Meses antes da disputa eleitoral nas urnas em outubro, o Cidadania já começou o ano em clima de disputas — internas, por ora, no caso da sigla. Congressos diferentes do partido elegeram, em um intervalo de dois dias, dois presidentes distintos para comandar a sigla.
Nesta sexta (06), o ex-deputado e ex-vice-prefeito de Niterói Comte Bittencourt foi reconduzido à presidência do partido em um congresso nacional, realizado online com mais de 570 participantes. 64 delegados apoiaram Comte no comando do diretório nacional.
Só que, na quarta-feira (04), um outro congresso da sigla — que aconteceu presencialmente em São Bernardo do Campo, São Paulo — já tinha escolhido o deputado Alex Manente (SP) para comandar o Cidadania. Manente recebeu o título de Roberto Freire, que reassumiu o controle da legenda por meio de liminar em dezembro.
Comte e Freire representam grupos com visões distintas dentro do partido e já disputavam na Justiça o título de presidente nacional da sigla. A expectativa é de que o caso dos dois presidentes volte a mobilizar uma ação judicial. Por mais que as últimas decisões tenham favorecido o grupo de Freire, a ala ligada a Comte Bittencourt tenta defender que tem maioria dentro do partido e que seguiu o estatuto da legenda.
Treta no Cidadania pode afetar federação do partido às vésperas da eleição
As disputas colocam sob tensão a situação do Cidadania com aliados, como o PSDB, partido que formou federação com a sigla nas últimas eleições. Manente, um dos presidentes eleitos nesta semana, tem uma reunião marcada na próxima terça (10) com Aécio Neves, que preside os tucanos, para articular a “renovação” da parceria.
No entanto, a federação pode não se manter caso a ala de oposição à Manente fique no poder. Os grupos aguardam o desenrolar judicial do caso para estabelecer as posições sobre as parcerias.
No ano passado, Comte chegou a dizer, publicamente, que pensava em formar uma federação com o PSB nas próximas eleições. Candidato a vice-governador na chapa de Eduardo Paes (PSD) em 2018, ele já tinha adiantado que a tendência da sigla era apoiar o prefeito do Rio na disputa pelo governo estadual. O partido deve confirmar suas posições para as eleições no Rio nos próximos meses.
O que diz o deputado Alex Manente
Escolhido presidente do Cidadania na última quarta-feira (04), o deputado Alex Manente (SP) enviou nota sobre o imbróglio partidário. Eis a íntegra:
“Não existem ’dois congressos’ nem ‘dois presidentes’ no Cidadania. Eventuais reuniões promovidas por um grupo dissidente não possuem qualquer efeito institucional. Trata-se de uma iniciativa restrita a um grupo minoritário que, após sucessivas decisões judiciais contrárias às suas teses, tenta produzir narrativas políticas sem respaldo jurídico ou estatutário. Também não procede a afirmação de que a situação estaria “sub judice” em relação ao Congresso realizado, não havendo qualquer decisão judicial suspendendo ou questionando sua validade. As tentativas de impedir sua realização foram rejeitadas pelas instâncias competentes. O único tema ainda em discussão judicial refere-se a pontos específicos da composição anterior da Executiva, matéria que não interfere na legitimidade do Congresso realizado”.
Com informações do portal “PlatôBR”.

