A deputada federal Benedita da Silva, pré-candidata do Partido dos Trabalhadores ao Senado pelo Rio de Janeiro, se reuniu com o presidente nacional da legenda, Edinho Silva, na manhã desta quarta-feira (13), em Brasília.
Segundo interlocutores do partido, Benedita foi agradecer pessoalmente a decisão tomada pela Executiva Nacional na noite anterior, quando o órgão decidiu arbitrar sobre a definição dos suplentes da chapa ao Senado no estado.
Ficou acertado que a palavra final sobre os nomes será dada na próxima reunião da Executiva Nacional do PT, colegiado composto por 27 dirigentes partidários, entre eles o prefeito de Maricá e vice-presidente nacional da sigla, Washington Quaquá.
Fim da disputa
Por 18 votos favoráveis e três abstenções, a Executiva Nacional decidiu que caberá ao diretório nacional — e não ao estadual — a definição dos suplentes da chapa de Benedita. A resolução anula decisão anterior do diretório fluminense, controlado pelo grupo político de Quaquá.
No feriado de Tiradentes, em 21 de abril, o diretório estadual aprovou resolução indicando o vereador Felipe Pires e o cantor gospel Kleber Lucas como suplentes da deputada. A oposição interna questionou o quórum da reunião e levou o caso à direção nacional do partido.
Na ocasião, Benedita também se manifestou em artigo publicado na revista Fórum, defendendo seu “direito de decidir” sobre a composição da chapa.
A decisão da Executiva Nacional provocou reação de Quaquá, que escreveu em grupo de WhatsApp do partido que retiraria apoio à pré-candidatura de Benedita ao Senado por considerar que ela pretendia transformar o PT fluminense em uma “capitania hereditária”.
O embate ocorre em meio às disputas internas do partido no estado. Quaquá é pai do presidente estadual do PT-RJ, Diego Zeidan, pré-candidato a deputado federal. A candidatura de Zeidan foi um dos fatores de desgaste entre Quaquá e seu antigo aliado, Fabiano Horta, que governou Maricá por dois mandatos consecutivos.
Preferência de Benedita
Benedita não esconde a preferência para que seu suplente seja seu ex-secretário de Articulação Política e ex-presidente da Casa da Moeda, Manoel Severino, fundador do PT e homem de sua confiança. A tendência, segundo integrantes do partido, é que o nome de Severino ganhe força na reunião marcada para a próxima semana.
Os dois têm intensificado agendas conjuntas. Na segunda-feira, estiveram em Paracambi para encontro com o prefeito Andrezinho Ceciliano, de quem Severino já foi chefe de gabinete.
Quaquá acusa Severino de envolvimento em escândalos no passado. Integrantes ligados a Benedita ressaltam, porém, que ele nunca foi condenado, não responde a processos e teve as contas de sua gestão na Casa da Moeda aprovadas.

