A investigação da Polícia Federal (PF) contra o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) apontou detalhes de como funcionava o suposto esquema de desvio de recursos públicos da Educação no interior do Rio. Segundo a PF, o grupo utilizava uma rede de empresas ligadas a Luis Fernando Passos de Souza, operador financeiro do parlamentar, para pulverizar o dinheiro recebido de escolas estaduais.
A PF detalha que as unidades escolares faziam transferências para a empresa VML Comércio e Serviços, que depois repassava os valores para outras firmas vinculadas ao esquema. A empresa teria recebido milhões de reais de escolas públicas do Noroeste Fluminense para realizar obras.
Para a PF no entanto, a VML Comércio e Serviços fazia parte de uma organização criminosa, chefiada por Thiago Rangel, voltada ao direcionamento de contratos e ao desvio de recursos públicos.
Esquema de desvio de verba da Educação
As mensagens analisadas pela PF mostram conversas entre o parlamentar e seu operador financeiro sobre obras em escolas estaduais. Em um áudio enviado em agosto de 2024, Luis Fernando pergunta ao deputado se as obras seriam liberadas e afirma precisar do “sinal verde”. Em outra mensagem, diz ser necessário “alinhar os empreiteiros” para começar a agir.
Ainda segundo as investigação, um mês depois, Thiago Rangel enviou uma lista com escolas, empresas e valores relacionados a procedimentos licitatórios para obras em unidades estaduais. “Amanhã saio com o pessoal”, responde o operador, indicando assim, segundo a PF, articulação para fraudes em contratos públicos.
Entre as escolas que fizeram pagamentos à VML estão Cieps localizados em Natividade, Cambuci, Aperibé, Itaocara e Bom Jesus do Itabapoana, cidades do reduto eleitoral do deputado Thiago Rangel.
VML Comércio e Serviços
Os valores recebidos pela VML eram transferidos para outras empresas ligadas ao grupo, e, em alguns casos, isso acontecia até no mesmo dia emm que o valor era transferido. Um exemplo citado no inquérito ocorreu em 18 de julho, quando a empresa recebeu R$ 49 mil de um Ciep em Aperibé e transferiu R$ 44 mil para outra firma poucas horas depois.
Ainda segundo a investigação, em 2025, cinco escolas estaduais repassaram mais de R$ 800 mil à VML. No mesmo período, a empresa transferiu mais de R$ 1 milhão para duas empresas: E H Almeida de Souza Casas de Festas e E H Almeida Reformas e Construções.
As empresas estão em nome de Edilene Henriques, esposa do operador financeiro Luis Fernando. A filha do casal, Fernanda Henriques, aparecia como procuradora da conta bancária da VML, segundo a PF.
Recursos de verba de gabinete na Alerj
A investigação da PF também aponta que a VML recebeu recursos da verba de gabinete da Alerj, e que Thiago Rangel utilizava a verba pública para alugar dois carros da empresa. Entre 2025 e 2026, foram pagos R$ 246 mil à companhia.
A PF aponta que, assim como ocorria com os recursos das escolas, os valores recebidos da Alerj eram transferidos para empresas da família de Luis Fernando. Em um dos casos citados, a VML recebeu, em 10 de junho, R$ 27 mil da Assembleia Legislativa, repassando, no mesmo dia, o valor para uma empresa de Edilene.
A defesa de Thiago Rangel afirmou que o parlamentar é inocente e que jamais teve operador financeiro, recebeu valores ilícitos ou praticou fraudes. A defesa ressalta ainda que o deputado não é sócio nem possui ingerência sobre a empresa VML e que o parlamentar desconhece as transferências mencionadas pela investigação.
Sobre os carros alugados da VML, a defesa declarou que os contratos constam nos registros da Alerj e que os veículos foram locados por valores de mercado.
A Secretaria de Estado de Educação informou que realiza uma revisão administrativa de todos os procedimentos relacionados às obras de manutenção e reparo nas unidades da rede estadual. A pasta acrescentou que Thiago Rangel não possui qualquer ingerência sobre a secretaria.
Com informações do RJ2, da TV Globo.

