A turma da Polícia Militar está de orelha em pé com os acontecimentos deste domingo (11), em Jacarepaguá. E há um nome que voltou a circular com força nos bastidores da corporação: Aristheu de Góes Lopes. O coronel, afastado do comando do Bope depois da operação que matou um jovem durante uma festa junina no Morro Santo Amaro, em junho de 2025, está novamente à frente da estrutura responsável pela tropa de elite da PM.
Desta vez, a tragédia aconteceu dentro da própria corporação. Policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e do 18º BPM (Jacarepaguá) trocaram tiros durante uma ocorrência na Freguesia, na Zona Sudoeste do Rio. O subtenente Gláucio Marcelo Fonseca da Silva, de 54 anos, morreu. Outros cinco militares ficaram feridos. A principal hipótese investigada é a de fogo amigo: os policiais do batalhão de área teriam confundido os colegas do Bope com criminosos.
A coincidência que chama a atenção é a presença de Aristheu no alto da cadeia de comando das duas operações. Em 2025, ele comandava diretamente o Bope. Agora, está à frente do Comando de Operações Especiais (COE), ao qual o batalhão é subordinado.
Incursão do Bope no Santo Amaro levou à exoneração de Aristheu
O coronel assumiu o COE em 13 de agosto, pouco mais de um ano depois de ter sido exonerado do Bope por determinação do então governador Cláudio Castro (PL). A mudança devolveu a Aristheu a responsabilidade de coordenar as principais unidades especializadas da Polícia Militar, incluindo justamente o batalhão que havia comandado antes da tragédia no Santo Amaro.
Naquela ocasião, a incursão do Bope no Morro Santo Amaro, no Catete, interrompeu uma festa junina e terminou com a morte de Herus Guimarães Mendes, de 23 anos. Outras cinco pessoas foram baleadas.
O episódio provocou indignação, protestos e uma crise na cúpula da segurança pública. Além de Aristheu, foi exonerado o então comandante do COE, coronel André Luiz de Souza Batista. O secretário estadual de Polícia Militar na ocasião, Marcelo de Menezes, reconheceu falhas no planejamento da operação e afirmou que protocolos e procedimentos da corporação não haviam sido observados.
Aristheu, que não foi acusado criminalmente pela morte de Herus, continuou sua trajetória na Polícia Militar. Passou por outros postos de comando até assumir, em agosto deste ano, o COE.
Agora, menos de dois meses depois de sua chegada à unidade, uma n0ova ocorrência envolvendo o Bope termina em morte. Segundo a versão apresentada pela corporação, policiais do Bope realizavam uma abordagem a um veículo na Rua Guilherme Moreira, na divisa da Freguesia com a Gardênia Azul, quando agentes do 18º BPM se depararam com a movimentação. A baixa luminosidade teria contribuído para que os militares confundissem a ação dos colegas com uma abordagem criminosa.
Os disparos atingiram seis policiais. Gláucio morreu, quatro integrantes do Bope ficaram feridos, assim como um policial do 18º BPM. Todos foram encaminhados ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca.
A história de Gláucio acrescenta uma dimensão ainda mais dolorosa à tragédia. Com 26 anos de corporação, a maior parte deles no Bope, o subtenente deixou três filhos. Seu irmão, Héber Carvalho da Fonseca, também policial militar, havia morrido em outubro de 2025, durante a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão. Em menos de um ano, a família perdeu dois integrantes da tropa de elite.
Ação desastrosa está sendo investigada pela Delegacia de Homicídios e pela Corregedoria
A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) e a Corregedoria Interna da PM, por meio da 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar, investigam as circunstâncias do confronto.
Entre as questões que precisarão ser esclarecidas está a comunicação entre as unidades e o conhecimento prévio, pelo batalhão de área, da presença de policiais do Bope naquela região.






























































