O município de Angra dos Reis avançou no índice de alfabetização de seus alunos: passou de 57%, em 2023, para 60,8% em 2024, superando tanto a meta nacional quanto a do estado do Rio de Janeiro.
Os dados são da Avaliação Alfabetiza-RJ, vinculada ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), e indicam um crescimento de 6,67% no percentual de crianças alfabetizadas no município.
Entre as medidas adotadas pela rede municipal de ensino estão a criação de cantinhos de leitura nas escolas, a aplicação de avaliações de fluência em leitura do 2º ao 5º ano e a oferta de um cardápio permanente de atividades voltadas à promoção da leitura.
Angra dos Reis também se destaca por ser, ao lado da capital fluminense, o único município do estado com um estande próprio na Bienal do Livro, dedicado a receber alunos da rede pública local.
Diante do alerta do deputado Luiz Paulo, TCE-RJ proíbe resgates que já drenaram R$ 81 milhões do Fundo de Privatização e manda notificar Cláudio Castro
Em uma decisão contundente, o Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) barrou o esquema de resgate antecipado de cotas do Fundo de Privatização do Estado. Atendendo parcialmente a uma denúncia do deputado estadual Luiz Paulo (PSD), a conselheira-relatora Marianna Montebello Willeman declarou ilegal o trecho do decreto estadual 48.717/2023 que liberava os pagamentos em dinheiro com um desconto fixo de 30%, contrariando a proibição fixada pela lei estadual 2.470/1995.
A medida paralisa novos pagamentos, mas deixa um rombo já consumado em banho-maria.
Três acordos quitados antes do freio de arrumação — envolvendo os escritórios Miranda Morais Sociedade Individual de Advocacia, SCP Consultoria Empresarial e Masters Business Administração — drenaram R$ 81.152.249,77 dos cofres públicos.
Com base na legislação sobre segurança jurídica e na presunção provisória de boa-fé de quem recebeu, o tribunal manteve esses valores preservados — por enquanto. No entanto, a conta pode sim voltar para o bolso dos beneficiários: se o Ministério Público, a Justiça ou o próprio governo comprovarem fraude, má-fé ou conluio, esses atos serão anulados e o dinheiro terá de ser devolvido ao erário.
Por trás dos repasses milionários, a fiscalização do TCE-RJ encontrou indícios de favorecimento e falta de critérios técnicos. O deságio de 30% aplicado aos acordos não surgiu de cálculos do mercado, mas sim de uma sinalização dada pelo próprio cotista maior do fundo ainda em 2020 — dois anos antes de o processo administrativo existir formalmente.
Além disso, os técnicos ignoraram opções muito mais vantajosas para o estado, como o desconto de 40% usado na negociação de precatórios. Em resposta às irregularidades, o tribunal mandou notificar o ex-governador Cláudio Castro e quatro servidores da Secretaria de Fazenda para que apresentem defesa no prazo de 30 dias.
O caso também foi remetido ao Ministério Público do Estado para apuração de eventuais ilícitos penais e improbidade.
Diante das suspeitas de mais de duas décadas, TCE-RJ recomenda devassa no fundo
Para além do decreto recente, o julgamento escancarou uma caixa de Pandora histórica na gestão do Fundo de Privatização. Diante de suspeitas que se arrastam há mais de duas décadas, a corte determinou a abertura de uma auditoria extraordinária para devassar as contas do fundo.
Entre as inconsistências sob investigação estão a criação atípica de cotas “bonificadas” de R$ 14,1 milhões sem respaldo legal em 2001, um apagão contratual no controle e na custódia dos títulos entre 2002 e 2006, e a “individualização” tardia de todos os cotistas em 2009.
Os auditores também vão apurar transações altamente desproporcionais, como um contrato de doação em pagamento no qual cotas que valiam até R$ 30 milhões foram repassadas a um escritório de advocacia sob a alegação de valerem apenas R$ 1,05 milhão — uma diferença de 30 vezes —, além de um estorno recente promovido pela Controladoria Geral do Estado por suspeita de fraude à execução.
Diante do imbróglio jurídico em que o fundo se encontra, o TCE recomendou à nova gestão do governo do estado que avalie a regularidade de todos os acordos passados e proponha uma solução legislativa definitiva para o problema.
Enquanto o Palácio Guanabara prega cautela com os cofres públicos e mantém o discurso de rigor na contenção de despesas, os bastidores da administração estadual continuam registrando movimentações de alto custo. Desta vez, a viagem internacional tem como protagonistas dois integrantes da cúpula da Defesa Civil.
