O governador em exercício Ricardo Couto exonerou o presidente da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), Eduardo Chow de Martino Tostes. A saída foi publicada no Diário Oficial desta quarta-feira (21), apenas 112 dias depois da publicação de sua nomeação.
Defensor público e professor universitário, Tostes havia sido escolhido pelo próprio Couto em 1º de julho para substituir Alexandre Valle. Sua chegada à fundação foi apresentada pelo governo como parte de uma reestruturação administrativa destinada a fortalecer a gestão e valorizar quadros técnicos.
A exoneração, assinada na terça-feira (20), ocorreu a pedido do próprio presidente, conforme o ato oficial. A publicação não informa os motivos da saída.
As idas e vindas da cúpula da fundação: volta para Quintino
No mesmo dia em que a exoneração foi assinada, a cúpula da Faetec tomou o rumo de volta a Quintino.
Em agosto, dois dias depois de tiroteios e barricadas terem fechado as principais vias do bairro, o presidente da fundação, Tostes, havia comunicado aos servidores a transferência para o antigo prédio do Centro de Informações da Marinha (Cenimar), no Centro. O mudança incluía presidência, diretorias, administração e recursos humanos.
Segundo Tostes justificou, na ocasião, a transferência já estava em estudo, mas teria sido acelerada pelo confronto entre policiais e traficantes e o uso de 19 ônibus para interditar as ruas de Cascadura e Quintino.
Havia, porém, uma diferença. Enquanto a diretoria (que, aliás, tinha carro blindado à disposição) arrumava as caixas, quem estava nas salas de aula continuaria dando expediente no mesmo lugar. Em Quintino, permaneceram os colégios e o Centro Vocacional Tecnológico (CVT) — ou seja, os alunos e os professores.
Nesta terça-feira, sob pressão, voltou todo mundo.
Ex-secretários foram à tribuna da Alerj criticar a mudança dos diretores
A decisão não repercutiu bem no plenário da Assembleia Legislativa. Em 1º de setembro, o deputado Anderson Moraes (PL), ex-secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação — responsável pela Faetec — criticou a transferência e o afastamento dos dirigentes dos problemas cotidianos da rede.
“À medida que a diretoria sai dali e se afasta dos problemas que acontecem ali dentro, a tendência é a Faetec sucatear”, afirmou.
Gustavo Tutuca, que comandou a pasta durante dos governos Sérgio Cabral e Pezão, disse ter recebido a decisão com “muita perplexidade”, principalmente porque a razão alegada era segurança.
“Hoje em dia, no campus de Quintino, há diversas escolas da Faetec e mais de quatro mil alunos, além de professores e pessoal de apoio”, lembrou Tutuca.
O que disse o governo do estado sobre a volta a Quintino
A assessoria da fundação enviou nota sobre a volta da cúpula à antiga sede. Segue a íntegra:
“A Faetec está reunindo novamente em Quintino, na Zona Norte do Rio, a estrutura administrativa da presidência, incluindo a parte da equipe que havia sido transferida para o Centro do Rio de Janeiro. O retorno será concluído até o fim desta semana. A transferência para o Centro teve caráter transitório e integrou uma revisão da organização administrativa da fundação, no contexto das mudanças na área de Ciência, Tecnologia e Inovação”.

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Pelo jeito o cara vai passar o Natal na cadeia