As pesquisas divulgadas no último fim de semana acertaram parte do desenho da disputa no Rio, mas ficaram longe de reproduzir o tamanho das forças que apareceram nas urnas. Para o governo do estado, Datafolha, Paraná Pesquisas e Gerp apontavam Eduardo Paes (PSD) na liderança, com vantagem entre nove e 13 pontos sobre Douglas Ruas (PL). Com 100% das urnas apuradas, no doming (04), o cenário foi bem diferente: Ruas terminou na frente, com 49,27% dos votos válidos, contra 42,76% de Paes.
O Datafolha dava 47% para Paes e 35% para Ruas — uma vantagem de 12 pontos para o candidato do PSD. Nas urnas, porém, Ruas abriu 6,51 pontos sobre Paes. O Paraná Pesquisas apontava cenário semelhante, com 47,9% a 34,4% para o ex-prefeito do Rio, distância de 13,5 pontos.
Enquanto isso, o Gerp era o levantamento que mostrava uma disputa mais apertada, mas ainda assim colocava Paes na frente, por 47% a 38%. Na prática, os três institutos não apenas subestimaram o desempenho de Ruas — em até 14,9 pontos percentuais — como também indicaram, às vésperas da votação, uma ordem inversa entre os dois principais candidatos ao governo do estado.

Benedita se manteve na liderança nas últimas pesquisas
No Senado, a divergência apareceu de outra maneira. As pesquisas utilizavam metodologias distintas, o que impede uma comparação direta dos percentuais, especialmente porque o eleitor podia escolher dois candidatos. Ainda assim, há uma diferença objetiva na ordem dos candidatos.
No Datafolha da última sexta-feira (02) Benedita da Silva (PT) liderava com 19%, enquanto Carlos Portinho e Carlos Jordy, ambos do PL, tinham 13% cada. O Gerp também colocava Benedita à frente, com 45%, seguida por Portinho, com 27%, e Jordy, com 24%.
Já no sábado, de acordo com o levantamento do Datafolha, considerando os votos válidos, Benedita aparecia com ainda mais vantagem: 26%; contra 19% de Portinho e 18% de Jordy.
As urnas, porém, inverteram esse quadro. Carlos Portinho foi o mais votado, com cerca de 26,77% dos votos válidos, e Carlos Jordy ficou em segundo, com 24,56%, garantindo ao PL as duas vagas do Rio no Senado.
Benedita, que aparecia na liderança nas últimas pesquisas, terminou em terceiro, com 20,22%, e ficou fora do Senado. Pedro Paulo (PSD) recebeu aproximadamente 11,95%, e Mônica Benício (PSOL), 9,66%.
Urnas mudaram o roteiro
Os números mostram que as pesquisas da reta final conseguiram identificar os principais nomes competitivos, mas não captaram a movimentação decisiva do eleitorado nos últimos dias — ou não conseguiram medi-la com precisão. Na disputa pelo governo do estado, a discrepância foi relevante: Ruas, que aparecia atrás em todos os levantamentos, terminou a votação na liderança.
No Senado, o nome de Benedita, que liderava as pesquisas, terminou sem garantir uma das duas vagas, enquanto os dois candidatos do PL transformaram uma disputa que parecia aberta em uma dobradinha nas urnas.
O contraste não significa, por si só, que uma pesquisa tenha sido tecnicamente “errada”: levantamentos são fotografias de determinado momento, trabalham com margens de erro e metodologias específicas. Mas, quando pesquisas divulgadas 48 horas antes da votação mostram um candidato com vantagem de até 13,5 pontos e as urnas entregam o adversário 6,5 pontos à frente, a distância entre a fotografia publicada e o resultado efetivo se torna, inevitavelmente, parte da análise da eleição.