A Operação Lei Seca vai contar com reforço nas ações de educação e fiscalização em razão do jogo da seleção brasileira nesta segunda-feira (29). Equipes estarão atuando em dois eventos com transmissão da partida: na Fan Fest de Copacabana e na Festa do Alzirão, na Tijuca.
Além disso, entre 10 equipes de fiscalização atuarão em diferentes pontos da capital e da Região Metropolitana, com o objetivo de coibir a combinação de álcool e direção e reforçar a segurança no trânsito.
Novo aparelho que mede mais que a alcoolemia está em fase de testes e promete ampliar a fiscalização
Dezoito anos depois desde a sua implementação, em 2008, a Lei Seca segue evoluindo. A legislação, que chegou à sua “maioridade”, conta com uma nova fronteira em vista: a adoção dos chamados drogômetros, que são bafômetros de nova geração, capazes de detectar não apenas o álcool, mas também outras substâncias psicoativas no organismo do motorista. Os equipamentos estão em fase de testes e aguardam certificação do Inmetro para entrar em operação oficial.
De acordo com o deputado federal Hugo Leal (PSD), autor do projeto que originou a lei, o próximo objetivo já está à vista:
“Não ficamos parados nesses 18 anos. Seguimos aperfeiçoando a Lei Seca para que ela sej cada vez mais efetiva. Já discutimos em vários ambientes a questão de outras drogas. É necessário, um pouco mais complexo, mas é preciso agir e avançar para outras substâncias que também comprometem a capacidade do motorista”, afirmou o parlamentar.
Mais de 3,7 milhões de infrações em todo o país.
Os dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) revelam a dimensão da fiscalização: de junho de 2008 até maio de 2026, foram registradas mais de 3,7 milhões de infrações em todo o país. Desse total, nada menos do que 66% correspondem à recusa ao teste do bafômetro,conduta que, desde 2016, é classificada como infração gravíssima e equivale, para fins legais, à comprovação da embriaguez.
Só no Rio, onde as operações tiveram início em 2009, foram realizadas mais de 42,6 mil blitzes, com quase 5 milhões de motoristas abordados.
“A mudança de comportamento gera mudança de geração. Alguém que tinha 10 anos quando a Lei Seca foi sancionada hoje tem 28 anos e a forma como essa pessoa enxerga o ato de beber e dirigir é completamente diferente. Esse é o principal ativo da Lei Seca depois de 18 anos: essa transformação de visão, de cultura. E ainda estamos em processo de evolução”, destacou o deputado.
Mulher ficou paraplégica após ser vítima de motorista alcoolizado em 2003
Essa mudança de cultura pode ser sentida na ponta. Elaine Dutra, que ficou paraplégica após ser vítima de um motorista alcoolizado em 2003, hoje atua como agente de educação da Lei Seca e é testemunha da transformação causada pelas operações. “Hoje somos bem aceitos em bares e eventos. Ouvimos nos hospitais que o número de traumas envolvendo álcool e direção caiu muito, até 60%. É trabalho de formiguinha”, disse.
O comportamento cultural do brasileiro, que frequentemente subestima os riscos, segue sendo um obstáculo no declínio das taxas. Com a chegada dos drogômetros ao cotidiano das estradas brasileiras, a Lei Seca dá mais um passo na direção de um trânsito mais seguro, provando que, aos 18 anos, ainda tem muito pela frente.