A comitiva de dois será composta pelo secretário de Estado de Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Tarciso Salles, e por seu subsecretário de Gestão Administrativa, coronel Rafael Paiva Vieira. A dupla embarca em novembro para Tel Aviv, em Israel, onde participará da Conferência Internacional sobre Emergências e Desastres (Ipred) e de uma agenda de visitas técnicas entre os dias 12 e 22 de novembro.
O ponto central da controvérsia não é a conferência, mas o peso da fatura para uma comitiva de apenas duas pessoas: uma diária de € 550,00 (cerca de R$ 3.300 na cotação atual) para cada um dos participantes. Em 10 dias de missão no exterior, a conta de diárias para a dupla passa dos R$ 66 mil, sem contar os custos adicionais de traslados e passagens aéreas.
Casa Civil quase barrou, mas Defesa Civil justificou o valor citando outras viagens
A viagem provocou ruído nos bastidores. Em despacho assinado no início de outubro, o secretário de Estado da Casa Civil, Flávio Willeman, chegou a devolver o processo e barrar momentaneamente a autorização. No documento, a Casa Civil cobrou “justificativa técnica e financeira”, alertando que a simples alegação de que o valor já fora usado em missões anteriores não bastava para fundamentar a quantia por participante.
Diante do freio imposto pela Casa Civil, os dois oficiais montaram uma força-tarefa argumentativa. Em resposta, a Defesa Civil defendeu a cotação da dupla apresentando os valores de hotéis em Tel Aviv — apontada como uma das cidades de maior custo de vida do mundo —, tabelas do Departamento de Estado dos EUA e dados comparativos de viagens anteriores feitas por militares à Alemanha.
Convencida pelas planilhas e justificativas apresentadas para respaldar os custos, a Casa Civil recuou e chancelou a viagem. O despacho autorizando a missão foi publicado no Diário Oficial do último dia 8 de outubro, garantindo a liberação integral do benefício internacional para o secretário e seu sub.
Depois de ver a casa arrombada — com suspeitas de irregularidades espalhadas por contratos, escândalo de desvios estimados em R$ 400 milhões na Cedae Saúde, prejuízo de R$ 220 milhões com os investimentos no Banco Master e ter até diretores ameaçados no curso de sindicâncias — a Cedae vai mandar uma servidora da Comissão Permanente de Apuração aprimorar seus conhecimentos sobre investigação corporativa.
A reação ocorre em meio ao cerco fechado pelo governo do estado — que montou um “bunker” de inteligência com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e a Casa Civil para tocar a operação limpeza na estatal.
Enquanto as investigações avançam e chegam até ao Ministério Público, a Cedae formalizou, por inexigibilidade de licitação, no valor de R$ 3.470,00, a inscrição de sua servidora no curso “Investigações Internas Corporativas”, promovido pela LEC Educação e Pesquisa.
O treinamento inclui técnicas forenses digitais, coleta de provas e elaboração de relatórios.
Resta saber se a capacitação chega a tempo de evitar novos rombos ou se servirá apenas para contabilizar os prejuízos de uma caixa-preta que o GSI já começou a escancarar.
E se a moça, sozinha, consegue dar conta do recado.
O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) está diante de um obstáculo jurídico para voltar ao que ele mesmo considera ser o melhor emprego do mundo. Embora tenha deixado o Palácio da Cidade em março deste ano, Paes oficialmente está em seu segundo mandato (do qual abriu mão por renúncia).
E a Constituição Brasileira proíbe um terceiro mandato consecutivo para chefes do Poder Executivo.
Paes foi eleito prefeito em 2020 e reeleito em 2024, para um mandato que terminaria em dezembro de 2028. Renunciou em 20 de março de 2026 para concorrer ao governo estadual, transmitindo o cargo ao vice, Eduardo Cavaliere (PSD). A saída antecipada, porém, não apaga o segundo mandato.
Para a Justiça Eleitoral, a renúncia não funciona como uma espécie de botão de reinicialização da carreira política.
A vedação está prevista no artigo 14, parágrafo 5º, da Constituição. E o Tribunal Superior Eleitoral já enfrentou uma situação semelhante. Na resolução nº 22.529, de 10 de abril de 2007, a corte decidiu, por unanimidade, que um prefeito reeleito que renunciou durante o segundo mandato não poderia concorrer novamente à prefeitura na eleição seguinte.
