A Câmara do Rio aprovou, nesta quinta-feira (9), a entrega da Medalha Pedro Ernesto ao empresário mineiro Tallis Gomes, conhecido por declarações polêmicas como “Deus me livre de mulher CEO” e “não contrato esquerdista”. A iniciativa foi do vereador Rafael Satiê (PL) e recebeu votos contrários de Monica Benício e Rick Azevedo, ambos do PSOL.
Fundador da Easy Taxi e cofundador do G4 Educação, Tallis Gomes é reconhecido por sua trajetória como empreendedor e tem 2 milhões de seguidores no Instagram. Nos últimos anos, ele se envolveu em controvérsias devido a declarações consideradas machistas, à defesa de longas jornadas de trabalho e a campanhas contra funcionários de orientação política à esquerda.
‘Tallis representa o Brasil que dá certo’
Ao defender a homenagem em plenário, Satiê ressaltou o mérito e a livre iniciativa:
“Tallis representa o Brasil que dá certo. Um homem que saiu de baixo, enfrentou dificuldades reais e construiu soluções que geram emprego, renda e dignidade. É disso que o Rio precisa: menos discurso e mais resultado”, afirmou o vereador.
Polêmicas em torno do nome do empresário
Apesar do elogio, a homenagem não é consenso. Em 2024, Tallis virou alvo de inquéritos do Ministério Público do Trabalho (MPT) após declarar que não contrata esquerdista e defender jornadas de até 70 ou 80 horas semanais. As apurações investigaram discriminação e excesso de trabalho.
No mesmo ano, ele deixou o comando da própria empresa, G4 Educação, depois de repercutir uma postagem em que escreveu “Deus me livre de mulher CEO”, associando lideranças femininas a um suposto processo de “masculinização”. O cargo de CEO passou a ser ocupado por Maria Isabel Antonini.
Em 2025, Tallis voltou ao centro das polêmicas ao apoiar nas redes uma movimento contra funcionários que comemorassem a morte do influenciador conservador Charlie Kirk. O caso levou parlamentares do PSOL a apresentar denúncia no MPT, acusando o empresário de incentivar patrões a monitorar opiniões políticas de empregados e a demitir quem discordasse.
Vereadores do PSOL repudiam a homenagem
Na tribuna, Monica Benicio afirmou que a homenagem desvirtua o sentido da medalha.
“A Medalha Pedro Ernesto é um reconhecimento dado pela Câmara Municipal a pessoas que são referência em seus setores e que contribuem para a evolução da sociedade. Devemos dar essa honraria para quem é exemplo de boas condutas. Esse senhor, que é homenageado hoje pelo vereador Rafael Satiê, é o contrário disso”, disse a parlamentar.
Rick Azevedo fez coro e atacou a escolha do homenageado.
“Não acredito que cabe em uma Casa do povo, como é, ou deveria ser, a Câmara Municipal, a homenagem a um cidadão que já admitiu fazer seus funcionários trabalharem até 80 horas por semana e deu declarações contrárias à presença de mulheres em posições de poder”, afirmou.

