Após romper de vez com Eduardo Paes (PSD), o pastor Silas Malafaia, tradicional mentor religioso da direita no Rio, voltou a estreitar os laços com a chapa do PL para a próxima eleição.
Neste domingo (3), na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, na Penha, ele recebeu no púlpito da igreja os pré-candidatos do partido à Presidência, Flávio Bolsonaro, e ao governo do estado do Rio, Douglas Ruas, em um culto marcado por acenos diretos ao grupo político do PL.
Malafaia também convidou para subir no ‘altar’ o ex-governador Cláudio Castro (PL), os deputados federais Sóstenes Cavalcante (PL) e Marcelo Crivella (Republicanos) e o ex-vereador Alexandre Isquierdo (PL) — todos pré-candidatos nas eleições de outubro. O pastor convidou os membros da igreja a estenderem a mão na direção dos políticos e confirmou sua aliança com o grupo em uma oração pedindo a “benção e vitória” para os seis.
“Lembra do caos econômico e social. Dê um escape para essa nação, afaste esses homens corruptos que estão comandando, dirigindo o narcotráfico, o crime organizado e todo tipo de praga do inferno. Nós declaramos a bênção, a vitória, em nome de Jesus”, disse Malafaia.
Também compareceram ao culto o prefeito de Nova Friburgo, Johnny Maycon (PL), e o presidente municipal do PL, Bruno Bonetti.

Malafaia critica Bolsa Família e deixa ‘recado’ à imprensa sobre STF
A reunião religiosa foi marcada pelo cunho político; Malafaia dedicou diferentes trechos do culto a comentários sobre seus desafetos no Executivo e no Judiciário. Antes do sermão, ele falou diretamente sobre ter se tornado réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por injúria e não escondeu suas críticas ao ministro Alexandre de Moraes.
“Quero declarar em alto e bom som, porque tem gente da imprensa aqui, que se o senhor Alexandre de Moraes e os outros não se arrependerem, virá justiça e juízo sobre eles em nome de Jesus”, declarou Malafaia.
Em outro momento, o líder religioso também teceu críticas à gestão do PT no governo federal e a políticas públicas defendidas pelo presidente Lula (PT).
“Esses caras estão governando há não sei quantos anos e têm 53 milhões de pessoas com Bolsa Família. Então piorou, gente. É compra de voto na maior cara de pau”, disse.
Pastor insinua que esquerda estaria ‘dando poder ao islamismo’
Malafaia também defendeu a aliança direta entre lideranças religiosas e políticos. Em determinado momento de sua reflexão, ele pede que os irmãos “deixem de ser trouxas” e insinua que políticos de esquerda ao redor do mundo estariam fortalecendo a ascensão de lideranças islâmicas.
“Querem substituir o modelo judaico-cristão pelo modelo ateísta-humanista. É isso que está em jogo. Acorda, povo de Deus. E sabe o que é que está acontecendo? Essa tentativa deles de atacar o cristianismo, de esculhambar com a igreja, esculhambar com o pastor e tudo isso, sabe o que é que eles estão fazendo? Eles estão dando poder ao islamismo”,
O culto marca uma nova fase da reaproximação entre Malafaia e o grupo de Bolsonaro. Além de ter recebido o elogio de Paes, o pastor carioca também havia declarado, no início do ano, que Flávio Bolsonaro “não empolgou a direita” e sugeriu uma chapa com Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro.

