Entre baldes guardados na varanda e lembranças dos dias de falta d’água, moradores do Vidigal, comunidade da Zona Sul do Rio, começam a perceber mudanças na rotina. Com o investimento de R$ 4 milhões na comunidade, a Águas do Rio, empresa da Aegea, implantou estações elevatórias, que ajudam a garantir o abastecimento nos pontos mais altos e cerca de 1,6 quilômetros de novas redes, beneficiando mais de 30 mil moradores.
Luanda dos Santos, de 43 anos, nasceu e cresceu no Vidigal e viveu de perto essa transformação. Na infância, a caixa-d’água tinha capacidade de 500 litros, que durava até dois dias. Quando o abastecimento falhava, a família carregava galões e garrafas PET até um poço artesiano, que atendia moradores da região.
A falta d’água interferia até no trabalho. Quando cuidava de crianças, Luanda pedia que elas chegassem de banho tomado nos dias de risco de desabastecimento. “A gente aprendeu a conviver sem água”, lembra.
Depois das melhorias, hábitos que antes precisavam ser adiados passaram a fazer parte da rotina: usar a máquina de lavar sem preocupação, dar descarga sem calcular o que restava na caixa ou tomar banho sem pensar em quanto tempo a água iria durar. “Hoje em dia a gente já pode lavar roupa, usar a máquina, o dia que a gente quiser. Ficou mais tranquilo, com a água caindo todos os dias na caixa”, conta.

Melhorias para partes mais altas
O abastecimento depende da força da gravidade e, por isso, a pressão da água diminui à medida que ela precisa subir em regiões mais altas. Em comunidades verticalizadas como o Vidigal, moradores dessas áreas conviviam ainda mais com a dificuldade para receber água em casa.
Este é o caso de Rute dos Santos, de 76 anos: “eu era obrigada a subir e descer vários degraus com baldes cheios para conseguir jogar [a água] no vaso e dar descarga. Para lavar a roupa, Era um sacrifício.”, relembra.

Com a regularização da ligação de água em sua casa, Rute conta que ganhou tranquilidade. “Foram 38 anos de sofrimento. Hoje eu chego em casa e tem sempre água na caixa, todo dia. Isso me deu paz e chegou na hora certa, porque eu já não posso mais carregar peso por problemas de saúde. Agora eu tenho água, estou feliz e aliviada. Sei que todo dia vou ter água”, relata.
Atendimento mais perto dos moradores
Além das obras, moradores passaram a contar com atendimento mais próximo para regularizar ligações e atualizar cadastros. Desde o início de 2026, equipes realizam atendimento de segunda a sexta-feira em parceria com a associação de moradores.
Para Renan Mendonça, diretor executivo da Águas do Rio, mais do que obras, essas intervenções mudaram o cotidiano de quem vive no Vidigal. “Histórias como a da Dona Rute nos mostram o impacto do saneamento na vida das pessoas. É a prova de que estamos no caminho certo, investindo na qualidade de vida e no bem-estar de quem mais precisa. O nosso objetivo é que a possibilidade de faltar água não seja mais uma dor de cabeça para o morador. Estamos levando transformação e impacto social através do saneamento”.
Na varanda de Luanda, os baldes e galões são utilizados de outras maneiras. Durante anos, garantiram água para as tarefas do dia a dia. Agora, permanecem como lembrança de um tempo em que cada gota precisava ser economizada.






















































