Assim como já havia anunciado que faria, o líder do PL na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Filippe Poubel, utilizou “instrumentos previstos no regimento” e pediu verificação de quórum para tentar barrar um projeto da oposição em votação nesta quinta-feira (16).
Mais 15 deputados da antiga base governista o seguiram e deixaram o plenário. A movimentação, no entanto, nem foi necessária: quem permaneceu em sessão votou contra e garantiu a rejeição da proposta.
O projeto de lei da deputada Dani Balbi, líder da bancada do PCdoB na Alerj — legenda que participou da reunião do PSD que discutiu a estratégia da oposição para a eleição da presidência da casa — previa a criação de um dia de combate ao racismo ambiental no calendário oficial do estado do Rio de Janeiro.
A parlamentar criticou, ainda durante a verificação de quórum, a atitude da “tropa”.
“Eu realmente não entendo por que a extrema-direita é contrária a essa sinalização da Alerj, que, inclusive, não é nem uma política pública, sejamos sinceras e sinceros aqui. O que faz é simplesmente uma alteração no calendário oficial do estado para que esse dia seja um dia de conscientização”, afirmou.
Ela completou: “infelizmente, não me espanta, apesar de me indignar, a extrema-direita organizar sua tropa, sua base, para tentar impedir com que essa medida mínima (…) se consolide”.
Jordy fala em ‘japoneses de olhinho fechado’ que sofrem com desastres ambientais para justificar voto contrário
Na sequência, o recém-empossado Renan Jordy (PL) subiu à tribuna para encaminhar o voto “não” da bancada e admitiu que não conhecia o termo “racismo ambiental”.
“Eu juro que eu tive que pedir ajuda aos universitários, ou melhor, aos deputados mais antigos, aqueles que têm um conhecimento mais profundo de algo tão raso. (…) Eu, de pronto, não consegui entender. Eu recorri ao Google e aos deputados”, assumiu.
Em seguida, disse que enchentes e desabamentos seriam fenômenos ligados “à ciência, à meteorologia e ao nosso espaço geográfico” e que “nada tem a ver com racismo”.
Para sustentar o argumento, recorreu a comparações com desastres em outros países: “é racismo com os japoneses de ‘olhinho fechado’, quando bate lá um ciclone ou um terremoto e morre uma porção de japonês? É racismo com japonês?”.
E concluiu: “Gente do céu, tudo agora virou o palco de racismo. Moram negros no Japão? Moram negros em Singapura, gente?”.
A proposta acabou rejeitada por 34 votos contrários e 18 favoráveis.

