Depois de uma eleição marcada por críticas aos institutos, o DataSurreal decidiu investigar um dos fenômenos mais consistentes da política brasileira: a relação do eleitor com as pesquisas que contrariam suas próprias convicções.
O resultado foi considerado definitivo. Segundo o levantamento, em 100% dos casos analisados, o eleitor desconfia da pesquisa quando ela não apresenta o resultado que ele gostaria de ver. Quando o candidato preferido aparece na frente, porém, o mesmo entrevistado passa a considerar o instituto “tradicional”, “respeitado” e “com metodologia séria”.
O levantamento também identificou uma mudança impressionante de percepção em períodos muito curtos. Um instituto classificado como “comprado” numa terça-feira pode recuperar toda a credibilidade já na quinta, desde que publique uma nova rodada colocando o candidato do entrevistado na liderança.
“A credibilidade não depende exatamente da metodologia. Depende muito da posição do meu candidato”, explicou um eleitor ouvido pelo DataSurreal, resumindo involuntariamente as conclusões do estudo.
O estudo do DataSurreal identificou ainda um sofisticado sistema popular de auditoria. Quando o resultado agrada, os entrevistados costumam compartilhar gráficos, percentuais e recortes nas redes sociais. Quando desagrada, a análise estatística é substituída imediatamente pelas expressões “eu não conheço ninguém que respondeu essa pesquisa” e “na rua o sentimento é outro”.
Outro dado chamou atenção dos estudiosos: 92% dos eleitores que afirmam não acreditar em pesquisa enviaram alguma favorável ao próprio candidato para um grupo de WhatsApp nas últimas 48 horas. Os 8% restantes ainda estavam procurando uma.
O DataSurreal também testou a reação a dois levantamentos absolutamente idênticos. No primeiro, o candidato preferido do entrevistado aparecia com 48%; no segundo, com 38%. A metodologia, a amostra, a margem de erro e o instituto eram exatamente os mesmos.
O primeiro foi considerado “um retrato fiel das ruas”. O segundo, “uma tentativa desesperada de manipular a eleição”.
Para os especialistas do DataSurreal, o fenômeno ajuda a explicar por que pesquisas eleitorais conseguem ser, simultaneamente, prova científica incontestável e fraude completa — dependendo apenas de quem está olhando para os números.
A margem de erro do levantamento é de zero ponto percentual, porque, segundo o instituto, desta vez ninguém teve coragem de discordar.
Metodologia da pesquisa
Foram ouvidos eleitores que acreditam rigorosamente em todas as pesquisas favoráveis ao próprio candidato. Os que discordaram do resultado foram automaticamente classificados como confirmação do levantamento.


























































