O vereador Jorge Canella (União) deixou a unidade prisional da Polícia Militar na noite desta quarta-feira (14), após a Justiça expedir o mandato de soltura, apenas um dia — ou poucas horas, mais precisamente — de seu aliado político, Márcio Canella (União), ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito nestas eleições, ser preso.
Os dois foram detidos pela Polícia Federal em desdobramentos diferentes da mesma Operação Unha e Carne, com um intervalo de 23 dias.
Um foi preso por posse irregular de arma; o outro, por suspeita de ligação com o crime organizado
Jorge Canella foi detido pela PF em 22 de setembro por posse irregular de armas de fogo de uso restrito. Segundo os agentes, foram encontrados dois fuzis e uma submetralhadora durante uma ação da sétima fase da Operação Unha e Carne.
Já Márcio Canella foi preso no desdobramento seguinte da mesma operação, na oitava fase da Unha e Carne, nesta quinta-feira (15). O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes emitiu mandado de prisão contra o ex-prefeito após ele ser apontado pelos investigadores como um dos articuladores políticos do grupo e investigam suspeitas de ligações com agentes públicos e integrantes do crime organizado.
Na mesma etapa, foram presos o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, e outros quatro inspetores da Polícia Civil.
Márcio Canella já havia sido detido antes, na mesma operação
Márcio também foi alvo da sexta fase da Operação Unha e Carne, em julho deste ano. Ele foi preso em flagrante após agentes da Polícia Federal encontrarem um fuzil de calibre restrito em um carro dele, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão.
O político negou ser dono da arma e alegou que o armamento pertencia a um policial militar de sua escolta. Foi a própria investigação sobre a arma no carro de Márcio resultou no mandado de busca e apreensão contra Jorge, resultando em sua prisão em flagrante.
A operação mira uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavar dinheiro de origem ilícita.
Segundo a PF, o grupo tem participação de agentes públicos e articulação político-institucional e movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, de acordo com um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Mesmo sobrenome político, mas sem parentesco
Apesar de compartilharem o sobrenome usado na vida pública, Márcio e Jorge não são parentes e nenhum dos dois tem Canella no nome de nascimento.
Jorge Eduardo Barreto de Andrade Filho, coronel da Polícia Militar, adotou o sobrenome “Canella” por consideração ao amigo e aliado político.
Márcio Correia de Oliveira, coronel da reserva da PM, passou a usar o sobrenome Canella quando entrou para a vida política, a partir de um apelido de infância. Ele já se referiu publicamente a Jorge como um “irmão que a vida me deu”, e é considerado padrinho político do vereador.
Com informações do G1.





















