O tribunal considerou que a candidatura configuraria a tentativa de um terceiro mandato consecutivo.
O entendimento foi reforçado em 18 de junho de 2024, quando o TSE analisou três consultas sobre o chamado prefeito itinerante. Uma delas, a consulta nº 0600172-78.2023.6.00.0000, tratava justamente de um prefeito reeleito que renunciou para disputar outro cargo, não venceu e pretendia concorrer à prefeitura de outro município na eleição seguinte. Sob relatoria do ministro André Ramos Tavares, o tribunal reafirmou que a mudança de município e o afastamento do cargo não afastam a proibição constitucional.
Na prática, a próxima oportunidade para Paes tentar voltar à Prefeitura do Rio será em 2032, quando já não haverá a sequência de três mandatos municipais consecutivos. Isso, claro, se estiver em condições de elegibilidade. Até lá, o político que venceu quatro eleições para prefeito da capital — em 2008, 2012, 2020 e 2024 — terá de buscar outros caminhos para permanecer nas disputas eleitorais.
O ex-cunhado da cantora gospel Gisele Nascimento, Thiago de Mattos Teixeira, foi morto a tiros após uma confusão em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. O autor dos disparos seria o filho de Gisele, Israel Nascimento Teixeira, de 21 anos, teria matado o tio depois de vê-lo agredindo Gisele, que mostrou as marcas dos golpes que recebeu nas redes sociais.
Segundo Marcelo Bruner, advogado que representa a família, a arma utilizada nos disparos pertencia a Rogério Gentil, pai de Israel e policial civil. O rapaz ainda não se apresentou à polícia. Bruner informou que Israel ainda não havia sido intimado.
Em vídeos nas redes sociais, Allan Oliveira, casado com a cantora e vereador em Seropédica, disse que Gisele foi agredida e impedida de deixar o local. Ele disse que o que houve ali foi uma tentativa de feminicídio e ressaltou que Israel agiu para proteger a mãe.
“Se não fosse a intervenção de Israel, que é um menino de ouro, uma pessoa de uma educação incapaz de fazer qualquer coisa, mas vendo a mãe em uma situação de vida ou morte, se ele não fizesse nada, ela ia morrer”, afirmou Oliveira.
Se existisse um troféu para o órgão estadual que mais movimenta a sua própria corregedoria, o Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro (Detran/RJ) estaria isolado no topo do pódio. Mantendo a tradição de campeão de investigações internas no estado, a autarquia publicou a abertura de mais 19 sindicâncias punitivas de uma só vez para apurar possíveis irregularidades em seus processos administrativos.
A maratona de apurações foi oficializada pelo corregedor-geral Fabio Frias Laviola de Freitas. Os despachos distribuem os processos entre uma comissão de servidores designados — como Aline Bringhenti Sarmento, Jaqueline dos Santos Nunes, Jordan Peixoto Silvestre, Letícia Cavalcante Salles, Roberta Espinola, Robson Marcelo Vaz, Rômulo Sant’Ana e Walter Amorim de Castro Junior —, que terão a tarefa de conduzir os trabalhos.
Corregedor do Detran fixa o prazo de 30 dias para a conclusão das apurações
Pelo rito formal, os encarregados têm o prazo fixado de 30 dias para concluir as apurações, contados a partir da publicação, com base nas normas disciplinares do funcionalismo fluminense (decreto nº 2.479/1979 e decreto nº 7.526/1954).
Resta saber se o cronograma dará conta do ritmo acelerado de novas demandas na corregedoria do departamento.
Entidades como Dona Sete Catacumbas e Dona Maria Padilha aliadas a pessoas encarnadas, todos liderados por Exu Tranca Rua das Almas, enfrentando uma ameaça espiritual que ameaça o planeta. Essa cena é um dos pontos de partida do anime “A Gira”, que já está no Youtube e tem previsão de 21 episódios na primeira temporada.
Criado no Rio, o projeto leva às telas narrativas inspiradas na cultura das religiões de atriz africana — e combate o vira-latismo cultural de quem adora ver o deus nórdico Thor nas telas do cinema, mas tem “medo de macumba”.
O anime é resultado do livro “A Gira – Tranca Rua das Almas”, escrito pelo empresário carioca do ramo da tecnologia Valter Ramos, com uma ajudinha extra.
“Escrever o livro foi um convite do próprio Exu. Aconteceu em 2012, no mês do meu aniversário. Depois, ele ficou cinco anos em silêncio. Quando a mensagem retornou, falei com um amigo, o Pedro Miranda, que era dirigente espiritual. Ele me incentivou a escrever”, conta Valter.
