O carnaval ainda está longe. Mas os repiniques já anunciam as negiciações para o fim do atual mandato de Gabriel David na Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), daqui a pouco menos de um ano.
O primeiro movimento explícito é do ex-presidente Capitão Guimarães — que quer emplacar o sobrinho, Pedro Gomes, no cargo. Embora a notícia não traga muitas alegrias aos corredores da folia.
A avaliação da turma — vários presidentes de escolas incluídos — é que o carnaval poderia sofrer com retrocessos, porque o grupo de Guimarães prefere outros modelos de gestão, semelhantes aos adotados nos 17 anos em que Jorge Castanheira e Jorge Perlingeiro estiveram no comando da Sapucaí.
O próprio Capitão presidiu a Liesa com estilo parecido.
A Liesa vivia a era analógica
É verdade que, no longo período do grupo no poder, o carnaval do Rio sofreu as maiores derrotas de sua história. As escolas viram minguar os investimentos de município, estado e administração federal. Também tiveram a credibilidade comprometida, com os acidentes trágicos de 2017 e a virada de mesa de 2018.
Para quem não está ligando os nomes às práticas, foi a era radicalmente analógica, dos ingressos vendidos via fax, por exemplo.
Alguns presidentes defendem a permanência de Gabriel por mais um mandato. A leitura é que a atual gestão trouxe avanços significativos em itens como profissionalização, tecnologia nas vendas, mais diálogo com marcas, eventos populares, fortalecimento institucional e afirmação do carnaval como produto global.
Uma frase circula com muita força nas conversas: “O carnaval não pode voltar a ter dono”.

