Uma discussão sobre a eleição para a presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) acabou respingando diretamente no ex-prefeito e pré-candidato ao governo Eduardo Paes (PSD). No plenário desta terça-feira (14), deputados do PL direcionaram críticas ao principal nome PSD no estado, acusando-o de atuar nos bastidores, em Brasília, para vencer a eleição “no tapetão”.
O líder do PL na Alerj, Filippe Poubel, afirmou que Paes estaria “orquestrando” um movimento para “demonizar o parlamento”.
“Todo esse movimento vem sendo orquestrado e arquitetado por uma única pessoa no estado do Rio de Janeiro: o senhor Eduardo Paes”, disse. Segundo ele, o ex-prefeito estaria usando mecanismos jurídicos para tentar ganhar as eleições “no WO” — termo em inglês para vitória por falta de adversário —, tirando todos seus oponentes “no tapetão”.
O deputado também afirmou que a Assembleia estaria sendo alvo de desgaste articulado nacionalmente.
“Estão demonizando o parlamento em Brasília e isso tem sido um jogo sujo orquestrado por quem quer assumir o poder em nosso estado”, afirmou.
Em seguida, o deputado Anderson Moraes (PL), ex-secretário estadual de Ciência e Tecnologia no governo Cláudio Castro (PL), relatou conversas que teve na capital federal.
“Estive em Brasília semana passada […] e falaram assim para mim: ‘Anderson, estão fazendo um trabalho aqui em Brasília pintando todos vocês como milicianos, como chefes de organizações criminosas’.”
Para reagir, Poubel afirmou que pretende “usar instrumentos legais dentro do regimento” da Alerj e pedir verificação de todos os projetos da oposição:
“Não vou buscar chorando o STJ, STF, pô, porque é uma covardia com o parlamento, é uma covardia com a população que nos elegeu”.
O deputado Alexandre Knoploch (PL), que abriu a discussão, também se manifestou.
“Se nós não fizermos uma defesa clara dos nossos mandatos e desta instituição, nós estaremos fadados a fechar esta Casa. Fechem esta Casa. Infelizmente vão se utilizando de diversos expedientes para enterrar a democracia, dizendo que são a favor da mesma”.
Luiz Paulo diz que recursos jurídicos foram anunciados desde o início
O líder do PSD na Alerj, deputado Luiz Paulo, rebateu as críticas afirmando que sua atuação é desde 2025, quando apresentou um projeto para regulamentar uma eventual eleição indireta em caso de dupla vacância por renúncia — cenário que, à época, considerava provável.
A proposta, no entanto, foi alterada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde acabou derrotado.
“Avisei na CCJ […] que eu ia à Justiça. Oficiei ao meu partido, o PSD, para fazê-lo e ele o fez”, explicou.
Segundo Luiz Paulo, a mudança do cenário — de dupla vacância por renúncia para cassação — embaralhou o processo, com decisões, revisões e pedidos de vista, além de idas e vindas nas atas do julgamento.
“O próprio julgamento em si ficou absolutamente confuso. […] A ata da primeira reunião diz que a eleição ia ser direta. Horas depois, erro material. A nova ata diz que a eleição ia ser indireta.”
Diante disso, segundo o deputado, o PSD decidiu levar o caso ao Supremo Tribunal Federal.
Eleição unânime de Bacellar, que ‘já respondia pelo Ceperj’, causa tensão no plenário
Ainda no início da sessão, Bruno Dauaire (União), do partido de Rodrigo Bacellar, criticou a forma como os próprios parlamentares se dividem, hoje, em extremos no debate sobre a sucessão. Segundo ele, há uma contradição entre o discurso atual e o histórico recente de votações para presidente da Alerj.
“Esta casa aqui votou de forma unânime na eleição do ex-presidente. O PSOL votou, o PT votou, o PDT votou, e vêm para cá com a narrativa que o Douglas Ruas, ou qualquer quer que seja, é continuação do grupo do Rodrigo Bacellar. Se tem um grupo aqui são (todos) os 70 deputados. Que coerência é essa?”, questionou.
Segundo Dauaire, Bacellar, “à época que foi votado, já respondia pelo Ceperj”.

