Neste domingo, o eleitor do Rio de Janeiro não escolherá apenas quem vai ocupar o Palácio Guanabara pelos próximos quatro anos. O resultado das urnas também poderá determinar o tamanho — e o destino — de dois grupos políticos estabelecidos há anos no estado.
De um lado, Eduardo Paes (PSD), quatro vezes eleito prefeito do Rio, tenta finalmente atravessar a Baía de Guanabara e transformar uma carreira até hoje fortemente identificada com a capital em uma estratégia de alcance estadual — e, potencialmente, nacional.
Do outro, Douglas Ruas (PL) representa a possibilidade de o grupo político liderado pelo presidente estadual do partido, Altineu Côrtes, acrescentar o Palácio Guanabara a uma estrutura de poder que vem sendo ampliada eleição após eleição, com deputados, prefeitos e bases políticas espalhadas pelo estado.
O Planalto é o limite
Se Paes fechar a disputa hoje, o PSD fica bem na fita, o seleto grupo de mais próximos do ex-prefeito conquista o troféu do ano — mas a maior vitória será creditada a um projeto político do próprio ex-prefeito. Dele, e de mais ninguém.
Paes já tentou chegar ao governo do estado duas vezes. Em 2006, não passou do primeiro turno. Em 2018, chegou ao segundo, mas perdeu para a novidade de ocasião, o ex-juiz federal Wilson Witzel (PSC). Depois de uma temporada fora de cena, recuperou a prefeitura em 2020 e, quatro anos depois, conquistou seu quarto mandato no Palácio da Cidade com 60,47% dos votos válidos.
Uma vitória agora mudaria não apenas o endereço de Paes, mas sua dimensão política. Se fizer um bom governo no estado considerado “terra arrasada” da federação, estaria se credenciando até a disputar, em oito anos, a Presidência da República.
Afinal, governar o segundo maior colégio eleitoral do país daria ao ex-prefeito uma plataforma de lançamento que nunca teve. Depois de décadas construindo sua imagem política a partir da cidade do Rio, Paes passaria a comandar uma estrutura estadual e a estabelecer relações diretas com os outros 91 municípios fluminenses.
Deixaria o patamar de um prefeito popular da segunda maior cidade do país — para assumir o de líder político que fala de igual para igual com os outros 26 governadores, com ministros e, a depender do resultado da eleição nacional, com o presidente da República.
Os planos do PL a partir do Guanabara
Já uma vitória de Douglas Ruas produziria um movimento diferente. Em vez da expansão de uma trajetória essencialmente pessoal, significaria um novo avanço de uma estrutura partidária que vem sendo montada no Rio há pelo menos oito anos sob o comando de Altineu Côrtes e seu braço-direito Bruno Bonetti.
Presidente estadual do PL e primeiro vice-presidente da Câmara dos Deputados, Altineu e seus fiéis escudeiros trabalham com obstinação, desde a filiação de Jair Bolsonaro, na ampliação da presença do partido no estado. A estratégia passa pela formação de bancadas fortes na Assembleia Legislativa e na Câmara, pela conquista de prefeituras e cadeiras de vereadores e pela construção de relações políticas no interior.
Douglas é, ele próprio, produto dessa engrenagem.
Antes de se tornar candidato ao governo, construiu sua carreira a partir de São Gonçalo, onde seu pai, Capitão Nelson, é prefeito, e da proximidade política com Altineu. Depois, como secretário estadual das Cidades, ampliou as relações com prefeitos e lideranças municipais de diferentes regiões.
A chegada de Douglas ao Palácio Guanabara daria a esse grupo aquilo que ainda lhe falta: o comando direto do governo estadual.
E há uma diferença histórica importante.
O PL já governou o Rio com Cláudio Castro, mas não foi o partido que conquistou o Palácio Guanabara nas urnas em 2018. Wilson Witzel e Castro foram eleitos pelo PSC. Castro assumiu definitivamente o governo depois do impeachment de Witzel e só posteriormente se filiou ao PL, legenda pela qual conquistou a reeleição em 2022.
O ex-governador nunca creditou sua vitória ao PL — mas ao reconhecimento de seu trabalho como substituto de Witzel e, sendo mais realista, ao somatório de forças da Alerj.
Uma vitória de Douglas nesta eleição teria outra natureza: seria a chegada ao governo de um candidato formado dentro da atual estrutura política do PL fluminense e escolhido pelo próprio partido para representar seu projeto de poder.
Um plano de futuro
Na hora de digitar, o eleitor encontrará as opções para governador. Mas ao teclar o número preferido, poderá escolher também quem larga na frente na disputa pelo futuro político do Rio.
























































