A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concederá ao ex-estudante Stuart Angel o diploma póstumo de Economia, nesta terça-feira (07), às 16h30, no Salão Dourado do Palácio Universitário, no Campus da Praia Vermelha. Stuart Angel não pôde concluir o curso porque foi preso, brutalmente torturado e assassinado pela ditadura militar, em 1971.
A solenidade terá a presença do reitor da universidade, Roberto Medronho, de amigos, amigas e da irmã do ex-estudante, Hildegard Angel.
Filho do ex-ministro do Trabalho e ex-presidente da Superintendência da Reforma Agrária no Governo Jango, João Pinheiro Neto — preso e cassado por ato institucional, em abril de 1964 — o economista Henrique Pinheiro, produtor executivo do documentário “Terra Revolta — João Pinheiro Neto e a reforma agrária”, disse que a homenagem “já deveria ter acontecido há mais de meio século”.
“Stuart Angel não estará lá. Por que foi assassinado pela ditadura militar, em maio de 1971. Sua mãe, Zuzu Angel, passou anos à procura do filho”, relembrou Henrique.
Hildegard foi incansável na preservação da memória de Zuzu e Stuart Angel
O diretor disse que foi justamente aí que nasceu uma das histórias mais comoventes da resistência à ditadura. Ele lembrou que Zuzu Angel poderia ter escolhido o silêncio, poderia ter se recolhido à dor. Poderia até ter aceitado a versão oficial. Mas não aceitou. A mãe, que dedicou os últimos anos da vida à busca da verdade sobre o destino do filho tornou-se mais uma vítima da ditadura.
“Mas a história não terminou ali. Se a ditadura matou Stuart e mais tarde calou Zuzu Angel, não conseguiu destruir a memória da família. Essa missão foi assumida por Hildegard Angel, irmã de Stuart e filha de Zuzu. Ao longo de décadas, Hildegard transformou a preservação da memória do irmão e da mãe em uma causa de vida. Como jornalista e escritora, reuniu documentos, concedeu entrevistas, participou de debates públicos e ajudou a impedir que uma das histórias mais dolorosas da ditadura brasileira fosse esquecida”, disse Henrique Pinheiro.

