O ringue da disputa pela presidência da Assembleia Legislativa (Alerj) está formado. De um lado, o já conhecido aspira governista Douglas Ruas, também pré-candidato a governador pelo PL. Do outro, o desafiante Rosenverg Reis, hoje o primeiro-secretário da casa — irmão do presidente estadual do MDB, Washington Reis, e de Jane Reis, já anunciada vice na chapa oposicionista encabeçada pelo ex-prefeito Eduardo Paes (PSD).
Douglas chegou a ser eleito na semana passada, com 46 votos, numa sessão anulada pela Justiça poucas horas depois. A eleição fora convocada pelo presidente da Alerj, Guilherme Delaroli (PL), no fim da manhã e realizada no início da tarde. Em protesto, a oposição se retirou (24 deputados não participararam da sessão) e não apresentou candidato. Além do prazo curto para apresentar um nome, a turma lembrou que era preciso esperar a Justiça Eleitoral apontar quem seria o substituto do cassado Rodrigo Bacellar (União).
De qualquer forma, Douglas deu uma demonstração de força e tanto. E cabe à oposição, agora com mais tempo para se organizar, correr atrás da diferença.
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) publicou, nesta quarta-feira (1º), a ata do reprocessamento dos votos das eleições de 2022 para deputado estadual — que deu o mandato de Bacellar ao delegado Carlos Augusto (PL). A partir de segunda (06), os partidos poderão recorrer. A expectativa é que o resultado definitivo seja homologado em sessão marcada para o dia 14 de abril, às 16h.
Só depois, a Alerj deve marcar a eleição.
Vítor Júnior na tropa de choque da oposição na Alerj
Antes de Rosenverg, outros nomes foram testados. Chico Machado (SDD) chegou a ser cogitado, mas foi descartado por causa de sua proximidade com Bacellar — hoje preso em Bangu 8 sob a acusação de ter vazado informações sobre uma operação contra o Comando Vermelho.
O nome de Rosenverg, inclusive, funciona como uma “vacina” contra qualquer associação do grupo a Bacellar. O primeiro-secretário bateu boca com o então presidente da Assembleia Legislativa mais de uma vez em plenário, depois da demissão de Washington Reis do cargo de secretário estadual de Transportes. Foi para Rosenverg que Bacellar avisou, em tom de ameaça: “não me confunda com Cláudio Castro”.
O candidato oposicionista conta com um cabo eleitoral, no mínimo, barulhento. Vitor Junior (PDT) foi quem deu as principais entrevistas classificando a eleição de Douglas como uma manobra.
Eleger um opositor no comando da Alerj interessa muito a Paes, que tenta evitar que a máquina pública estadual volte para as mãos de aliados de Castro. E, se valer a linha sucessória, o escolhido pela maiora dos 70 deputados pode assumir interinamente o governo do estado — posto que hoje está com o presidente do TJ, Ricardo Couto.

