Primeira construção do Brasil projetada para funcionar como delegacia, a sede histórica da 9ª DP (Catete), tombada em 1992, enfrenta situação precária: infiltrações, mofo e improvisos na rede elétrica. De acordo com servidores, em dias de chuva, até mesmo equipamentos precisam ser protegidos com plástico.
O edifício está localizado no número 1 da Rua Pedro Américo e abriga a delegacia responsável pelo atendimento e pelas investigações nos bairros de Flamengo, Catete, Glória, Laranjeiras e Cosme Velho. Segundo a denúncias de servidores, há seis anos foi feita uma pequena reforma, mas os problemas reapareceram rapidamente.
A situação contrasta com a relevância histórica da construção, tombada em definitivo pelo Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) em 1992. O prédio foi projetado pelo arquiteto Heitor de Mello (1875-1920), um dos principais representantes da arquitetura eclética carioca e autor, anos depois, do projeto do Palácio Pedro Ernesto, na Cinelândia. Para quem trabalha diariamente no prédio, o reconhecimento histórico não tem impedido o avanço da deterioração.
De acordo com os relatos, as infiltrações se espalham por diferentes ambientes da delegacia e se intensificam em dias de chuva forte. A água escorre pelo interior do prédio, obrigando os servidores a improvisarem para tentar conter os vazamentos e proteger os equipamentos utilizados no atendimento ao público e nas investigações.
Gambiarras preocupam os servidores
Outro ponto de preocupação é a rede elétrica do local. Ainda de acordo com relatos, computadores, aparelhos de ar-condicionado e outros equipamentos funcionam ligados a adaptações feitas ao longo dos anos para suprir a falta de uma estrutura adequada.
Além disso, pisos quebrados aumentam o risco de acidentes, enquanto paredes tomadas por mofo e telhados sem forro tornam o ambiente de trabalho ainda mais precário tanto para policiais e funcionários quanto para a população que procura a unidade em busca de atendimento.
Em nota enviada ao Jornal “O Globo”, a Polícia Civil informou que providências estão sendo adotadas para a realização das intervenções na 9ª DP (Catete). O órgão explica que, por se tratar de um imóvel tombado, qualquer obra estrutural depende de procedimentos específicos, o que torna o processo mais complexo. A equipe de engenharia da instituição afirma que está elaborando um relatório que facilitará o subsídio das futuras intervenções, em conformidade com as exigências legais aplicáveis a esse tipo de patrimônio.
Com informações do Jornal “O Globo”.

