Até o início do ano, o nome do então vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) provocava arrepios na Câmara de Vereadores do Rio — e nem sempre entre a oposição. Já cientes de que o moço ia assumir o comando da prefeitura, muitos integrantes da base torciam o nariz para o jovem político e temiam o pior.
Quando o dono da bola, Eduardo Paes (PSD), deixou o campo em março, passou a braçadeira de capitão para o vice e partiu para outros campeonatos, a expectativa da turma era de encontrar um zagueirão no Centro Administrativo São Sebastião. No velho Palácio Pedro Ernesto, resmungavam pelos cantos sobre os 32 anos do moço e o pouco traquejo nas artes das negociações políticas.
Mas, dois meses depois, quanta diferença…
Placar de goleada na votação dos empréstimos
Maio chegou e a primeira demonstração de que Cavaliere estava indo bem com a Câmara já veio logo com a aprovação da autorização para a Prefeitura do Rio contrair novos empréstimos — assunto que é sempre polêmico.
Mas que nada. A Câmara deu o nada a opor para o prefeito contratar operações de crédito junto a instituições financeiras, com ou sem garantia da União, até o valor total de R$ 1,8 bilhão. Um gol de centroavante, e não de zagueiro botinudo.
Foram só oito votos contrários — e todos da oposição.
“Ele parece ter ficado mais leve quando assumiu o cargo. Está mais relaxado, mais fácil no trato. Realmente, me surpreendi”, disse um dos mais desconfiados vereadores da base.

Vitória fácil na Praça Onze Maravilha
Na última quarta-feira (27), os vereadores aprovaram o ambicioso projeto da Praça Onze Maravilha — que pode marcar a administração Cavaliere, tanto quanto a de seu antecessor foi marcada pelo Porto Maravilha. A ideia é requalificar a região do entorno do Sambódromo, com a derrubada do Elevado 31 de Março e a construção da Biblioteca dos Saberes, um marco para a arquitetura da cidade.
Apesar de ter apreciado mais de 180 emendas ao texto original, a Câmara aprovou o projeto sem sustos.
“As conversas têm fluido bem. Confesso que me surpreendi favoravelmente”, disse um vereador muito ligado ao governo, mas que temia o diálogo com o prefeito. “Para falar a verdade, posso dizer que estou achando o Cavaliere um querido”, concluiu, rindo.
Querido — e, pelo visto, não menos poderoso.


