A nomeação do novo subsecretário de Grandes Eventos, publicada na última quinta-feira (21), está cercada de silêncio e especulações nos bastidores do governo do estado. Escolhido pelo governador em exercício Ricardo Couto, o coronel da reserva do Exército Ricardo Facó de Albuquerque ainda não foi visto circulando pelos corredores do Palácio Guanabara, segundo relatos de interlocutores da própria administração. Mas já está dando o que falar.
A começar pelo setor de eventos, no qual representantes mais notórios dizem nunca ter ouvido falar no coronel. Quem já atuou na subsecretaria — que fica sob o guarda-chuva da Casa Civil — também estranhou o nome do moço e o perfil que ele apresenta no Linkedin, uma rede social voltada para o mercado profissional. Ninguém sabe ainda quem é o padrinho da indicação do moço.
O governo do estado não ajuda a esclarecer o mistério. Procurado em duas ocasiões diferentes para confirmar o currículo oficial do militar da reserva, até a publicação desta reportagem não havia retornado.
Quem é Ricardo Facó de Albuquerque?
Pouquíssimo conhecido na política do Rio, Ricardo Facó de Albuquerque apresenta no Linkedin uma trajetória ligada à inteligência militar e às Forças Armadas.
Coronel da reserva do Exército, ele atuou na chefia de Inteligência da Brigada Olímpica durante o período dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e também teve passagem pelo Ministério da Defesa.
Antes da nomeação no governo do estado, Facó ocupava o cargo de secretário de Administração de Guarapuava, no Paraná. A saída da prefeitura ocorreu em abril deste ano, oficialmente sob alegação de motivos familiares que tornaram necessário o seu retorno ao Rio de Janeiro.
Troca aconteceu após desgaste com ex-subsecretário causado pelo show da Shakira
O antecessor de Facó, Rodrigo Castro, pediu exoneração da subsecretaria de Grandes Eventos no fim de abril, em meio ao desgaste provocado pela discussão sobre o patrocínio do show da cantora Shakira em Copacabana.
Rodrigo defendia internamente um aporte de R$ 15 milhões no evento, alegando impacto econômico e turístico para o Rio de Janeiro. O governador em exercício, porém, decidiu não liberar os recursos estaduais, sob entendimento de que o financiamento deveria ficar sob responsabilidade da Prefeitura do Rio.
A posição teve apoio do ex-prefeito e pré-candidato ao governo do estado Eduardo Paes (PSD). Ao fim das negociações, a prefeitura agora comandada por Eduardo Cavaliere (PSD) ampliou em mais R$ 5 milhões sua participação financeira, chegando ao total de R$ 20 milhões investidos no evento.
COM FÁBIO MARTINS

