Entidades como Dona Sete Catacumbas e Dona Maria Padilha aliadas a pessoas encarnadas, todos liderados por Exu Tranca Rua das Almas, enfrentando uma ameaça espiritual que ameaça o planeta. Essa cena é um dos pontos de partida do anime “A Gira”, que já está no Youtube e tem previsão de 21 episódios na primeira temporada.
Criado no Rio, o projeto leva às telas narrativas inspiradas na cultura das religiões de atriz africana — e combate o vira-latismo cultural de quem adora ver o deus nórdico Thor nas telas do cinema, mas tem “medo de macumba”.
O anime é resultado do livro “A Gira – Tranca Rua das Almas”, escrito pelo empresário carioca do ramo da tecnologia Valter Ramos, com uma ajudinha extra.
“Escrever o livro foi um convite do próprio Exu. Aconteceu em 2012, no mês do meu aniversário. Depois, ele ficou cinco anos em silêncio. Quando a mensagem retornou, falei com um amigo, o Pedro Miranda, que era dirigente espiritual. Ele me incentivou a escrever”, conta Valter.
Obra foi revelada ao autor numa noite de sono
O escritor conta que recebeu a iluminação final para escrever a obra numa noite. Ele explica que sua mediunidade tem a característica particular de fazê-lo acordar com as coisas prontas na cabeça.
“Levei duas semanas para escrever o livro”, lembra.
A obra fez sucesso no meio religioso. Dois anos atrás, Valter decidiu “furar a bolha”. Estudando as ferramentas da Inteligência Artificial, começou a “rascunhar” os episódios do anime com a ajuda do filho, Victor Hugo.
“O primeiro resultado ficou bem ruim, mas fui aprimorando aos poucos”, conta.
Exu Tranca Rua das Almas lidera a resistência contra o Mal
Voltando à história, a fronteira entre os mundos espiritual e material fica mais tênue, fato que é percebido pelo dirigente espiritual de um terreiro. Ele, então, transforma o local numa verdadeira fortaleza para combater a ameaça, representada por um poderoso mago a serviço das energias mais baixas.
Exu Tranca Rua das Almas tem participação fundamental no conflito, liderando humanos e outras entidades contra a ameaça, que assume o papel de comandante da defesa do espaço sagrado contra a invasão de um poderoso mago das trevas. Toda a história se passa numa única noite num terreiro de Umbanda.

Pombas Giras usam rosas encantadas para enfrentar o adversário
O roteiro desafia várias das noções que a intolerância religiosa costuma alimentar sobre as religiões de matriz afro. As Pombas Giras, por exemplo, assumem tarefas-chave na batalha. Uma delas usa rosas encantadas para proteger o terreiro com barreiras místicas. Outra age na cura emocional de pessoas atormentadas, que poderiam se tornar veículo para a entrada das baixas energias.
Valter, de 47 anos, está há 22 na Umbanda. Ele lidera, ao ldao da mulher, Julieta Castro, duas casas: a Tenda Espírita Nossa Senhora da Glória e a Cabana do Mestre Omulú. O religioso também participa do movimento Girão de Umbanda, que reúne mais de cinquenta tendas em encontros coletivos realizados duas vezes por ano para celebrações espirituais.

“A Gira” vai usar a ficção para falar de temas como intolerância religiosa, espiritualidade, ética e o conflito entre fé e ciência. Em alguns momentos da história, entidades desmascaram falsos líderes religiosos e médiuns que utilizam a espiritualidade de forma espúria. A ideia é reforçar a mensagem de que a verdadeira caridade espiritual não envolve exploração ou manipulação.
O anime pode ser visto no canal oficial da obra, no Youtube. Doze episódios já foram lançados.
































