Obra foi revelada ao autor numa noite de sono
O escritor conta que recebeu a iluminação final para escrever a obra numa noite. Ele explica que sua mediunidade tem a característica particular de fazê-lo acordar com as coisas prontas na cabeça.
“Levei duas semanas para escrever o livro”, lembra.
A obra fez sucesso no meio religioso. Dois anos atrás, Valter decidiu “furar a bolha”. Estudando as ferramentas da Inteligência Artificial, começou a “rascunhar” os episódios do anime com a ajuda do filho, Victor Hugo.
“O primeiro resultado ficou bem ruim, mas fui aprimorando aos poucos”, conta.
Exu Tranca Rua das Almas lidera a resistência contra o Mal
Voltando à história, a fronteira entre os mundos espiritual e material fica mais tênue, fato que é percebido pelo dirigente espiritual de um terreiro. Ele, então, transforma o local numa verdadeira fortaleza para combater a ameaça, representada por um poderoso mago a serviço das energias mais baixas.
Exu Tranca Rua das Almas tem participação fundamental no conflito, liderando humanos e outras entidades contra a ameaça, que assume o papel de comandante da defesa do espaço sagrado contra a invasão de um poderoso mago das trevas. Toda a história se passa numa única noite num terreiro de Umbanda.
História de ação e aventura traz cenas durante rituais de Umbanda — Foto: Divulgação
Pombas Giras usam rosas encantadas para enfrentar o adversário
O roteiro desafia várias das noções que a intolerância religiosa costuma alimentar sobre as religiões de matriz afro. As Pombas Giras, por exemplo, assumem tarefas-chave na batalha. Uma delas usa rosas encantadas para proteger o terreiro com barreiras místicas. Outra age na cura emocional de pessoas atormentadas, que poderiam se tornar veículo para a entrada das baixas energias.
Valter, de 47 anos, está há 22 na Umbanda. Ele lidera, ao ldao da mulher, Julieta Castro, duas casas: a Tenda Espírita Nossa Senhora da Glória e a Cabana do Mestre Omulú. O religioso também participa do movimento Girão de Umbanda, que reúne mais de cinquenta tendas em encontros coletivos realizados duas vezes por ano para celebrações espirituais.
O anime debate temas como intolerância religiosa — Foto: Divulgação
“A Gira” vai usar a ficção para falar de temas como intolerância religiosa, espiritualidade, ética e o conflito entre fé e ciência. Em alguns momentos da história, entidades desmascaram falsos líderes religiosos e médiuns que utilizam a espiritualidade de forma espúria. A ideia é reforçar a mensagem de que a verdadeira caridade espiritual não envolve exploração ou manipulação.
O anime pode ser visto no canal oficial da obra, no Youtube. Doze episódios já foram lançados.
A uma semana do segundo turno da eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) reuniu apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, na manhã deste domingo (18). O candidato prometeu que seu pai, Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, subirá a rampa do Planalto a seu lado, caso vença.
“Vocês verão Jair Messias Bolsonaro colocar a faixa de presidente da República no filho dele”
Flávio Bolsonaro (PL) afirmou ainda que planeja indicar quatro ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF) que sejam contrários ao aborto e às drogas.
Entre os aliados presentes no ato estão o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL), eleito deputado federal por São Paulo, e Daniella Marques, responsável pela coordenação do programa econômico de Flávio Bolsonaro.
Batizada de “Bloco 22”, a manifestação teve música, palavras de ordem contra o PT e uma orientação pouco habitual nos atos bolsonaristas: nada de exibir bandeiras de outros países. Antes dos discursos, a organização pediu aos manifestantes que recolhessem especialmente as bandeiras dos Estados Unidos e de Israel, símbolos frequentes nas mobilizações da direita brasileira.
O aviso foi dado por um integrante da organização, do alto do carro de som. A recomendação era dar protagonismo aos símbolos nacionais. Ainda assim, havia participantes com bandeiras americanas e israelenses, além de ambulantes vendendo bonés do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Não é de hoje que o deputado estadual Rodrigo Amorim (PL) toca o terror na política de Três Rios, no Centro Sul Fluminense. E o fio desencampado não iria falhar no calor da campanha do segundo turno.
Em visita à cidade com o senador reeleito Carlos Portinho (PL) para um evento em prol da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência, Amorim estava prestes a gravar um vídeo para as redes sociais, quando chegou o prefeito Jonas Dico (MDB) — um velho desafeto do deputado.
