O presidente da Câmara dos Vereadores do Rio, Carlo Caiado (PSD), disse que todas comissões e líderes legislativos estão mobilizados para que a primeira votação do projeto Praça Onze Maravilha aconteça já na semana que vem. O anúncio foi feito nesta terça-feira (28), durante o seminário “Rio em Tempo Real: Praça Onze Maravilha”, que reuniu vereadores e especialistas no Salão Nobre da Câmara.
“A sociedade está representada pelos vereadores neste processo. Estamos recebendo emendas, discutindo o tema e trabalhando para que o processo seja intensamente debatido para ir a votação”, informou Caiado.
Debates voltados para as pessoas que já moram no entorno do Sambódromo
No seminário desta terça-feira a questão de um olhar profundamente voltado paras pessoas foi o tema central do debate. Diferentemente do que vem acontecendo no Porto Maravilha e no Reviver Centro, a área escolhida para a continuação da revitalização das áreas centrais da cidade já é densamente povoada. São cerca de 50 mil pessoas vivendo no Estácio, Catumbi e imediações da Praça da Cruz Vermelha.
Vereador licenciado e secretário municipal de Conservação, Diego Vaz, destacou que o principal ponto do Praça Onze Maravilha é ouvir as pessoas que vivem no local, saber de suas principais demandas. Ele também ressaltou que a segurança jurídica para quem vai investir no local é fundamental, a exemplo do que já foi feito no Porto Maravilha. Ele também explicou que é necessário olhar para os detalhes.
“Estamos convencidos de que precisamos cuidar da cidade como cuidamos dos parques, com contratos específicos para cada área, analisando coisas como tipo de pavimentação, modelo de praça…”.
Índice de Progresso Social no local precisa ser melhorado
O secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Osmar Lima, também focou na questão das pessoas que moram na área do Praça Onze Maravilha:
“Registramos ali o pior Índice de Progresso Social da cidade. A qualidade de vida dessas pessoas precisa melhorar”, disse, informando ainda que a derrubada do Elevado 31 de Março vai ajudar a integrar novamente os bairros e criar mais oportunidades de trabalho para as pessoas.
Osmar reafirmou ainda o compromisso de realização de parcerias público-privadas para financiar as obras necessárias, orçadas em cerca de R$ 1,75 bilhão.
Criação de empregos para moradores na pauta das discussões
A vereadora Maíra do MST (PT) também falou da importância de focar o projeto nas pessoas que já moram na área, inclusive ampliando serviços de saúde, creches e escolas:
“Os moradores têm que ser a questão central. São quase 50 mil, num local com muitas manifestações culturais. A questão da empregabilidade de quem mora lá também precisa ser debatida, inclusive nas oportunidades que vão surgir por causa dos eventos culturais”.
O vereador Wellington Dias (PDT) pediu atenção especial às pessoas que moram atualmente no entorno do Sambódromo.
“A área é muito carente. Restaurar as construções onde essas pessoas moram tem que fazer parte do debate. É também necessário que os mais pobres tenham acesso ao carnaval, que ficou muito caro”, cobrou.
Fonte de renda mais perto de casa para as pessoas
A vereadora Helena Vieira (PSD) também se mostrou atenta à questão econômica de quem mora na área do projeto.
“Aquela área precisa ter vida. Os moradores precisam da oportunidade de obter uma fonte de renda no local onde moram. Acredito que, baseado na experiência e no aprendizado, o Praça Onze Maravilha vai ser ainda melhor que o Porto Maravilha”, destacou.
Paixão pelo patrimônio histórico e sensação de pertencimento
A presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, Laura DI Blasi, relatou que há três áreas já previstas como de proteção ao ambiente cultural, sendo elas a Cidade Nova, Santa Teresa e Cruz Vermelha. Ela citou marcos importantes como a Vila Operária, a Igreja Nossa Senhora da Salete, que abrigou pessoas perseguidas pelo regime militar, e o pórtico do sistema penitenciário da Frei Caneca:
“Na questão do patrimônio, a gente trabalha com paixão, a paixão das pessoas, que preservam por uma questão de pertencimento, ao sentirem que são donas daquele espaço”, disse ela, que aposta num circuito cultural na área, que tem como destaque, por exemplo, a área já tomada da escola de samba Estácio de Sá, herdada da primeira escola de samba da história, a Deixa Falar.

Intervenções para melhorar o maior espetáculo da Terra
O presidente da Liga Independente da Escolas de Samba (Liesa), Gabriel David, aposta no uso do Sambódromo durante todo o ano, inclusive ligado a eventos não necessariamente do samba, como aconteceu recentemente com o Rio Fashion Week. Ele também disse que a Liesa irá contribuir com sugestões para tornar a operação do desfile das escolas de samba muito mais eficiente.
“Precisamos ampliar as áreas de concentração e dispersão dos desfiles, fazer uma duplicação dos acessos internos da Sapucaí, para que as passagens de público e de prestadores de serviço não se confundam. Hoje, no mesmo lugar passam as pessoas que vão para arquibancadas, frisas e camarotes e trabalhadores carregando gelo, bebidas, levando lixo. Também precisamos criar passagens subterrâneas dentro e fora da Sapucaí entre os setores par e ímpar, para facilitar o acesso das pessoas”, enumerou David, ressaltando que neste ano a venda de ingressos da festa chegou a 186 países.
Segurança institucional para garantir o andamento do projeto
O vereador Átila Nunes (PSD) lembrou o Praça Onze Maravilha é um projeto de estado, não de governo, o que significa que a atuação dos vereadores na criação de uma lei garantem que as realizações tenham continuidade independentemente de quem estiver ocupando o cargo de prefeito.
“Não é um projeto para o ano que vem. É um processo, que vai acontecendo ao longo de um grande período. E algo assim é um tipo de discussão ganha-ganha entre situação e oposição, porque é de interesse da cidade. Acho que vai se tornar um ‘case’ de sucesso, referência para todo o Brasil”, discursou.
Os principais eixos do projeto Praça Onze Maravilha
O projeto da prefeitura que cria a Área de Especial Interesse Urbanístico Praça Onze Maravilha inclui, além das alterações viárias, com a construção de mergulhões e acessos após a demolição do Elevado 31 de Março, e dos incentivos para novos empreendimentos, a revitalização cultural da região. Há planos de construir uma nova Cidade do Samba na Avenida Presidente Vargas, e da Biblioteca dos Saberes, a área onde hoje está o Terreirão do Samba.
“Rio em tempo real: Praça Onze Maravilha” teve a participação dos vereadores Wellington Dias (PDT), Maíra do MST (PT), Helena Vieira (PSD) e Átila Nunes (PSD); além do vereador licenciado e secretário municipal de Conservação, Diego Vaz, da presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, Laura Di Blasi, do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, e do presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Gabriel David. A mediação foi realizada pela jornalista Berenice Seara, colunista do portal TEMPO REAL.

