A Câmara de Maricá rejeitou, nesta terça-feira (13), uma moção de congratulações e aplausos ao ex-prefeito Fabiano Horta (PT), eleito deputado federal nas eleições deste mês. A proposta, apresentada pela vereadora Rita Rocha (PT), recebeu 13 votos contrários e apenas três favoráveis, gerando um bate-boca entre os parlamentares.
Entre os vereadores que votaram contra a homenagem estão antigos integrantes do governo Horta, que administrou a cidade entre 2017 e 2024.
O resultado provocou críticas dos parlamentares favoráveis à moção, entre eles o presidente da Câmara, Aldair de Linda (PT) que, assim como Horta, também rompeu politicamente com o prefeito Washington Quaquá (PT).
Discussão sobre a homenagem
O presidente da Câmara de Maricá classificou a rejeição como um sinal de falta de democracia e criticou a postura dos colegas que, segundo ele, deixam o plenário quando vereadores de oposição discursam.
“Eu acho que hoje, se mandar aqui derrubar a Igreja Nossa Senhora do Amparo, os vereadores votam para derrubar a igreja”, afirmou Aldair, ao comentar a derrota da homenagem.
Ele também questionou a coerência de vereadores que ocuparam cargos na administração de Horta e agora se posicionam contra uma homenagem ao ex-prefeito: “eu não sou mais da base do governo, mas torço pela minha cidade. Eu quero que tudo que eles falam que vão fazer aconteça”.
Antigos aliados votaram contra
Apenas Aldair de Linda, Adriana Costa (PDT) e Adelso Pereira (Avante) votaram a favor da moção. Entre os 13 votos contrários estão os de Felipe Paiva (Cidadania), Marcinho da Construção (PSD), Andréa Cunha (PT) e Marcus Bambam (PSD), que ocuparam funções na administração de Fabiano Horta.
Durante a discussão, Marcinho da Construção justificou o voto contrário citando denúncias e questionamentos levantados pela atual gestão sobre contratos do governo anterior, incluindo compras de livros didáticos que somariam cerca de R$ 101 milhões.
“Eu fui secretário do Fabiano, sim. Fui secretário e fui vereador nessa casa no primeiro mandato do Fabiano. Agora, diante de todas essas denúncias que o próprio prefeito Quaquá vem fazendo, esta Casa precisa apurar isso”, afirmou.
A oposição também mencionou questionamentos sobre as contas da administração Horta e suspeitas envolvendo contratos e programas municipais. As alegações foram utilizadas pelos vereadores contrários à homenagem para justificar seus votos.
Eleição ampliou o racha entre Quaquá e Horta
A rejeição da moção ocorre poucos dias depois de Fabiano Horta conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados. O ex-prefeito recebeu 82.902 votos no estado do Rio de Janeiro, dos quais 50.396 foram em Maricá, segundo os dados divulgados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O desempenho teve peso simbólico na disputa com Quaquá. O atual prefeito apoiou a candidatura do filho, Diego Quaquá (PT), também eleito deputado federal, que recebeu 68.798 votos no estado e 16.304 em Maricá. Na cidade, Horta teve mais de três vezes a votação do filho do prefeito.
O rompimento entre as duas lideranças se intensificou no início deste ano, quando Horta confirmou a intenção de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, disputando votos com o filho do atual prefeito.
Em fevereiro, Quaquá exonerou mais de 20 servidores comissionados lotados no gabinete do vice-prefeito João Maurício de Freitas, o Joãozinho (PT), aliado de Horta, além de outros indicados pelo ex-prefeito. Em abril, o prefeito afirmou publicamente que Horta e Joãozinho teriam feito uma denúncia contra ele à Polícia Federal.
Comentários 4
Muito bom saber de notícias relevantes sobre a cidade onde resido, gosto de acompanhar por meio eletrônico e fácil e de qq lugar com boa conexão ficamos em dia com.as noticias .
Parabéns pelo serviço da plataforma.
Já que o Rio, faz tempo, não tem futuro, que pelo menos restaure seu passado
Pelo que se vê o terreno não está abandonado, ao contrário, está em pleno uso. Acho que ele deveria desapropriar os imóveis que são invadidos e utilizados pelo tráfico de drogas.
Alguém pode me explicar com detalhes o “programa Reviver Centro”. Quem gasta com a reforma? É uma concessão ou uma compra?