O prefeito, que fez campanha para Eduardo Paes (PSD), o principal adversário do PL no primeiro turno, usava um adesivo de Flávio Bolsonaro. Mas não bastou. Acusado de traidor por Amorim, o alcaide foi impedido de participar do vídeo com o deputado e senador.
“Ele era Paes e Lula até alguns dias atrás. Tenho consciência de que agora a prioridade é eleger o Flávio Bolsonaro, até com o voto dos traidores. Aliás, a nossa missão é virar voto, então os votos dos traidores são muito bem-vindos. Mas eu não posso esquecer o comando do próprio senador, que disse que os prefeitos que traíram, que pularam o muro, podem aguardar que a hora deles vai chegar”, disse Amorim.
O climão já ganhou as redes sociais da cidade.
Um histórico de embates entre Amorim e o prefeito de Três Rios
Jonas Dico era o presidente da Câmara de Vereadores de Três Rios e assumiu o comando da cidade porque o prefeito eleito, Joa Barbaglio (Republicanos), foi cassado pela Justiça Eleitoral. Em outubro do ano passado, Dico foi efetivado no cargo ao ser escolhido em eleição suplementar.
As tretas entre ele e Rodrigo Amorim datam da mesma época. Ao lado da também deputada estadual Sarah Pôncio (SDD), Amorim apoiou Juarez da Saúde (Solidariedade).
No mesmo outubro de 2025, o deputado foi à tribuna da Assembleia Legislativa (Alerj) para deferir fortes ataques contra o secretário municipal de Saúde de Dico, Luiz Alberto Barbosa — depois de uma ruidosa fiscalização nas obras do Hospital da Mulher. A prefeitura precisou descredenciar a empreiteira responsável por problemas financeiros e abrir uma nova licitação.
Juarez terminou em segundo lugar, com 13.855 votos (34,41%). Dico foi eleito com 16.182 votos (40,19%).
O Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) está apurando uma denúncia de irregularidades no pregão eletrônico nº 001/2026, realizado pelo Detran-RJ para a contratação de serviços de limpeza, higienização e conservação predial.
A conselheira substituta Andrea Siqueira Martins decidiu adiar a análise do pedido de liminar feito pela empresa Time Multisserviços Ltda, mas deu 15 dias para que a presidência do departamento explique oficialmente em que pé está a licitação e esclareça as notícias de que ela teria sido cancelada.
A denúncia aponta vários problemas no edital. Entre eles, a falta de informações claras sobre a quantidade de profissionais necessários e os cálculos usados para estabelecer esse número. Também são questionados a ausência de detalhes sobre o consumo de materiais e equipamentos e a falta de clareza sobre como plantões, jornadas de trabalho e feriados foram considerados no cálculo dos custos.
Outros pontos levantados são o uso de preços da tabela da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) sem a apresentação dos cálculos detalhados de cada item; a inclusão, sem justificativa, de um acréscimo de 25% na área de cálculo de três tipos de serviço; e a ausência de regras para lidar com os efeitos da Reforma Tributária ao longo dos 30 meses previstos para o contrato.
A área técnica do TCE-RJ e o Ministério Público de Contas haviam recomendado negar o pedido de medida provisória e arquivar parte da denúncia, porque alguns dos pontos já eram discutidos em outro processo relacionado ao caso. A relatora, porém, discordou. Para Andrea Siqueira Martins, o interesse público e o direito da sociedade de fiscalizar os atos da administração exigem que todas as falhas apontadas sejam analisadas e recebam uma resposta formal.
A situação ganhou um novo capítulo depois que documentos internos do próprio Detran-RJ indicaram que o órgão estaria tomando providências para cancelar a licitação e, em seguida, aderir a Atas de Registro de Preços da Seplag-RJ. Esse tipo de adesão permite contratar com base em preços e condições já registrados em atas existentes.
A conselheira destacou que mais de 50 empresas participaram da disputa em cada lote e que já havia vencedoras provisórias. Por isso, uma eventual decisão de cancelar a licitação precisa seguir as regras da Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021), que garantem às empresas participantes o direito de se manifestar antes da revogação.
O TCE-RJ determinou a notificação urgente do presidente do Detran-RJ e do setor de controle interno do departamento. Os dois deverão apresentar as informações solicitadas em até 15 dias. O caso continuará vinculado ao processo principal que já tramita no tribunal.