Levantamento aponta que o governo do estado já garantiu a recuperação da maior parte do dinheiro aplicado pelo Rioprevidência por intermédio no Banco Master. De acordo com o relatório da Polícia Federal, a autarquia investiu R$ 2,012 bilhões em fundos e R$ 970 milhões em letras financeiras.
Na semana passada, o governador em exercício Ricardo Couto disse, em Brasília, que estimava recuperar R$ 1,4 bilhão — ou seja, menos de 40% do total.
Mas não é o que o que dizem servidores da autarquia — que inclusive, permanecem na atual gestão.
Como está a situação de cada um dos investimentos
No Fundo Arena, foram aplicados R$ 1,371 bilhão. Do total, 100% já foi resgatado — a última parcela, em 10 de dezembro de 2025. A aplicação, de acordo com servidores, registrou rendimento de R$ 22,6 milhões. Ou seja, R$ 1,4 bilhão já tinha voltado aos cofres no fim do ano passado.
No Fundo Revolution, o resgate do investimento de R$ 481 milhões está agendado para agosto. O saldo do fundo é comunicado ao Rioprevidência todos os meses — e, de acordo com documentos, os extratos relatam que há dinheiro suficiente para o retorno com lucro.
No Fundo Horizonte, foram R$ 10 milhões, e o resgate, também programado para agosto, estaria igualmente garantido.
No caso das letras financeiras (onde foram parar os R$ 970 milhões), a 2ª Vara de Fazenda Pública do Rio determinou que o governo do estado retenha os valores devidos ao Banco Master e à PKL One Participações S.A., relativos a empréstimos consignados feitos pelo funcionalismo, até que o valor seja restituído, com juros. De saída, atendendo à ação impetrada pela gestão anterior, a Justiça já bloqueou R$ 206 milhões. O restante, de acordo com o que ficou determinado, vai ser ressarcido em 25 parcelas até o investimento estar 100% recuperado. E com o rendimento.
Ou seja, já foram devolvidos, ou está garantida a recuperação, de R$ 2,832 bilhões.
Mas R$ 150 milhões foram investidos, literalmente, em fundo perdido
O calcanhar de Aquiles das aplicações é o Fundo Texas, onde foram investidos R$ 150 milhões. Lá foram registrados sérios e graves problemas, porque o fundo é composto majoritariamente por ações da Ambipar, uma gigante brasileira de soluções ambientais que entrou em crise.
Essa operação ocorreu meses antes de as ações da empresa derreterem e da companhia pedir recuperação judicial. Dificilmente esse dinheiro será recuperado.
O que diz o Rioprevidência
Apesar das declarações de Couto, de que estimava ecuperar R$ 1,4 bilhão dos R$ 3 bilhões investidos no Master, o Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência) confirmou, em nota, que já está com este valor de volta no caixa desde dezembro. E também informou que a decisão sobre a retenção dos consignados até o valor R$ 970 milhões permanece válida. Segue a íntegra da nota.
“O Rioprevidência esclarece que a recuperação dos valores investidos pela gestão anterior em fundos geridos pelo Banco Master é tratada com total prioridade pela atual administração. E ressalta que segue adotando todas as medidas necessárias para reaver esses recursos.
Em relação à aplicação em Letras Financeiras do Master, o Rioprevidência reitera que já obteve decisão judicial favorável para a retenção dos valores, no montante de R$ 970 milhões, devidos à instituição e à PKL One Participações S.A, relativos a empréstimos consignados. A decisão segue válida.
A autarquia informa, ainda, que em dezembro de 2025, houve o resgate de aproximadamente R$ 1,4 bilhão de fundo administrado pelo Master”.
Quando o TEMPO REAL insistiu sobre os resgates agendados para agosto, dos fundos Revolution e Horizonte, totalizando mais R$ 491 milhões, o Rioprevidência não quis confirmar — mas não negou. Segue a outra nota enviada à redação:
“O Rioprevidência reitera que segue tratando com total prioridade a recuperação de valores investidos pela gestão anterior em fundos geridos pelo Banco Master. E ressalta a necessidade do sigilo, para não interferir na precificação de mercado dos ativos e prejudicar a estratégia de recuperação desses recursos financeiros”.

