Após pedir exoneração do cargo de secretário estadual de Governo, Jair Bittencourt (PL) retomou seu mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e discursou pela primeira vez no expediente final desta terça-feira (31).
O deputado havia sido nomeado como secretário em 23 de março pelo então governador Cláudio Castro (PL), pouco antes da renúncia do chefe do Executivo.
A escolha do parlamentar, conhecido por sua boa relação com os colegas, foi considerada estratégica para manter a articulação política durante o período em que o desembargador Ricardo Couto assume interinamente o governo.
‘Nunca usei o cargo para pressionar deputados a votar em alguém’, disse Bittencourt
No final da sessão plenária, Bittencourt fez questão de rebater as acusações de que teria interferido na eleição de Douglas Ruas (PL) à presidência da Alerj: “nunca usei o cargo para pressionar deputados a votar em alguém”.
Ele negou ter usado sua posição para influenciar a eleição de um deputado governista na Assembleia. Segundo o parlamentar, sua função era apenas institucional, para articular políticas, integrar secretarias e manter interlocução com municípios.
Jair Bittencourt também afirmou que pediu a própria exoneração para que Couto pudesse “governar sem interferências”.
Ex-secretário afirma que governador interino precisa de base na Alerj
O deputado chamou atenção para o desafio de governar sem apoio parlamentar e deixou claro que o período do desembargador Ricardo Couto à frente do Executivo não é rotina.
“Eu falei ao governador interino, ele vai precisar de uma base na Alerj. Ele vai viver momentos que ele não vive no Tribunal de Justiça”, disse.
Para ele, Couto enfrenta riscos institucionais reais caso prolongue seu mandato. “A minha opinião é que esse período deveria ser breve. É muito perigoso ter um membro do Poder Judiciário governando por muito tempo”, afirmou.

