A guerra política no Rio não dá trégua. O prefeito e pré-candidato ao governo do estado, Eduardo Paes (PSD), voltou a atacar o governador Cláudio Castro (PL) nesta quinta-feira (12), em meio aos desdobramentos da prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD).
Na publicação, Paes repostou uma declaração de Márcio Ribeiro, líder do governo na Câmara do Rio, que manteve o clima de tensão entre município e estado na sessão desta quinta-feira (12). Em seguida, o prefeito destacou a prisão de Salvino como uma “injustiça” e denunciou o que chamou de “máfia que tomou conta do Palácio Guanabara”.
‘Iremos até as últimas consequências’
“Não vamos deixar que a injustiça cometida contra o vereador Salvino fique impune. Ele será libertado e iremos até as últimas consequências para responsabilizar essa máfia que tomou conta do Palácio Guanabara! Parabéns pelas palavras, meu vereador e líder do governo na Câmara”, escreveu Paes.
E complementou com um recado direto ao chefe do Executivo estadual: “Este é apenas o começo dos desencontros entre nós. Quem mandou cometer a covardia e quem a executou será identificado pela Polícia Federal. Aguardem.”

Chão riscado na disputa eleitoral do Rio
O chumbo grosso está sendo trocado entre Castro e Paes desde o início da semana.
Primeiro, Paes inflamou e ironizou as investigações da Polícia Federal, que apontaram ligações de aliados e ex-secretários do governo estadual com o crime organizado. Em seguida, com a prisão de Salvino pela Polícia Civil por acusações semelhantes, Castro rebateu, chamando o vereador de “braço direito do Comando Vermelho na Prefeitura do Rio”.
PSD critica circunstâncias da prisão de Salvino
O vereador foi preso nesta quarta-feira (11) durante uma operação que aponta lavagem de dinheiro e apoio ao CV. Segundo as investigações, o jovem político teria negociado com traficantes da Gardênia Azul a autorização para fazer campanha na região em troca da instalação de quiosques na comunidade.
O PSD, que levará o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF), questiona as circunstâncias, o “caráter eleitoreiro” e os argumentos usados para prender Salvino. Eles também denunciam um suposto uso político da Polícia Civil por parte de Castro para perseguir adversários.
O que diz o vereador do PSD
Logo após a prisão, a defesa do parlamentar informou que repudia com veemência a acusação feita pela Polícia Civil. Eis a nota na íntegra:
“O vereador Salvino Oliveira repudia com veemência a acusação feita pela DGCOR da Polícia Civil, lamentando as truculentas e desnecessárias medidas tomadas em seu prejuízo, com base em narrativa evidentemente desprovida de provas, construída com propósito de macular a sua reputação com mentiras.
Salvino confia no Sistema de Justiça e provará a sua inocência no curso do processo, demonstrando à sociedade que o elegeu a verdade dos fatos, que confirmará, mais uma vez, a seriedade e a lisura do seu trabalho.”


Na política, acusações graves não podem virar instrumento de disputa eleitoral. Quem tem razão deve provar nos autos, não no grito.
Se houve investigação e prisão, cabe à Justiça esclarecer os fatos. Agora, transformar instituições em palco de guerra política só aumenta a crise e não ajuda o Rio.
Ao governador Cláudio Castro deve ser garantido o mesmo princípio que vale para todos: presunção de inocência. Não há motivo para acreditar que promoveria perseguição política.
Mas na vida pública também vale um velho ensinamento: quem ataca demais precisa lembrar que telhado de vidro exige prudência.
Baixa a bola Dudu …