Os advogados eleitorais do Rio estão em polvorosa. A decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) de barrar, nesta terça-feira (01), o registro de Val Ceasa (PRD) embaralhou o jogo para outros seis aspirantes. Todos tiveram as candidaturas contestadas pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que apontou supostas ligações dos políticos com o tráfico, o jogo do bicho ou a milícia — no caso de Val, com o Terceiro Comando Puro (TCP).
O MPE apresentou as ações com base na jurisprudência utilizada para combater a influência do crime organizado no processo eleitoral. O número de processos foi confirmado pelo próprio Ministério Público Federal (MPF) em balanço nacional sobre as Eleições de 2026.
O grupo representa quase metade das 15 candidaturas fluminenses contestadas pelo MP Eleitoral até agora. As demais ações envolvem outros motivos de inelegibilidade, como condenações e rejeição de contas.
As outras candidaturas sob os holofotes
João Drummond (PRD), vice-presidente da escola de samba Imperatriz Leopoldinense e candidato a deputado estadual, neto do bicheiro Luizinho Drumond, também teve o registro contestado pelo MPE, sob o argumento de que ele está ligado ao “universo da contravenção”.
Já sobre a candidata a deputada federal Mariana de Souza (PP), os promotores dizem que ela tem “vínculos profundos com o alto escalão do Comando Vermelho (CV)” e “representa um grave risco de infiltração do crime organizado na política”. Segundo o MPE, Mariana é casada com Wilson Marques de Albuquerque, o “Zé Dirceu”, apontado pela inteligência da polícia como o segundo homem na hierarquia do CV em Alagoas.
O MPE sustenta que a candidatura de Júnior da Lucinha, que disputa uma vaga de deputado estadual pelo PSD, representa uma estratégia de “sucessão meramente formal” para manter o chamado “espólio político-territorial” de sua família em áreas da Zona Oeste do Rio. Júnior é filho da deputada estadual Lucinha, que é ré em uma ação penal, acusada de constituição de milícia privada e de integrar o grupo paramilitar Bonde do Zinho.
Diego Alba, pré-candidato pelo PSDB a deputado estadual no Rio, tem em seu currículo uma condenação por formação de quadrilha em uma tentativa de assalto na modalidade conhecida como “saidinha de banco”, em 2009, e uma denúncia por estelionato, em 2016.
O deputado estadual e candidato à reeleição Renato Machado (PT), segundo o MPE, está respondendo a procedimentos investigatórios, inquéritos policiais e processos criminais que provam envolvimento com organizações criminosas.
Completa a lista Clébio Jacaré, candidato a deputado federal pelo União Brasil, que responde a ação penal ajuizada pelo Ministério Público pela suposta prática dos crimes de organização criminosa atuante mediante conluio com funcionários públicos, concussão, usurpação de função pública, estelionato contra a administração pública e corrupção passiva.
Advogados esperam publicação do acórdão
Chama a atenção, no caso de Val Ceasa, o fato de o deputado ter sua tentativa de reeleição barrada mesmo sem que o político tenha condenação, sequer denúncia.
Em 2024, a Justiça Eleitoral já havia indeferido o registro de candidatura de Fabio Augusto de Oliveira Brasil, o Fabinho Varandão, do MDB, ao cargo de vereador de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, por envolvimento com a milícia. Fabinho, porém, já havia sido denunciado por prática de extorsão e porte ilegal de arma de fogo, embora não tivesse condenação — assim como Val Ceasa.
“Estou esperando a publicação do acórdão para entender melhor o que foi decidido”, disse um dos advogados eleitorais mais procurados do Rio.
Tribunal considerou ‘conjunto de indícios’ de relação com facção
A relatora da ação, desembargadora Tathiana de Carvalho Costa, avaliou se os elementos reunidos pelo Ministério Público Eleitoral eram suficientes para impedir o registro da candidatura de Val Ceasa, mesmo sem uma condenação criminal. A discussão, segundo ela, era se a atuação atribuída ao deputado poderia ser enquadrada na proibição constitucional de uso de organizações paramilitares ou similares pelos partidos e, com isso, justificar o bloqueio da candidatura pela Justiça Eleitoral.
A desembargadora considerou que havia um conjunto de elementos que ultrapassava a simples suspeita de proximidade com a facção. Entre eles, estavam depoimentos considerados relevantes pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio, a atuação de Val Ceasa junto ao 16º BPM para questionar uma operação contra imóveis atribuídos à estrutura do TCP e a existência de supostos projetos sociais em propriedades apontadas como ligadas ao grupo.
