prefeito Márcio Canella (União) está deixando a nominata do partido em polvorosa.
Canella ia disputar uma das vagas no Senado. Mas, por causa de complicações com a Justiça e a Polícia Federal, acabou desistindo da empreitada. No início de agosto, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços do ex-prefeito de Belford Roxo, numa investigação sobre possíveis ligações com uma estrutura de lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis e contratos públicos irregulares. Durante a operação, os agentes federais encontraram um fuzil — e o pré-candidato chegou a ser preso.
Depois, ficou esclarecido que a arma era da Polícia Militar (PM) e estava sob responsabilidade de um policial que trabalhava como segurança da pré-campanha. Canella foi solto, mas continua sendo investigado.
Quando decidiu então ser candidato a deputado estadual, o ex-prefeito animou a nominata. Poderoso, muito conhecido e aprovado na Baixada Fluminense, com uma campanha forte e irrigada com recursos dos fundos eleitoral e partidário, Canella era a garantia de crescimento da futura bancada.
Até a página 2, ou melhor, até a Justiça Eleitoral decidir se ele pode, ou não, ser candidato. O Ministério Público já opinou pelo indeferimento do registro da candidatura — com base na proibição constitucional do uso de organizações paramilitares e milícias no processo eleitoral.
E o otimismo foi substituído por desespero na nominata.
Pelos cálculos da turma, se Canella sair da disputa, a Federação União Progressista pode perder três cadeiras na Alerj — a dele e mais duas, que o ex-prefeito ajudaria a preencher.
Nas bolsas de apostas, há duas grandes correntes: se Canella passa ou não pelo crivo do Tribunal Regional Eleitoral — e quem está na corda bamba à espera desta decisão.

























































