O Governo do Rio de Janeiro devolveu à Polícia Militar o tenente Cláudio Barbosa da Silva, ex-segurança do ex-governador Cláudio Castro, após mudanças na Subsecretaria Militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) conduzidas pelo governador em exercício Ricardo Couto.
A decisão foi publicada no boletim interno da PM e faz parte de uma reestruturação administrativa que, segundo o governo, já resultou em mais de 2,5 mil exonerações ligadas à gestão anterior. Com a mudança, o oficial deixou o Palácio Guanabara e foi designado para o Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP).
Promoção por bravura é alvo de questionamentos na PM
Cláudio Barbosa ganhou projeção após ser promovido ao oficialato por ato de bravura em uma ocorrência registrada em 2023 na Zona Norte do Rio. Segundo o relato da corporação, ele teria reagido a um arrastão e trocado tiros com criminosos durante ação próxima à sua residência.
O caso, no entanto, é alvo de controvérsia. Não houve registro de presos nem apreensão de armas na ocorrência, e vídeos do mesmo dia não mostram claramente o suposto confronto descrito no boletim oficial.
A promoção por bravura permitiu que Cláudio Barbosa saltasse da condição de praça para o oficialato, tornando-se tenente sem passar pelo concurso interno tradicional. A mudança também acelerou sua progressão funcional e impactou diretamente sua remuneração e trajetória dentro da corporação.
Outros policiais que apreenderam fuzis em áreas dominadas pelo tráfico tiverem suas promoções negadas no mesmo período
A promoção foi concedida por comissão interna da Polícia Militar responsável por avaliar atos de bravura, mecanismo que especialistas apontam como subjetivo. No mesmo período, outros pedidos de promoção por ato de bravura feitos por policiais que atuaram em operações de maior intensidade foram rejeitados.
Em alguns casos citados em registros internos, equipes participaram de confrontos armados com grupos numerosos, apreenderam fuzis e outras armas de guerra e ainda realizaram prisões em áreas dominadas pelo tráfico, mas, ainda assim, tiveram os pedidos negados sob a justificativa de que as ações seriam “inerentes à atividade policial”.
Para esses especialistas, essa margem interpretativa abre espaço para decisões influenciadas por fatores institucionais e até políticos, especialmente em casos envolvendo policiais com atuação próxima a autoridades ou inseridos em estruturas do governo. Eles defendem a criação de critérios mais rígidos e transparentes, capazes de reduzir disparidades entre ocorrências semelhantes e dar maior previsibilidade às promoções dentro da corporação.
Com informações do portal “g1”.