A relatora também citou a composição da equipe do deputado, com pessoas que, segundo as investigações, tinham antecedentes criminais ou vínculos com integrantes da organização. Outro elemento considerado foi a concentração de votos de Val Ceasa em áreas apontadas como de influência territorial do TCP.
Com esse entendimento, ela votou pelo indeferimento do registro de candidatura. O colegiado acompanhou o resultado por unanimidade, embora os demais desembargadores tenham feito ressalvas sobre os critérios que devem ser aplicados em casos semelhantes.
Partido será investigado pelo MPE
A decisão também abriu uma discussão sobre a responsabilidade dos partidos na escolha de candidatos ligados a organizações criminosas. A possibilidade de responsabilização do Partido Renovação Democrática no caso Val Ceasa foi levantada pelo desembargador Bruno Bodart durante o julgamento.
Para ele, a Constituição não proíbe apenas a presença de integrantes de organizações paramilitares nas eleições, mas também impede que partidos políticos sejam usados por esses grupos para chegar às instituições públicas.
Bodart propôs que o caso fosse enviado ao MPE para que o órgão avaliasse a abertura de uma ação própria contra o partido, caso entenda que houve fraude à proibição constitucional. O desembargador comparou a situação aos casos de fraude à cota de gênero, que podem atingir toda uma chapa.
A proposta acabou ganhando apoio dos demais desembargadores.
A definição ocorrerá em prazo curto.
De acordo com o calendário eleitoral, a análise dos registros deve ocorrer até 14 de setembro. Até lá, será possível saber quantos dos candidatos questionados pelo Ministério Público Eleitoral permanecerão na disputa.
Comments 13
Bem, se a escola ñ está regular ñ deveria estar com as portas abertas. Não deveria se quer ter matriculado alunos. Vejo aí estelionato se ñ é reconhecida pelos órgãos competentes. Cadê o PROCON/RJ ?
Com todo respeito, Virgílio, mas que você não leu a matéria completa. Pelo que está escrito a escola está com regularidade pra funcionar normalmente, o que ela não tem é a autorização pra utilização do termo “bilíngue” como divulgação, pq não se adequa a todas as normas necessárias pra se autodenominar assim. É mais uma questão de se apropriar do título e não de estar irregular de fato.. a escola pode continuar funcionando normalmente só que sem esse “título”
Rafael, a escola tem tudo para funcionar, mas se aplica à propaganda enganosa, vender algo que não tem,
Não se trata de somente uma nomenclatura, mas sim da quantidade e dos processos usados na escola na implementação de uma outra língua no cotidiano dos alunos.
Por isso quando você não é Escola Bilíngue, você nao atende a todos esses requisitos.
Caracterizando propaganda enganosa, vendeu algo que não tem.
O meu voto será para Eduardo Paes Governador e Lula Presidente.
Educação ruim, tudo caro e o amigo querendo votar no PAES e LULa para eles comerem picanha e vc pé de galinha
Perfeito.fora milicianos
Lula presidente vamos ganhar mais uma.
por isso que a nossa educação e nosso país estão assim, numa reportagem, onde tem uma escola fazendo propaganda enganosa,, USAR ALGO QUE NÃO TEM.
VEM AQUI PARA FALAR QUE VAI VOTAR EM ALGUEM CORRUPTO QUE NAO MUDA NADA… É DE SE LAMENTAR, MAS ESTAMOS NUMA DEMOCRACIA, VAI LA VOTA E VAI ELES VAO COMER PICANHA, VOCE NAO.
Como essa tem diversas outras. Pra usar o título bilíngue tem que seguir os parâmetros curriculares da lei. Ou seja, mínimo de 10horas semanais de prática do segundo idioma.
Moradora neh! chora!! Vai viver com a escola ! AHUAUHAHU
ALVARÁ PARA FUNCIONAR E UMA COISA & CREDENCIAMENTO PARA LECIONAR E OUTRA & VIVA A ESCOLA PUBLICA DO RJ & DO BRASIL !
Não se trará de política de Direita ou Esquerda…A iniciativa privada às vezes ,extrapola seus valores e não adequa o serviço ao que nos é oferecido. Se tratando de uma escola, acho justo processar..Além de agirem de má fé, faz com que estudantes percam tempo, supondo estar em uma instituição séria, dando-lhes garantias documentais..
Infelizmente, em.nosso país, essa discredibiludade tornou-se recorrente. São décadas é décadas de erros.
Vamos torcer para que tudo termine bem para os discentes. Que colégio acerte o passo e consiga dar continuidade ao seu propósito.
A diretora de bilinguismo formação em inglês tem! Não sabe nada de ensino de línguas!