Preso pela primeira vez em julho, na 6ª etapa da Operação Unha e Carne da Polícia Federal, a candidatura do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União) a deputado estadual foi contestada pelo Ministério Público e só efetivamente liberada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) no dia 29 de setembro, a cinco dias da eleição.
Na ocasião, o tribunal concluiu que as provas reunidas pelo MPE não demonstravam que uma organização criminosa tenha colocado sua estrutura ou seu poder armado a serviço da campanha. Por isso, Canella participou da eleição e, com 197.178 votos, conquistou o posto de segundo mais votado para a Assembleia Legislativa.
O Ministério Público Eleitoral, porém, recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O andamento das investigações levou a nova prisão
Canella fora preso em flagrante porque os agentes haviam encontrado um fuzil no seu carro — e solto logo depois de comprovado que a arma estava sob a responsabilidade do seu segurança, um policial militar.
Mas o que havia motivado a operação — a investigação sobre uma rede de postos de combustíveis que movimentou, em seis anos, R$ 7,6 bilhões num esquema de lavagem de dinheiro para facções criminosas — ganhou novos elementos com o material recolhido na busca feita pelos agentes.
E resultou, nesta quarta-feira (15), em nova prisão de Canella.
Embora as novas provas não entrem na representação do MP, o fato é que o desenrolar do processo complica ainda mais a situação do ex-prefeito de Belford Roxo.
Afinal, o recurso ainda não foi julgado pelo TSE e o homem está preso — de novo.
Se o tribunal superior agora concluir que sim, o que havia sido apresentado pelo MPE já apontava para a ligação de Canella com o crime organizado, e que, por isso, ele não poderia recorrer, o ex-prefeito de Belford Roxo pode nem ser diplomado.
E perder o mandato conquistado em 4 de outubro.
Mas como ficam os quase 200 mil votos que Canella recebeu?
Como Canella disputou a eleição com o registro deferido, mesmo que o TSE agora negue seu registro não significa necessariamente a perda dos votos. Pela regra eleitoral, nessa situação, eles podem continuar sendo contabilizados para a legenda, beneficiando a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.
Assim, Canella pode perder a cadeira, mas seu grupo político ainda poderá aproveitar a votação, dependendo dos efeitos da decisão judicial.
A prisão preventiva, por sua vez, não impede automaticamente a diplomação nem provoca a perda dos direitos políticos. Mesmo preso, Canella poderá receber o diploma se o registro continuar deferido.
O futuro do ex-prefeito dependerá, portanto, de duas frentes independentes: a investigação criminal no STF e o julgamento dos recursos eleitorais no TSE. O resultado poderá definir não apenas se ele conseguirá assumir o mandato, mas também quem ficará com a cadeira conquistada nas urnas.