O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a divulgação da pesquisa AtlasIntel sobre disputa para presidente lançada no dia 19 de maio, sob o número BR-06939/2026, que apontou queda do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas intenções de voto. A decisão liminar foi proferida pelo ministro Kassio Nunes Marques, relator do caso e presidente do TSE. Ao votar em representação de autoria do Partido Liberal (PL), ele considerou que há suspeitas de indução ao eleitor.
O PL pediu a suspensão da pesquisa sob o argumento de que o questionário foi construído para induzir respostas que prejudicaram o senador, extrapolando o papel de verificação da opinião pública.
O levantamento foi publicado após a divulgação de conversas entre o senador e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com pedido para financiamento do filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Suspensão da divulgação da pesquisa
Em análise preliminar, o ministro considerou que há elementos que indicam indução para a contaminação das respostas, entre eles a divulgação de áudio de investigação, e destacou que a concessão da liminar parcial — para suspender a divulgação, o impulsionamento, a republicação ou a manutenção da pesquisa nos canais oficiais da empresa — não indica perigo caso posteriormente se verifique a regularidade metodológica do levantamento.
“Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada, inclusive no cotejo com os questionários de outras pesquisas registradas no TSE pela mesma empresa”, destacou o ministro.
Controvérsia levantada nos autos
Ainda de acordo com a decisão do ministro, o CEO da AtlasIntel, em entrevista à CNN no dia 19 de maio, reconheceu o viés político do conteúdo submetido aos entrevistados e apontou o desgaste eleitoral que isso representava.
Para Kassio Nunes Marques, há indicativos de que “a pesquisa possa ter extrapolado os limites da regular aferição estatística”.
“A controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, afirmou o ministro.
Na decisão, Kassio Nunes Marques também destacou que outras 27 pesquisas feitas pela AtlasIntel não apresentaram questionários com perguntas semelhantes ao teor da pesquisa questionada nem veicularam áudio.
O ministro determinou que a AtlasIntel apresente documentação técnica complementar que indique a regularidade da metodologia, especialmente em relação ao uso do áudio. O Ministério Público Eleitoral (MPE) também terá um dia para se manifestar.

