O tenente-coronel Marcelo Corbage, comandante do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope), era um dos primeiros na pré-lista elaborada pela gestão do ex-secretário da PM Marcelo de Menezes para a promoção ao último posto da corporação, o de coronel. Mas a nova administração, sob a responsabilidade de Sylvio Guerra, passou o nome do “caveira” para a 27ª posição.
Corbage comandou a Operação Contenção nos complexos do Alemão e da Penha em outubro de 2025, que resultou em 122 mortes. Ele tem comprovada experiência operacional e já cumpriu o tempo mínimo como tenente-coronel — principal exigência prévia para a indicação à promoção.
Mas ficou com 21,40 pontos e foi ultrapassado por colegas como Eliezer de Oliveira Farias, da Escola Superior de Polícia Militar (ESPM), que não teria comandado um único batalhão e foi repetente na escola de formação de oficiais — mas conquistou 22,12 pontos e o quarto lugar na lista.
A informação sobre a queda de Corbage explodiu na tropa — e não como motivo de alegria. Entre os oficiais, há quem acuse a “turma do calção preto”, que é dedicada à educação física da corporação, de privilegiar os colegas — em prejuízo de quem se arrisca nas ações de campo.
Operação teve a aprovação da opinião pública
A indicação de Corbage foi encaminhada por Menezes poucos dias antes de pedir exoneração do posto.
Apesar do elevado índice de letalidade (ou talvez, por causa dele) a operação do Alemão e da Penha foi amplamente aprovada pela opinião pública — e se tornou um potente ativo eleitoral. O índice de intenções de votos em Castro para o Senado; em Flávio Bolsonaro para a Presidência da República; e de outros pré-candidatos do PL e da direita foram impulsionados depois da ação policial.

